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V de Vingança: anarquia atemporal

A famosa HQ de Alan Moore e David Lloyd continua inspirando reações de pessoas descontentes com o cenário político atual.

Jéssica Patrine

Publicado

em

Warner Bros

Hoje é 5 de novembro. Para os fãs de histórias em quadrinhos, o dia é dedicado a lembrar e citar a obra icônica de Alan Moore e David Lloyd, “V de Vingança”. A máscara do personagem V se tornou popular em vários protestos pelo mundo nesta década, inclusive nos protestos de 2013 aqui no Brasil. Virou marca registro do grupo Anonymous, que é uma comunidade online anônima de hacktivismo.

V é complexo e ambíguo. Não é possível saber quem ele é, mesmo que a HQ e o filme expliquem um pouco sobre a origem dele. Só é possível saber que ataca o fascismo, promove anarquia e que representa uma ideia que é à prova de balas. Ele quer literalmente queimar tudo, assim como Guy Fawkes, soldado britânico que tentou incendiar o Parlamento na Conspiração da Pólvora, no século XVII. Ou ser símbolo de uma revolta generalizada promovida pela população cansada de abusos autoritários.

Vivemos em tempos em que os extremos políticos estão cada vez mais preocupantes. Pessoas que não se interessavam por política e nem exerciam a cidadania estão cada vez mais participativas, mesmo que o “conhecimento” político seja derivado de desinformação promovida por correntes de fake news no WhatsApp. E a participação de alguns inclui cometer crimes de ódio, linchamentos offline e virtuais e acusar quem não detém o poder. Todo mundo está revoltado, mesmo não sabendo muito bem o que está acontecendo. Os poderosos cada vez mais expostos ao ridículo. E as pessoas comuns cada vez mais sendo ridículas nas redes sociais. O conceito de racionalidade e se ater aos fatos foi deixado para escanteio. A maioria está perdido assim como o Evey está em boa parte do enredo: sem saber o passado, nem como lidar com o presente e com uma pressão psicológica gigantesca.

Caso “V de Vingança” tivesse sido escrito baseado no cenário político atual, V teria que pegar pesado nos boatos ou escândalos reais difundidos redes sociais. Não armaria uma emboscada real para um padre pedófilo sem antes vazar fotos ou vídeos na internet, por exemplo. A imprensa estaria ainda mais desacreditada. O combate ao fascismo assumiria outra forma, nem tanto fisicamente, como na HQ. Talvez Evey não tomasse consciência dos fatos de forma clara. V não precisaria ser exímio em combate. Só a manipulação dos fatos já faria bastante estrago. Parece comum ou real? Pois é. A realidade é mais pesada do que qualquer distopia feita.

*O Jornal 140 não se responsabiliza pela opinião dos autores deste coletivo.

Jéssica Patrine é jornalista, nerd, leitora compulsiva e chocólatra. Não para de ouvir música, por isso escreve para o Ré Menor sobre o tema. Gosta de tudo um pouco, mesmo parecendo que não curta nada.

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Dia da criatividade: 5 livros para te ajudar nesse processo

Sabia que dia 17 de novembro é comemorado o dia da criatividade? Se você está precisando de uma forcinha com a criatividade, confira a lista com 5 livros.

Êrica Blanc

Publicado

em

Foto: Êrica Blanc

Atualmente, tem dia para tudo, né? Dia das mães, dia dos pais, dos namorados, da gratidão, da coragem e até da criatividade. Isso mesmo, dia 17 de novembro é Dia da criatividade, essa coisinha que a gente corre tanto atrás. Sempre ficamos naquela de: criatividade é algo que nasce com a gente ou que a gente desenvolve? E como faz quando tiver bloqueio criativo? Como posso estar sempre com a criatividade em alta? Essa última pergunta, a resposta é bem simples, inclusive: só com milagre mesmo.

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*O Jornal 140 não se responsabiliza pela opinião dos autores deste coletivo.
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O homem que assistia séries demais

Desafiado a escrever sobre Euphoria, da HBO, nosso coletivista Paulo Gustavo acaba ficando positivamente surpreendido ao assistir uma série turca O Último Guardião que fala sobre o universo dos super-heróis.

Paulo Gustavo Pereira

Publicado

em

Foto: Alex Suprun / Unsplash

É interessante quando sou questionado sobre a quantidade de séries que assisto. A pergunta é invariavelmente, comparando com o tempo livre de quem pergunta, sempre questionando que não há tempo suficiente para ver tudo o que interessa. E é exatamente isso que é o ponto crucial no trabalho que faço ao analisar o conteúdo de séries para os textos e programas que faço. O que realmente é interessante de se assistir?

