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Por que Animes?

Como e por que os desenhos japoneses estão se tornando um fenômeno mundial.

Jorge Massarollo

Publicado

em

Foto: Matt Popovich / Unsplash

Anime é um termo que se refere a animações de origem japonesa, entretanto com recente panorama da cultura midiática, que perpassou por grandes mudança nas últimas décadas, será mesmo que essa categoria de desenho pode ser estar “presa” somente dentro do contexto Nihon?

Atualmente plataformas de Streaming como a Netflix, Prime Vídeo, Crunchyroll são responsáveis por transmitir a um clique de distância grande parte dos conteúdos de entretenimento visual do extremo oriente. Essa realidade vem conquistando cada vez mais espaço dentro do mercado de produções audiovisuais.

A tendência segue uma demanda que surgiu já nos anos 70, com a ascensão do cinema asiático, em especial o de Hong Kong com suas alucinantes produções de filmes de ação e Kung Fu, à la Bruce Lee. Em seguida na década de 90 e 2000 o despontar de séries e músicas japonesas, que possuem uma legião de fãs no Brasil E atualmente podemos citar a febre da juventude, o estilo coreano musical conhecido como K-pop, a exemplo da contemporânea banda BTS.

Em 2016 a Netflix em parceria com Production I.G, anunciou a produção de seu primeiro anime totalmente original, Perfect Bones (Posteriormente chamado de B: The Beginning), que teve transmissão simultânea para 190 países com todos os episódios da primeira temporada lançados de uma só vez, algo inédito nesse universo.

Esse evento marcou uma transição dos conteúdos japonês de animação no cenário mundial das plataformas de streaming. Um certo alívio aos profissionais desse mercado, que há anos vem sofrendo com crises financeiras e carência de investimentos no Japão. Hoje a Netflix conta em seu catálogo com 102 animes sendo 40 deles produções originais. A concorrente Prime Vídeo tem em seu portfólio 46 animes e uma produção original lançada esse ano. E a famosa plataforma Crunchyroll especializada somente nesse mercado possui mais de 1000 títulos, alguns com transmissão Simulcast.

Para além de números em catálogos e concorrência entre empresas, tratamos de um fenômeno emergente em escala mundial. Henry Jenkis em seu livro Cultura da convergência, disserta sobre os múltiplos suportes midiáticos e a complexa realidade que surge pela interação de informações, dos diversos públicos. Onde as mídias alternativas, corporativas e antigas se convergem de maneira imprevisível.

“ No mundo da convergência das mídias, toda história importante é contada, toda marca é vendida e todo consumidor é cortejado por múltiplos suportes de mídia “ Jenkis,2009.

O mercado de entretenimento não está imune a esse episódio cultural ao qual Jenkis se refere, pelo contrário, é um dos principais atingidos. Em 1980 quando falamos de Animes, esse era um campo tão obscuro e alternativo para o ocidente, que poucos sabiam ou compreendiam realmente os traços culturais japoneses envolvidos por trás dessas histórias.
A informação demorava dias, meses, anos para ser transmitida aos quatro cantos do mundo. Hoje falamos de transmissão simultânea, filmes cinematográficos e produções originais com parcerias estrangeiras nesse universo de produções.

Os fatores que explicam o sucesso desse quadro crescente são diversos. Os animes se estendem a vários públicos, desde o infanto-juvenil ao adulto. Os personagens das histórias assumem papel inspirador, arquetípico e simbólico para nação a japonesa, expressivo o suficiente para que, seus ídolos animados sejam eleitos representantes de grandes eventos como, por exemplo, as Olímpiadas de 2020 que será sediada na terra do sol nascente.

As temáticas abordadas têm profundidade e contextos éticos e morais que permeiam a sociedade. Amizade, superação, violência, romance, conflitos políticos, históricos, sociais. Assuntos que levam o expectador a uma identificação com o produto. A economia afetiva é um fator que perdura e tem forte influência sobre o consumidor. Alguns estudos já apontam para importância desses conteúdos e sua influência na identidade do público jovem, utilizando a mídia audiovisual como um meio para compreender o mundo de representações e significados atribuídos.

