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Saúde

A receita de bolo perfeita para quem busca ter uma vida mais feliz

A verdade é que o tão famigerado ‘segredo da felicidade’ não é mais um segredo. E nós já sabemos o que precisa ser feito para ser feliz.

Raissa Fernanda

Publicado

em

Mulher feliz se olhando ao espelho
Foto: Bruce Mars / Pexels

A verdade é que o tão famigerado ‘segredo da felicidade’ não é mais um segredo. E nós já sabemos o que precisa ser feito para ser feliz.

Como profissionais, somos ensinados desde muito cedo que para ser “Bem-sucedido” é necessário crescer na carreira profissional, fora assim por muito tempo. A geração milenialls, por exemplo, tem deveras obsessão por isso. E a verdade é que temos cada vez mais jovens ocupando cargos de liderança.  Mas o resultado dessa busca pelo sucesso, tem sido causado cada vez mais doenças psicossociais nas pessoas ainda jovens. Ou a mulher, que trabalha, estuda, cuida dos filhos, da casa, do marido, de sim mesma… ufa… E esses são 0,3% dos muitos exemplos possíveis.

Os ingredientes

A gente sempre soube que na verdade deveríamos viver para trabalhar, mas em algum momento o jogo virou e hoje trabalhamos para viver. A consequência disso é que cada vez mais pessoas privam-se do sono para trabalhar, cada vez mais finais de semana são utilizados para trabalho e a semana então, nem se comenta. E o resultado: menos tempo com a família, menos tempo com os amigos, menos vida social, espiritual e muita sobrecarga.

Então aqui vão os primeiros ingredientes para você começar a entender como ter uma vida mais feliz:

  • Equilíbrio:
    Esse é o primeiro ingrediente necessário para entender que você precisa equilibrar sua vida para ser feliz – isso não significa fazer tudo ao mesmo tempo – mas entender que é necessário que cada coisa na sua vida tenha a importância necessária e o tempo dedicado para isso. Somos seres humanos racionais e emocionais e ter laços afetivos é essencial. Afinal “Ninguém é uma ilha”; [Uma colher cheia]
  • Autoconhecimento;

Esse ingrediente aqui é um tabu. Afinal, até hoje falar sobre autoconhecimento é pouco explorado. Mas a importância disso é imensurável. Pois é com muito autoconhecimento que você entende quando ‘está demais’, quando é hora de respirar ou quando você está deixando de viver; [Duas colheradas cheias]

  • Resiliência;

As coisas nem sempre – quase nunca – são do jeito que esperamos que elas sejam e ter essa informação muito clara na sua cabeça vai te permitir ser mais paciente nos momentos em que tudo parecer perdido e quiser desistir. O tempo é mestre; [Uma colher de resiliência e duas de essência de paciência]

  • Silêncio;

Em momentos de redes sociais, manter a atenção em algo só é um desafio. Mas se faz cada vez mais necessário se desligar. Ouvir mais que falar. O silencia pode parecer incomodo no começo, mas com o tempo ele passa a te mostrar muita coisa que na correria do dia a gente se esquece. No silêncio você se escuta e aprende a escutar o outro; [Uma xícara]

  • Empatia;

O ato de se colocar no lugar do outro. Sabe aquela chefe que você chama de megera, ou o marido/esposa que você quer ver longe certo momento? Ou o colega de trabalho que parece só querer te ferrar? Assim como você, essas pessoas possuem desafios, que podem ser dos mais diversos e é necessária muita maturidade de empatia para respeitar o momento do outro e entender que isso não te dá o direito de julgá-lo. Mas estender a mão para ajudar se necessário. [Uma colher de essência]

  • Gratidão:

Tente se lembrar todos os dias dos motivos que a vida te deu para sorrir, mesmo quando parecia que não tinha solução para o seu problema. Ou os pequenos momentos, lembranças ou pessoas que fazem seu coração pulsar mais calmo, pleno, feliz. Faça uma pausa no seu dia-a-dia para refletir os motivos pelos quais você é grato e agradeço. A gratidão aquece o coração; [Use a gosto]

Modo de preparo:

Agora que você já sabe os ingredientes necessários, coloque todos no coração e na mente e reflita até criar uma visão bastante simples de momentos em que você deveria ter usado qualquer um desses, no seu dia-a-dia. Ou melhor, enxergar momentos em que você pode onde você poderá utilizá-los daqui para frente.

Lembre-se de que não é mais segredo, todos sabemos o que devemos fazer. Mas é necessária muita prática. Afinal, conhecimento sem prática é só informação.

