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Irmandade: prepare-se para ficar de queixo caído

Irmandade é a nova série da Netflix que aborda o sistema prisional, de maneira ficcional, mas muito bem embasada na realidade. Prepare-se, é pesadíssima.

Êrica Blanc

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Impactada estou. Quando Irmandade apareceu na capa da Netflix, no fim de semana passado, a sinopse me ganhou de cara. Ultimamente, tenho visto muito mais produções nacionais e estou cada vez mais apaixonada pelos roteiros (como você pode ver por todas as outras recomendações nessa coluna). E, fico feliz em dizer de cara que Irmandade não me decepcionou nem um pouquinho. Pelo contrário, superou todas as expectativas e me fez tremer na base várias vezes.

A trama se passa em 1994 e gira em torno de uma família brasileira, onde os três filhos cresceram na periferia. Cristina é a filha do meio e a que vem mudando a história da família, já que é advogada formada e concursada no Ministério Público. Mas, seu irmão mais velho, Edson, é o chefe de uma facção que toca o terror na cidade, a Irmandade. Eles estão há mais de 20 anos sem se falar, quando Edson denuncia os maus tratos no presídio e Cristina é tocada pela situação. Ao tentar socorrer o irmão, acaba se metendo numa enrascada e vai parar como infiltrada da polícia dentro da facção do irmão.

Conflitos internos

Cristina, em Irmandade, é cheia de conflitos internos. Ao mesmo tempo que quer socorrer as pessoas que ama, o lado ético pega no pé e ela acaba se colocando em risco diversas vezes. Mas, a trama em si reforça que ninguém é bom ou mau 100%. Todos têm uma história e, na maioria das vezes, podem chegar a extremos que não gostariam por pessoas que amam. Essa realidade, por mais óbvia que seja, ainda é colocada a prova no nosso dia-a-dia. Abrimos a boca diariamente para julgar um ou outro, sem realmente ter conhecimento da situação.

Irmandade não conta conversa e joga na nossa cara a realidade prisional do nosso país que, claramente, só tende a piorar. Mostra a corrupção dentro da polícia e várias coisas que são de embrulhar o estômago e se questionar se nosso país tem solução. Confesso que só recomendo a série para quem tem o emocional forte e estômago de ferro mesmo. Porque é pesada em vários aspectos, principalmente nos dois últimos episódios.

Apanhado geral

Passei 6 episódios pensando “mas esse ator é a cara do seu Jorge”. Qual foi o tamanho da minha surpresa quando eu resolvi pesquisar no Google e descobri que o Seu Jorge é A-T-O-R. Se você já sabia disso, provavelmente está rindo da minha cara nessa altura do campeonato. Mas, confesso que eu não fazia a menor ideia. Só que ele é um super ator e Edson é um personagem que causa impacto, mesmo que ele acabe sendo meio secundário na trama. Também não conhecia a atriz principal, Naruna Costa, que também sustenta o peso da personagem com maestria.

Vá preparado: se você der play no primeiro episódio, vai ser difícil parar antes de acabar a temporada inteira. Ou seja, a série é extremamente envolvente e você já não sabe mais para quem deve torcer. Mas, digo isso porque alguns episódios realmente são pesadíssimos. E olha que eu amo a série Dexter, que tinha morte o tempo todo. É pesado em um nível que só a realidade brasileira consegue ser. Gostei muito e já estou ansiosa pela próxima temporada. E você, vai encarar?

*O Jornal 140 não se responsabiliza pela opinião dos autores deste coletivo.

Êrica Blanc é jornalista, criadora do @blogremenor, co-criadora da @amoor.co, apaixonada por contar histórias de amor reais, empreendedora de primeira viagem e louca das listas.

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Dia da criatividade: 5 livros para te ajudar nesse processo

Sabia que dia 17 de novembro é comemorado o dia da criatividade? Se você está precisando de uma forcinha com a criatividade, confira a lista com 5 livros.

Êrica Blanc

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Foto: Êrica Blanc

Atualmente, tem dia para tudo, né? Dia das mães, dia dos pais, dos namorados, da gratidão, da coragem e até da criatividade. Isso mesmo, dia 17 de novembro é Dia da criatividade, essa coisinha que a gente corre tanto atrás. Sempre ficamos naquela de: criatividade é algo que nasce com a gente ou que a gente desenvolve? E como faz quando tiver bloqueio criativo? Como posso estar sempre com a criatividade em alta? Essa última pergunta, a resposta é bem simples, inclusive: só com milagre mesmo.

(mais…)

*O Jornal 140 não se responsabiliza pela opinião dos autores deste coletivo.
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O homem que assistia séries demais

Desafiado a escrever sobre Euphoria, da HBO, nosso coletivista Paulo Gustavo acaba ficando positivamente surpreendido ao assistir uma série turca O Último Guardião que fala sobre o universo dos super-heróis.

