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Festival Sons da Rua celebra o Hip-Hop e a diversidade na Arena Corinthians

Criolo, Karol Conka, Rincon Sapiência e Djonga movimentam grande público ao evento.

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Crédito: Rodrigo Coca

No último sábado (2), aconteceu, no estacionamento da Arena Corinthians, em São Paulo, o Festival Sons da Rua. Cultuando a cena Hip-Hop desde 2016, o evento já levou grandes nomes a seus palcos, como Mano Brown e Emicida. E, na edição deste ano, não foi diferente.

Com a abertura dos portões às 12h, os Djs Marcynho e Ney começaram a festa no palco principal, assim como as primeiras batalhas de rima em um palco secundário, que foi vencida pela MC Toddy. Já, às 14h, quem subiu ao palco foi Cynthia Luz, com suas músicas melódicas combinadas com uma grande voz.

Às 16h, agitando o público que não desanimou com o calor e o sol forte, Djonga levou as faixas de seu último álbum “Ladrão” e fechou com “Olho de Tigre”, de 2017, que tem seu verso mais emblemático e que virou símbolo de resistência: “Fogo nos racista”.

No final da tarde, Rincon Sapiência, com suas rimas afiadas, convidou todo mundo a dançar com a mistura típica de batidas de funk, samba, africanidades e, claro, rap, não deixando faltar “Ponta de Lança” e sempre exaltando a cultura negra.

A rapper curitibana Karol Conka chegou no começo da noite com suas letras de empoderamento feminino, sem se intimidar com qualquer limite imposto e sem papas na língua, órgão muito citado em “Lalá”, uma de sua músicas que mais animaram a audiência feminina presente, assim como “Tombei”.

Fechando o evento, Criolo, acompanhado do Dj Dandan, levou muita poesia, brasilidade e a interpretação acalorada típica de suas apresentações. Assim como os artistas anteriores, seus versos recheados de críticas à sociedade e, principalmente, à política, fez o público cantar a plenos pulmões e a bradar o refrão que se tornou comum em shows e festivais, referenciando o atual presidente da república.

Além dos músicos principais, o festival promoveu o concurso “Novos Talentos Sons da Rua”, que evidencia artistas da periferia. Os três mais votados no site se apresentaram no festival que, além de apresentar os trabalhos de Souto MC e Torya, deu como vencedora a rapper e drag queen maranhense, Enme Paixão.

O que se via no festival era a grande diversidade de seu público

A proposta do evento foi cumprida, oferecendo um lineup de qualidade a um preço acessível, uma ótima organização e segurança. O clima de confraternização, respeito e igualdade era tangível e a cultura das ruas, celebrada. Esperamos a edição de 2020 com grandes expectativas.

*O Jornal 140 não se responsabiliza pela opinião dos autores deste coletivo.

Helena Trevisan é roteirista, produtora de conteúdo, colaboradora do @blogremenor e (quase) pós-graduada em Jornalismo. Feminista, semeia a igualdade e respeito entre as pessoas através de seus textos.

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Dia da criatividade: 5 livros para te ajudar nesse processo

Sabia que dia 17 de novembro é comemorado o dia da criatividade? Se você está precisando de uma forcinha com a criatividade, confira a lista com 5 livros.

Êrica Blanc

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Foto: Êrica Blanc

Atualmente, tem dia para tudo, né? Dia das mães, dia dos pais, dos namorados, da gratidão, da coragem e até da criatividade. Isso mesmo, dia 17 de novembro é Dia da criatividade, essa coisinha que a gente corre tanto atrás. Sempre ficamos naquela de: criatividade é algo que nasce com a gente ou que a gente desenvolve? E como faz quando tiver bloqueio criativo? Como posso estar sempre com a criatividade em alta? Essa última pergunta, a resposta é bem simples, inclusive: só com milagre mesmo.

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*O Jornal 140 não se responsabiliza pela opinião dos autores deste coletivo.
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O homem que assistia séries demais

Desafiado a escrever sobre Euphoria, da HBO, nosso coletivista Paulo Gustavo acaba ficando positivamente surpreendido ao assistir uma série turca O Último Guardião que fala sobre o universo dos super-heróis.

Paulo Gustavo Pereira

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Foto: Alex Suprun / Unsplash

É interessante quando sou questionado sobre a quantidade de séries que assisto. A pergunta é invariavelmente, comparando com o tempo livre de quem pergunta, sempre questionando que não há tempo suficiente para ver tudo o que interessa. E é exatamente isso que é o ponto crucial no trabalho que faço ao analisar o conteúdo de séries para os textos e programas que faço. O que realmente é interessante de se assistir?