O produto final pelo qual o acesso a esses conteúdos e sua convergência cultural, vai nos propiciar nos próximos anos é extenso e imprevisível, podemos somente ter um leve vislumbre de uma policultura, onde mais e mais produções com características distintas serão produzidas para agradar o mais diversificado consumidor, o famoso Many to Many.

Essa realidade é capaz de tornar, em um futuro próximo, os Animes uma categoria não restrita ao Japão. Presenciamos com as recentes produções originais, a aproximação cultural com o Oriente e o desenvolver de um gênero, um modo de fazer animações específico, que tem inflûencia no padrão de animações japonesas aplicado no contexto de outras culturas. O recente documentário propagandista da Netflix, Enter The Anime, demonstra a realidade das parcerias entre os estúdios de animação e produtores de outras nacionalidades, que carregam junto de si, a bagagem cultural de sua nação, sua história pessoal, vivências e impressões de mundo.

O que não falta é público e investimento, o Brasil já demonstrou ser um país “pote de ouro” para as empresas que oferecem o serviço de streaming. Possuímos um povo heterogêneo e consumidor, sendo um dos países que mais consomem produtos da cultura nipônica. Quem sabe não podemos ver futuramente produções Brasileiras de animes nas telinhas do celular?

Referências

Santoni R. Animes e mangás a identidade dos adolescentes. Universidade de Brasília.2018

Oliveira L C.Influência dos animes na escolha do japão como destino turístico. Universidade federal Fluminense.2018

Araújo M; Urbano K. Os novos modelos de distribuição e consumo de conteúdo audiovisual asiático nas redes digitais: o caso dos dramas de TV na Netflix.br. Universidade de São Paulo.2017

H. Jenkis.Cultura da convergência. Editora Aleph.ed.1;2009

Sites

https://br.ign.com/netflix/17386/news/netflix-anuncia-seu-primeiro-anime-totalmente-original

https://www.tecmundo.com.br/netflix/88888-netflix-comecar-produzir-proprios-animes-filmes-bollywood.htm

https://www.omelete.com.br/series-tv/goku-e-nomeado-embaixador-dos-jogos-olimpicos-de-2020-no-japao

*O Jornal 140 não se responsabiliza pela opinião dos autores deste coletivo.

Idealizador e Editor chefe do blog Psique Anime. Caminhou pelas diversas áreas do conhecimento: esporte, saúde, educação, psicologia e veio para aqui, em entretenimento. Jovem aficionado pelo universo dos Animes e cultura oriental, trago comigo toda bagagem de estudos e vivências. Minha vida é algo que não consigo descrever melhor do que um Mosaico de inspirações.

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Dia da criatividade: 5 livros para te ajudar nesse processo

Sabia que dia 17 de novembro é comemorado o dia da criatividade? Se você está precisando de uma forcinha com a criatividade, confira a lista com 5 livros.

Êrica Blanc

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Foto: Êrica Blanc

Atualmente, tem dia para tudo, né? Dia das mães, dia dos pais, dos namorados, da gratidão, da coragem e até da criatividade. Isso mesmo, dia 17 de novembro é Dia da criatividade, essa coisinha que a gente corre tanto atrás. Sempre ficamos naquela de: criatividade é algo que nasce com a gente ou que a gente desenvolve? E como faz quando tiver bloqueio criativo? Como posso estar sempre com a criatividade em alta? Essa última pergunta, a resposta é bem simples, inclusive: só com milagre mesmo.

(mais…)

*O Jornal 140 não se responsabiliza pela opinião dos autores deste coletivo.
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O homem que assistia séries demais

Desafiado a escrever sobre Euphoria, da HBO, nosso coletivista Paulo Gustavo acaba ficando positivamente surpreendido ao assistir uma série turca O Último Guardião que fala sobre o universo dos super-heróis.

Paulo Gustavo Pereira

Publicado

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Foto: Alex Suprun / Unsplash

É interessante quando sou questionado sobre a quantidade de séries que assisto. A pergunta é invariavelmente, comparando com o tempo livre de quem pergunta, sempre questionando que não há tempo suficiente para ver tudo o que interessa. E é exatamente isso que é o ponto crucial no trabalho que faço ao analisar o conteúdo de séries para os textos e programas que faço. O que realmente é interessante de se assistir?