Paulo Gustavo Pereira

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Foto: Alex Suprun / Unsplash

É interessante quando sou questionado sobre a quantidade de séries que assisto. A pergunta é invariavelmente, comparando com o tempo livre de quem pergunta, sempre questionando que não há tempo suficiente para ver tudo o que interessa. E é exatamente isso que é o ponto crucial no trabalho que faço ao analisar o conteúdo de séries para os textos e programas que faço. O que realmente é interessante de se assistir?

Como todo bom ser humano que cresceu vendo filmes e séries, há um momento em que ver uma série por obrigação de trabalho deixa de ser importante para ser crucial para o próximo episódio. Explico: tento ver o primeiro episódio para saber se a série tem algo diferente, uma história ou personagens que valham a pena continuar vendo. Dessa forma, já deixei de ver várias produções que viram “moda” e que, na minha análise, não trouxe nada de novo para meu HD.

Ao mesmo tempo, fico impactado quando descubro uma produção fora dos Estados Unidos, pátria-mãe das séries de TV. É uma surpresa ver que uma série turca O Ultimo Guardião que fala sobre o universo dos super-heróis; da mesma maneira que Kingdom, da Coréia, mostra uma luta da corte real do século 14 contra uma infestação de zumbis; ou mesmo a produção indiana Jogos Sagrados, onde a narração da história é feita por um personagem que morre no primeiro episódio.

É claro que não dá pra escapar das séries da moda, não por que não tenham qualidades, mas muitas vezes, é mais do mesmo. Quando muitos canais exibem séries sobre os bastidores do crime organizado ou não, descubro a beleza e a leveza de Coisa Mais Linda, da Netflix, com quatro personagens femininas que fogem felizmente do politicamente cansado empoderamento da mulher em qualquer lugar e qualquer tempo.

Quando a bola da vez chegou em Euphoria, da HBO, me chamou a atenção que a personagem principal era interpretada por Zendaya, que havia feito várias produções da Disney e recentemente se tornou o interesse amoroso de Peter Parker nos últimos dois filmes do Homem-Aranha, estrelado por Tom Holland. E mais: seria um papel totalmente diferente do que a atriz-cantora faria, algo que ela mesmo pedido para se desafiar como atriz. E não decepcionou.

Ao mesmo tempo, a Netflix lançou Sintonia, uma produção de fôlego, com roteiro muito bem escrito e com uma história que me atraiu, mesmo com vários clichês tradicionais sobre a luta de três jovens da periferia de São Paulo para subir na vida. Em Euphoria, a personagem de Zendaya tentava se descobrir no meio de uma continua adoração à drogas, desrespeito à família, e amizades complexas e confusas. Ou seja, as duas séries se comunicavam com o mesmo publico jovem, de maneiras diferentes.

Não vou entrar nessa análise mais formal sobre cada um dos pontos de cruzamentos entre Euphoria e Sintonia. O que importa nesse crossoover imaginário é que os personagens lutam para fazer a melhor escolha sobre seus futuros. E cada uma das tentativas, os leva a caminhos que podem afastá-los de seus reais destinos. Afinal, lutar para sobreviver a uma sociedade opressiva, sem a base adequada, deixa qualquer jornada heróica pendente de algo real. Não adianta lutar contra um vício se o viciado não quer enxergar suas próprias dores. Da mesma maneira, dizer que não existe saída para um jovem da periferia a não ser entrar para o crime,, a sublimar outros jovens que já lutaram e venceram essa guerra íntima.

Dito isso, não me surpreende que séries como The End of the F**ing World, Dark, The Rain e até mesmo Casa de Papel, serem as mais vistas pelos brasileiros na Netflix. Elas chamaram a atenção do publico não por que suas tramas são diferentes, mas por que elas estão ligadas a outras histórias mais identificáveis pelo telespectador. Casa de Papel fez sucesso no Brasil por sua mistura de Golpe de Mestre e Onze Homens e um Segredo. The Rain mostra jovens tentando superar os desafios de um futuro distópico como The 100. Ou mesmo as reviravoltas de um destino insólito da série alemã Dark, que fez muita gente mergulhar em universos paralelos e viagens no tempo, dois gêneros populares da ficção-científica, mesmo não entendendo metade da história.

O melhor de tudo é que a diversidade de produções que tem chegado ao Brasil na última década, especialmente com a chegada das plataformas streamings, tem ajudado o público a entender que não são apenas as séries de língua inglesa que fazem os próximos episódios divertidos. O que muito bom nessa história, independente do país de origem, é como se conta essa mesma história. O melhor exemplo disso é a série Criminal, que mostra o interrogatório de um suspeito, vista por policiais alemães, franceses, espanhóis e britânicos. Cada um no seu quadrado dramático e emocionante a cada episódio.16

*O Jornal 140 não se responsabiliza pela opinião dos autores deste coletivo.
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