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*O Jornal 140 não se responsabiliza pela opinião dos autores deste coletivo.

Comunicadora e produtora de conteúdo, decidi compartilhar meu conhecimento com o mundo e tecer devagarzinho de letras e cores um mundo melhor, começando por mim. E passando para(quem sabe) você.

Saúde

Produtos e produtores das violências

Violência é um conceito polissêmico, vigente na transgressão e constituição das leis, posto em prática tanto pela execução quanto abstenção de atividades.

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Foto: Randy Colas / Unsplash

Há uma combinação da baixa disponibilidade de recursos sublimatórios de pulsões destrutivas com as ações inescrupulosas dos poderosos para manterem suas posições. A situação é agravada com fatores sociais de risco como desigualdade, baixa mobilidade, gentrificação, equivocada condução da política de drogas e baixo acesso à saúde e educação. O resultado é uma tragédia anunciada: a persistência da violência, forma na qual as opressões, dominações e exclusões se realizam.

“Violência” é um conceito polissêmico, vigente na transgressão e constituição das leis, posto em prática tanto pela execução quanto abstenção de atividades.

Marilena Chauí apresenta a concepção de que são violentas todas as formas de ação, pensamento e sentimento que desconsideram o próximo como pessoa e o objetificam para manipulação. Por mais, aponta suas bases estruturais de hierarquia, verticalização e naturalização da relação mando-obediência. Também expõe dispositivos que as solapam: exemplos deles são os discursos do direito, com a tradição de localizar a violência em crimes contra a propriedade e vida e exigir provas, às vezes invisíveis, de todas as denúncias; do sociológico, quando considera-as um momento de anomia social, e dos meios de comunicação que descrevem-na como “onda” ou “crise”, separam “o outro violento” e o “eu não-violento” e distinguem “essencial” de “acidental”, produzindo a ideia de que a violência é alheia a si mesmo e superficial.

As repercurssões objetivas disso ocorrem nos âmbitos macropolíticos, como os econômicos e jurídicos. Enfim, são parte de um projeto político, ciclicamente, ocasionando mais violência ainda.

Quanto aos impactos subjetivos, agravados pela falta de perspectivas de mudanças nas contingências conjunturais – quando há, inclusive elogios às mais cruéis, como tortura e afins – é necessário destacar o que deveria ser obviedade: a violência alastra as mais perigosas e dolorosas consequências mentais e comportamentais.

Freud explica: após o cessar-fogo europeu em 1918, o pai da psicanálise publicou, em “Além do Princípio de Prazer” suas considerações sobre as neuroses traumáticas, quadros de sofrimento psíquico respondentes à barbárie até então vigente.  Na obra, alegou que “a terrível guerra que há pouco findou deu origem a um grande número de doenças deste tipo”.

As questões em pauta não são datadas. A literatura psicanalítica descreve e atualiza os conceitos de violência traumática. O trauma pode ser evidenciado de forma positiva (inclusive na forma de sonhos) resultando em produção de angústia. Há, contudo, um grupo de fenômenos relacionados a sua transmissão mais difíceis de detectar, que se passam nas entrelinhas, sobre os quais não se fala. Esses são ocasionados pela desautorização, culpabilização e falta de compreensão do luto, que se estagna.

O traumático que se passa no silêncio corrói as compreensões e enfim retorna. Uma ilustração é o clichê “o filho que apanha será o pai que bate”: nela, o passado se apresenta como um futuro acabado. Eis, portanto, a importância do reconhecimento, da partilha do sensível, que permitem a capacidade de olhar para o futuro sem imaginar que ele seja uma mera repetição da dor.

Assim, evidencia-se a necessidade de expandir a compreensão sobre a violência e refutar os  desonestos discursos restritivos que tentam circunscrevê-la à criminalidade e ao espaço público. Também é essencial autorizar os sofrimentos resultantes, tão dolorosamente convocados a um enterro sem luto. Por fim, resta atentar-se aos poderosos cujos interesses a mobilizam. E ter como prioridade vigiá-los (ou derrubá-los) antes que outros atos violentos sejam autorizados ou executados por eles e seus representantes.

*O Jornal 140 não se responsabiliza pela opinião dos autores deste coletivo.
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Saúde

O que são as massas?

Massa não é um termo exclusivamente relacionado à política, mas sim a experiências de grupo.

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Foto: Nicholas Green / Unsplash

A coloquialidade “massa de manobra” é frequentemente utilizada como ad hominem em discussões políticas – o que já seria uma aberração argumentativa mesmo sem finalidade de silenciar o interlocutor. Enquanto a informação ainda tem valor, a Psicologia propõe uma explicação sobre o tal fenômeno de massificação, levando ao seu reconhecimento e a possibilidades de organização alternativas.

