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Comportamento 3 MIN DE LEITURA

Quanto tempo você demora para dizer sim?

Quanto tempo você demora para dizer SIM às mudanças, imprevistos, inconvenientes que aparecem na sua vida? 

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Foto: Rachael Crowe / Unsplash

Já passou pela situação de ter planejado algo como uma viagem, um passeio ou um dia todo cheio de afazeres e, de repente, um imprevisto acontece e muda todos os seus planos, vira sua programação de cabeça para baixo? Seu chefe pede por favor para você trabalhar no fim de semana, chove quando você tinha imaginado um dia lindo na praia, vai para uma festa esperando encontrar alguém e a pessoa não aparece, e assim vai… gerando uma frustração enorme. Isso acontece muito porque é normal, primeiro, fazermos planos e, segundo, criarmos expectativas. O problema é quando a expectativa se torna um desejo e, dependendo da intensidade, uma exigência. 

Sendo uma exigência, o problema ainda maior é quando dizemos NÃO a essas situações, mudanças, adversidades, que na maioria das vezes não podemos controlar ou influenciar, por serem fatores externos. Criamos uma resistência que chega a ser irracional. Os exemplos citados acima são situações que não dependem de nós. Não podemos controlar o tempo, muito menos ter a certeza de que nossas expectativas serão atendidas.

Sobre flexibilidade e a arte de dizer SIM

Não estou dizendo que não podemos criar expectativas ou esperar que algo aconteça exatamente do jeito que planejamos. Ao contrário, eu sou uma pessoa que adora planejar e me sinto muito mais confortável com a sensação de controle, mas ao mesmo tempo tive de aprender a ser mais flexível caso o curso mude totalmente de rumo. Aprendi a dizer SIM para os imprevistos, para as mudanças, para as adversidades que não consigo controlar. E mais importante, aprendi a poupar a minha energia fazendo isso.

Quando dizemos NÃO à uma situação que não está sob nosso controle, criamos resistência a algo imutável, gastamos energia demasiada. Muitas vezes também perdemos tempo ou mesmo o momento. Por exemplo, no caso citado de esperar muito pela presença de alguém em uma festa e a pessoa não aparecer. Na hora parece que a festa acabou, negamos o fato, e quanto mais ficamos em negação perdemos o momento. Deixamos de aproveitar.

Esse insight surgiu durante minha participação em uma certificação de Trainer Mastery ministrado por duas pessoas excepcionais, Renato Curi e Fabrizio Ortiz da Crescimentum, quando eles explicavam que muitas vezes, quando estivermos dando treinamento vão aparecer situações que não estavam previstas, não planejadas. E quanto menos resistentes formos a elas teremos maior capacidade de lidar e administrar a interferência.

Antes de continuar, convido você a refletir:

  • Qual é a sua primeira reação quando as coisas não ocorrem como planejado? Como você se sente quando suas expectativas não são atendidas?
  • Quanto tempo você passa reclamando ou lamentando por conta do fato/mudança/adversidade?
  • Qual é o seu grau de resistência a essas adversidades? Isso é, quanto tempo você fica em negação ao fato que você não tem controle algum?

Resiliência para encarar as adversidades e o papel da liderança nas empresas

Aprender a abraçar o que vier é sinal de maturidade e inteligência. Envolve também a questão da resiliência, que é a nossa capacidade de lidar com os nossos problemas, de superar obstáculos mesmo diante de situações adversas e aprender com isso. Gosto de citar a definição que escutei durante uma formação com o grande Rhandy Di Stéfano: “resiliência é quanto tempo você demora para ficar de pé quando cai”. É isso mesmo, eu diria que é quanto tempo você fica em negação e se afundando ainda mais no problema ou quanto tempo você demora para abraçar o problema e focar na solução.

Quando os problemas parecem ser impossíveis de serem resolvidos, causando transtornos emocionais ou até mesmo físicos, pode ser um sinal de que está faltando resiliência na vida pessoal / profissional. Alguns outros sintomas de falta de resiliência: tendência para ser inflexível, não saber lidar com pressão, não conseguir ver erros como oportunidade de melhoria, não se responsabilizar pelos erros, não valorizar as vitórias.

É por isso que as empresas buscam cada vez mais por profissionais resilientes, pois sabem que eles vão solucionar os problemas de forma mais eficaz, vão adoecer menos, ter uma carreira longínqua, se relacionar melhor e contribuir no crescimento organizacional. Uma das características essenciais da liderança é exatamente essa: solucionar problemas. Para mudarmos nossa forma de ver e lidar com as adversidades precisamos de prática e mais prática, mas o primeiro passo é a consciência do estado atual. E você? Como está a sua resiliência?