Como todo bom ser humano que cresceu vendo filmes e séries, há um momento em que ver uma série por obrigação de trabalho deixa de ser importante para ser crucial para o próximo episódio. Explico: tento ver o primeiro episódio para saber se a série tem algo diferente, uma história ou personagens que valham a pena continuar vendo. Dessa forma, já deixei de ver várias produções que viram “moda” e que, na minha análise, não trouxe nada de novo para meu HD.

Ao mesmo tempo, fico impactado quando descubro uma produção fora dos Estados Unidos, pátria-mãe das séries de TV. É uma surpresa ver que uma série turca O Ultimo Guardião que fala sobre o universo dos super-heróis; da mesma maneira que Kingdom, da Coréia, mostra uma luta da corte real do século 14 contra uma infestação de zumbis; ou mesmo a produção indiana Jogos Sagrados, onde a narração da história é feita por um personagem que morre no primeiro episódio.

É claro que não dá pra escapar das séries da moda, não por que não tenham qualidades, mas muitas vezes, é mais do mesmo. Quando muitos canais exibem séries sobre os bastidores do crime organizado ou não, descubro a beleza e a leveza de Coisa Mais Linda, da Netflix, com quatro personagens femininas que fogem felizmente do politicamente cansado empoderamento da mulher em qualquer lugar e qualquer tempo.

Quando a bola da vez chegou em Euphoria, da HBO, me chamou a atenção que a personagem principal era interpretada por Zendaya, que havia feito várias produções da Disney e recentemente se tornou o interesse amoroso de Peter Parker nos últimos dois filmes do Homem-Aranha, estrelado por Tom Holland. E mais: seria um papel totalmente diferente do que a atriz-cantora faria, algo que ela mesmo pedido para se desafiar como atriz. E não decepcionou.

Ao mesmo tempo, a Netflix lançou Sintonia, uma produção de fôlego, com roteiro muito bem escrito e com uma história que me atraiu, mesmo com vários clichês tradicionais sobre a luta de três jovens da periferia de São Paulo para subir na vida. Em Euphoria, a personagem de Zendaya tentava se descobrir no meio de uma continua adoração à drogas, desrespeito à família, e amizades complexas e confusas. Ou seja, as duas séries se comunicavam com o mesmo publico jovem, de maneiras diferentes.

Não vou entrar nessa análise mais formal sobre cada um dos pontos de cruzamentos entre Euphoria e Sintonia. O que importa nesse crossoover imaginário é que os personagens lutam para fazer a melhor escolha sobre seus futuros. E cada uma das tentativas, os leva a caminhos que podem afastá-los de seus reais destinos. Afinal, lutar para sobreviver a uma sociedade opressiva, sem a base adequada, deixa qualquer jornada heróica pendente de algo real. Não adianta lutar contra um vício se o viciado não quer enxergar suas próprias dores. Da mesma maneira, dizer que não existe saída para um jovem da periferia a não ser entrar para o crime,, a sublimar outros jovens que já lutaram e venceram essa guerra íntima.

Dito isso, não me surpreende que séries como The End of the F**ing World, Dark, The Rain e até mesmo Casa de Papel, serem as mais vistas pelos brasileiros na Netflix. Elas chamaram a atenção do publico não por que suas tramas são diferentes, mas por que elas estão ligadas a outras histórias mais identificáveis pelo telespectador. Casa de Papel fez sucesso no Brasil por sua mistura de Golpe de Mestre e Onze Homens e um Segredo. The Rain mostra jovens tentando superar os desafios de um futuro distópico como The 100. Ou mesmo as reviravoltas de um destino insólito da série alemã Dark, que fez muita gente mergulhar em universos paralelos e viagens no tempo, dois gêneros populares da ficção-científica, mesmo não entendendo metade da história.

O melhor de tudo é que a diversidade de produções que tem chegado ao Brasil na última década, especialmente com a chegada das plataformas streamings, tem ajudado o público a entender que não são apenas as séries de língua inglesa que fazem os próximos episódios divertidos. O que muito bom nessa história, independente do país de origem, é como se conta essa mesma história. O melhor exemplo disso é a série Criminal, que mostra o interrogatório de um suspeito, vista por policiais alemães, franceses, espanhóis e britânicos. Cada um no seu quadrado dramático e emocionante a cada episódio.16

*O Jornal 140 não se responsabiliza pela opinião dos autores deste coletivo.
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