“Massa” não é um termo exclusivamente relacionado à política, mas sim às experiências de grupo. Elas são diversas, indissociáveis do cotidiano; e não representações de fraquezas ou inautenticidades, conforme o senso comum sugere.

A coletividade pode ser confortável – Freud a compara, a níveis psíquicos, com a proteção paterna frente às turbulências da busca por autonomia. Em meio, pois, ao mal-estar na civilização e às questões identitárias, a mais simples prática de colaboração mostra-se muito atraente. Nesse contexto, exercícios como competições regradas entre grupos são lúdicas perto da sangrenta briga por sobrevivência individual. Torcer por um deles é estimulante como ter pão e circo. O amparo de encontrar seus desejos e sofrimentos compartilhados com os demais (portanto autorizados) é um alívio prazeroso.

O alarmante é a aglomeração que ultrapassa os limites desse princípio. Ademais, são terríveis os que incentivam esse movimento, assim como os interesses que mobilizam seus desejos. Em uma equação complexa com outras variáveis que não são acessíveis à consciência, a experiência de grupo pode se transformar no que há de mais periculoso na humanidade: a formação de uma totalidade homogênea, fortemente conectada por um caráter de ideologia (ou ficção coletiva). Isso é a massa. A história do século passado é uma explícita ilustração recente das consequências de sua manipulação por um líder inescrupuloso.

O processo de formação da massa envolve mais que a união de sujeitos em coletividades, mas as dissoluções de suas identidades individuais e suas identificações com figuras horizontais e verticais. Assim, em sua formação, coloca-se um líder – que pode ser uma persona, uma ideia ou um time – em posição vertical. Consequentemente, seus seguidores se reconhecem como tais, criando um vínculo identificativo horizontal. Juntos, eles agem como uma unidade viva, dócil e alienadamente a seguir a autoridade, em um processo freudianamente descrito como tomada adoção de uma figura parental que ocupa seus supereus e ideais de ego. Esse resultado de estrutura simbólica de pertencimento conduz à negação das diferenças e criação de inimigos comuns. Um deles é o “bode expiatório”, no qual o grupo projeta seus próprios aspectos sombrios e nele procura desmantelá-los.

Além do mais, com a introjeção da lei e identificação com a potência do pai primevo, o fenômeno ocasiona outros efeitos regressivos. Cita-se, assim, a desindividualização:  diluído na multidão, o indivíduo perde os anteriores parâmetros que estabeleciam a forma com que compreendia a si e a realidade externa. É feita sua substituição pela isenção de responsabilidade pessoal e delegação de formação de opiniões para o grupo e seus representantes. É nesse estado que acontecem outras reduções, como a das capacidades pensar e discriminar. Crescem, todavia, as covardias morais, ocasionando passagens para atos (como liberação de impulsos sexuais, agressivos e incivilizados) que não seriam realizados em casos de separação individual.

É evidente que as massas envolvem fatores de carências inconscientes e vazões a desejos particulares. Algumas contingências, entretanto, podem evitar suas manipulações como estratégia política. Uma vez que o autoritarismo e o controle social as incentiva, o clima desfavorável à vulnerabilidade é instigado via características opostas a estes, como descentralização no uso das informações, liberdade a seu acesso, independência para formação de opiniões individuais e diferenciação entre essas e decisões coletivas.

Por fim, há Freud em sua conclusão de Psicologia das Massas:

“A massa é extraordinariamente influenciável e crédula, é acrítica, o improvável não existe para ela. Pensa em imagens que evocam umas às outras associativamente, como no indivíduo em estado de livre devaneio, e que não têm sua coincidência com a realidade medida por uma instância razoável. Os sentimentos da massa são sempre muito simples e muito exaltados. Ela não conhece dúvida nem incerteza. Ela vai prontamente a extremos; a suspeita exteriorizada se transforma de imediato em certeza indiscutível, um germe de antipatia se torna um ódio selvagem.
Quem quiser influir sobre ela, não necessita medir logicamente os argumentos; deve pintar com imagens mais fortes, exagerar e sempre repetir a mesma fala.”

[Qualquer semelhança com os que divulgam a inverossímil ameaça “comunista”, divulgam notícias falsas (fake news) e repetem “Brasil acima de tudo, Deus acima de todos” não é mera coincidência.]

*O Jornal 140 não se responsabiliza pela opinião dos autores deste coletivo.
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