Finalizo novamente com a pergunta: quanto tempo você demora para dizer SIM às mudanças, imprevistos, inconvenientes que aparecem na sua vida? 

*O Jornal 140 não se responsabiliza pela opinião dos autores deste coletivo.

Trainer, Coach e Mentora. Trabalha com desenvolvimento humano com foco em mudança de comportamento, alta performance, gestão de carreira e liderança. Com Certificação Internacional em Coaching pelo ICI (Integrated Coaching Institute), formação aprovada pelo ICF (International Coach Federation); Certificação Internacional em Coaching Pensamento & Ação pela SBPNL; e Certificação em Trainer Mastery pela Crescimentum. Formação em Relações Públicas (FCL) e Pós-graduação em Gestão de Comunicação e MKT (USP).

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Comportamento 3 MIN DE LEITURA

A atualização não deve ser só na voz

O retrato de uma sociedade que assedia sexualmente até mesmo as assistentes virtuais!

Julie Damame

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Foto: Austin Distel / Unsplash
​“Criar uma máquina consciente não é parte da história do homem. É a história dos deuses”. A frase é do filme “Ex_Machina: Instinto Artificial”, do diretor Alex Garland.
​Quem aqui já o assistiu?
​Eu o assisti há pouco tempo e, com a mesma sensação do meu último artigo, persisto impressionada em como as transformações tecnológicas desenvolvem novas conjunturas sociais. E outras nem tão inovadoras assim.
Então, para quem ainda não o viu – e contendo alguns spoilers! -, a narrativa do longa-metragem consiste na criação e acompanhamento de robôs humanoides dotados de alta e complexa inteligência artificial. No filme, os robôs foram programados para aparentar e realizar “funções sociais típicas” de uma mulher. Tais como obrigações para com o lar, com a aparência física e até mesmo sexuais.
​O modo como as máquinas são concebidas e o desfecho da trama são realmente surpreendentes (ou previsíveis para alguns, como para minha mãe). De qualquer forma, acredito que valha a pena ser visto. ​No final, fiquei com o mesmo questionamento do princípio: por que os robôs eram representados como mulheres?
​Por ironia do destino, recebi a campanha do movimento “#HeyUpdateMyVoice” (#HeyAtualizeMinhaVoz) em parceria com a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), que relata que as assistentes virtuais (Siri, Alexa, Cortana, Robin, entre outras) sofrem assédio. Sim, é exatamente isso que você leu!
​De acordo com a Comissão de Banda Larga da ONU, 73% das mulheres – ao redor do mundo – que estão conectadas, já foram expostas a algum tipo de violência online. E, agora, por mais absurdo que pareça, essa “violência” foi estendida para as assistentes virtuais e suas vozes “femininas”!
​Loucura! A UNESCO prevê que aproximadamente 5% das interações com as assistentes virtuais são explicitamente sexuais. Apenas no caso de “Robin”, assistente pessoal para auxiliar no trânsito, são mais de 300 conversações diárias.
​Não bastasse isso, as declarações e insultos ganham respostas que só reforçam narrativas sexistas. O próprio título do relatório da UNESCO, “Eu coraria, se pudesse” (2019), refere-se a uma das reações dadas pela Siri, quando um homem a xingou: “Siri, você é uma vagabunda!”.
​Outras respostas, igualmente sem assertividade, foram projetadas para a mesma colocação, em 2017: “Oh”; “Agora, agora” e “A tua linguagem!”. Curiosamente, quando as investidas eram proferidas por mulheres, o dispositivo retrucava: “Isso não é simpático”.
​A UNESCO pondera e conclui o relatório da seguinte maneira: “A subserviência das assistentes de voz digital torna-se particularmente preocupante quando estas máquinas – antropomorfizadas como mulheres pelas empresas de tecnologia – dão respostas desviantes, fracas e apologéticas ao abuso sexual verbal. […] (Elas) são prestativas, dóceis e desejosas por agradar, disponíveis através de um simples clique num botão ou com um comando de voz”.
​Ademais, será que estes softwares não reforçam profissões estereotipadas? Ou seja, que funções como ajudante, secretária, são “mais de mulher”?
​Inclusive, a começar pelos nomes. Por exemplo, a origem da palavra “Siri” significa, na mitologia nórdica, “mulher bonita que te leva à vitória” ou “Sophia” que foi a primeira robô humanoide.
​Por isso, retorno e coincido com as indagações quanto ao filme: por que a vasta maioria dos robôs humanoides são “mulheres”?
​Acredito que uma parte foi explicada pela UNESCO.
Contudo, no filme que mencionei no início do texto, o “criador” (Nathan Bateman) do “Ex_Machina”, ambicionava que as humanoides fossem daquele jeito. Como discorre na obra, Nathan queria que elas fossem heterossexuais, que tivessem aptidão sexual e outras características para sua pura satisfação.
​Trazendo para a “vida real”, quem são os principais “criadores”? Ou, quem – em sua maioria – fez o uso com conotação sexual?
​Se as repostas para os dois questionamentos convergirem, significa que o que está errado não é – somente – na falha de programação do sistema. Uma atualização, por mais necessária que seja, não será suficiente.
​A campanha #HeyUpdateMyVoice sabe disso. O objetivo principal do movimento, além de desejar criar um banco de dados com as respostas necessárias e efusivas para os casos de assédios; é a educação da sociedade, contando com as empresas e seus consumidores globais.
​Por fim, o que me impressiona é que, mesmo agora, no “futuro tecnológico do século XXI”, ainda temos que lutar a infindável e exaustiva batalha contra os esteriótipos negativos femininos.
*O Jornal 140 não se responsabiliza pela opinião dos autores deste coletivo.
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Comportamento 2 MIN DE LEITURA