Como todo bom ser humano que cresceu vendo filmes e séries, há um momento em que ver uma série por obrigação de trabalho deixa de ser importante para ser crucial para o próximo episódio. Explico: tento ver o primeiro episódio para saber se a série tem algo diferente, uma história ou personagens que valham a pena continuar vendo. Dessa forma, já deixei de ver várias produções que viram “moda” e que, na minha análise, não trouxe nada de novo para meu HD.

Ao mesmo tempo, fico impactado quando descubro uma produção fora dos Estados Unidos, pátria-mãe das séries de TV. É uma surpresa ver que uma série turca O Ultimo Guardião que fala sobre o universo dos super-heróis; da mesma maneira que Kingdom, da Coréia, mostra uma luta da corte real do século 14 contra uma infestação de zumbis; ou mesmo a produção indiana Jogos Sagrados, onde a narração da história é feita por um personagem que morre no primeiro episódio.

É claro que não dá pra escapar das séries da moda, não por que não tenham qualidades, mas muitas vezes, é mais do mesmo. Quando muitos canais exibem séries sobre os bastidores do crime organizado ou não, descubro a beleza e a leveza de Coisa Mais Linda, da Netflix, com quatro personagens femininas que fogem felizmente do politicamente cansado empoderamento da mulher em qualquer lugar e qualquer tempo.

Quando a bola da vez chegou em Euphoria, da HBO, me chamou a atenção que a personagem principal era interpretada por Zendaya, que havia feito várias produções da Disney e recentemente se tornou o interesse amoroso de Peter Parker nos últimos dois filmes do Homem-Aranha, estrelado por Tom Holland. E mais: seria um papel totalmente diferente do que a atriz-cantora faria, algo que ela mesmo pedido para se desafiar como atriz. E não decepcionou.

Ao mesmo tempo, a Netflix lançou Sintonia, uma produção de fôlego, com roteiro muito bem escrito e com uma história que me atraiu, mesmo com vários clichês tradicionais sobre a luta de três jovens da periferia de São Paulo para subir na vida. Em Euphoria, a personagem de Zendaya tentava se descobrir no meio de uma continua adoração à drogas, desrespeito à família, e amizades complexas e confusas. Ou seja, as duas séries se comunicavam com o mesmo publico jovem, de maneiras diferentes.

Não vou entrar nessa análise mais formal sobre cada um dos pontos de cruzamentos entre Euphoria e Sintonia. O que importa nesse crossoover imaginário é que os personagens lutam para fazer a melhor escolha sobre seus futuros. E cada uma das tentativas, os leva a caminhos que podem afastá-los de seus reais destinos. Afinal, lutar para sobreviver a uma sociedade opressiva, sem a base adequada, deixa qualquer jornada heróica pendente de algo real. Não adianta lutar contra um vício se o viciado não quer enxergar suas próprias dores. Da mesma maneira, dizer que não existe saída para um jovem da periferia a não ser entrar para o crime,, a sublimar outros jovens que já lutaram e venceram essa guerra íntima.

Dito isso, não me surpreende que séries como The End of the F**ing World, Dark, The Rain e até mesmo Casa de Papel, serem as mais vistas pelos brasileiros na Netflix. Elas chamaram a atenção do publico não por que suas tramas são diferentes, mas por que elas estão ligadas a outras histórias mais identificáveis pelo telespectador. Casa de Papel fez sucesso no Brasil por sua mistura de Golpe de Mestre e Onze Homens e um Segredo. The Rain mostra jovens tentando superar os desafios de um futuro distópico como The 100. Ou mesmo as reviravoltas de um destino insólito da série alemã Dark, que fez muita gente mergulhar em universos paralelos e viagens no tempo, dois gêneros populares da ficção-científica, mesmo não entendendo metade da história.

O melhor de tudo é que a diversidade de produções que tem chegado ao Brasil na última década, especialmente com a chegada das plataformas streamings, tem ajudado o público a entender que não são apenas as séries de língua inglesa que fazem os próximos episódios divertidos. O que muito bom nessa história, independente do país de origem, é como se conta essa mesma história. O melhor exemplo disso é a série Criminal, que mostra o interrogatório de um suspeito, vista por policiais alemães, franceses, espanhóis e britânicos. Cada um no seu quadrado dramático e emocionante a cada episódio.16

*O Jornal 140 não se responsabiliza pela opinião dos autores deste coletivo.
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