Por que temos tanto medo de errar se dizem que errar é humano?

Como trabalhar esse sentimento que nos paralisa e impede de alcançarmos nossos objetivos

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Foto: Andre Hunter / Unsplash

O medo de errar é um sentimento que aprendemos a carregar desde a nossa infância. Tudo começa quando fazemos algo de errado – ou não da maneira 100% correta – quando crianças e muitas vezes recebemos olhares de desapontamento ou desaprovação. Depois vamos para a escola onde somos avaliados por meio de provas e atividades nas quais os erros são vistos como fracasso e não colocados como um princípio para aprendizagem. De forma bem grosseira, o lema no colégio geralmente era ‘demonstre ser inteligente e faça de tudo para não parecer burro’.

Quantas vezes deixamos de perguntar uma dúvida para os professores com medo de sermos julgados pelos colegas? Ou mesmo hoje na fase adulta, durante as reuniões, quantas vezes deixamos de expor opiniões por achar que podem não ser relevantes?

O medo é um paralisador de conquistas e gera uma ansiedade enorme. Tememos os erros e procuramos evitá-los ao máximo mesmo que custe a nossa felicidade. Percebem? Muitas vezes escolhemos ficar dentro da zona de conforto, mesmo que signifique abandonar nossos sonhos ou que a situação esteja ruim – pois, de certa forma, já estamos familiarizados e acostumados com a situação. Então deixamos de arriscar, de ver o que poderíamos ganhar, conquistar, viver, pela possibilidade de fracasso. Possibilidade, o que significa que é um medo criado e não real.

Enfrentando os nossos medos

Particularmente, eu não gostava de expor minhas ideias em público, por medo de ser julgada, de não ser “boa o bastante”, mesmo que me custasse ter visibilidade, oportunidades, e hoje vejo minhas publicações ou participações em palestras e treinamentos, por exemplo, como uma conquista enorme. Percebo que muitas vezes nem tudo sai como planejado, mas essa é a graça. Estou aprendendo a deixar-me ser vulnerável e assim percebi que só com a prática conseguimos mudar algumas crenças que temos sobre erros e acertos.

Pense: Qual é o significado que a palavra ERRO tinha para você? E agora?

Abaixo listei algumas sugestões que podem ajudar você a lidar com situações críticas:

• Perceba de onde vem o medo. É uma questão de insegurança? Observar isso pode ajudar você a analisar o que falta / deve ser trabalhado para seguir em frente.
• Como estão seus pensamentos sobre a situação? Muitas vezes surgem os medos criados por imaginarmos tudo o que pode dar errado ao invés do contrário.
• Pergunte-se: Caso tudo dê errado, o que pode acontecer?
• O que você ganha enfrentando/trabalhando esse medo? O que você perde se não enfrentar?
• Trabalhe seu modelo mental a respeito de erros e acertos. Mude a forma como você enxerga seus erros.
• Se errar, seja gentil com você e entenda que faz parte do processo.

Novamente aqui entra a resiliência, que é a nossa capacidade de lidar com os nossos problemas, de superar obstáculos mesmo diante de situações adversas e aprender com isso. Falo sobre o tema aqui.

Cada tentativa falha, cada erro, cada luta nos mostra algo sobre nós mesmos e aprendemos com isso. Nossos erros, principalmente, são convites para reflexão. E mesmo as piores falhas são evidências de que tentamos, são provas da nossa bravura por nos deixarmos ser vulneráveis.

Lembre-se de um momento que você superou os seus medos. O que você aprendeu com ele?

Quero saber a resposta!
analucia@trevo360.com.br | @trevo360

*O Jornal 140 não se responsabiliza pela opinião dos autores deste coletivo.
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