Como todo bom ser humano que cresceu vendo filmes e séries, há um momento em que ver uma série por obrigação de trabalho deixa de ser importante para ser crucial para o próximo episódio. Explico: tento ver o primeiro episódio para saber se a série tem algo diferente, uma história ou personagens que valham a pena continuar vendo. Dessa forma, já deixei de ver várias produções que viram “moda” e que, na minha análise, não trouxe nada de novo para meu HD.

Ao mesmo tempo, fico impactado quando descubro uma produção fora dos Estados Unidos, pátria-mãe das séries de TV. É uma surpresa ver que uma série turca O Ultimo Guardião que fala sobre o universo dos super-heróis; da mesma maneira que Kingdom, da Coréia, mostra uma luta da corte real do século 14 contra uma infestação de zumbis; ou mesmo a produção indiana Jogos Sagrados, onde a narração da história é feita por um personagem que morre no primeiro episódio.

É claro que não dá pra escapar das séries da moda, não por que não tenham qualidades, mas muitas vezes, é mais do mesmo. Quando muitos canais exibem séries sobre os bastidores do crime organizado ou não, descubro a beleza e a leveza de Coisa Mais Linda, da Netflix, com quatro personagens femininas que fogem felizmente do politicamente cansado empoderamento da mulher em qualquer lugar e qualquer tempo.

Quando a bola da vez chegou em Euphoria, da HBO, me chamou a atenção que a personagem principal era interpretada por Zendaya, que havia feito várias produções da Disney e recentemente se tornou o interesse amoroso de Peter Parker nos últimos dois filmes do Homem-Aranha, estrelado por Tom Holland. E mais: seria um papel totalmente diferente do que a atriz-cantora faria, algo que ela mesmo pedido para se desafiar como atriz. E não decepcionou.

Ao mesmo tempo, a Netflix lançou Sintonia, uma produção de fôlego, com roteiro muito bem escrito e com uma história que me atraiu, mesmo com vários clichês tradicionais sobre a luta de três jovens da periferia de São Paulo para subir na vida. Em Euphoria, a personagem de Zendaya tentava se descobrir no meio de uma continua adoração à drogas, desrespeito à família, e amizades complexas e confusas. Ou seja, as duas séries se comunicavam com o mesmo publico jovem, de maneiras diferentes.

Não vou entrar nessa análise mais formal sobre cada um dos pontos de cruzamentos entre Euphoria e Sintonia. O que importa nesse crossoover imaginário é que os personagens lutam para fazer a melhor escolha sobre seus futuros. E cada uma das tentativas, os leva a caminhos que podem afastá-los de seus reais destinos. Afinal, lutar para sobreviver a uma sociedade opressiva, sem a base adequada, deixa qualquer jornada heróica pendente de algo real. Não adianta lutar contra um vício se o viciado não quer enxergar suas próprias dores. Da mesma maneira, dizer que não existe saída para um jovem da periferia a não ser entrar para o crime,, a sublimar outros jovens que já lutaram e venceram essa guerra íntima.

Dito isso, não me surpreende que séries como The End of the F**ing World, Dark, The Rain e até mesmo Casa de Papel, serem as mais vistas pelos brasileiros na Netflix. Elas chamaram a atenção do publico não por que suas tramas são diferentes, mas por que elas estão ligadas a outras histórias mais identificáveis pelo telespectador. Casa de Papel fez sucesso no Brasil por sua mistura de Golpe de Mestre e Onze Homens e um Segredo. The Rain mostra jovens tentando superar os desafios de um futuro distópico como The 100. Ou mesmo as reviravoltas de um destino insólito da série alemã Dark, que fez muita gente mergulhar em universos paralelos e viagens no tempo, dois gêneros populares da ficção-científica, mesmo não entendendo metade da história.

O melhor de tudo é que a diversidade de produções que tem chegado ao Brasil na última década, especialmente com a chegada das plataformas streamings, tem ajudado o público a entender que não são apenas as séries de língua inglesa que fazem os próximos episódios divertidos. O que muito bom nessa história, independente do país de origem, é como se conta essa mesma história. O melhor exemplo disso é a série Criminal, que mostra o interrogatório de um suspeito, vista por policiais alemães, franceses, espanhóis e britânicos. Cada um no seu quadrado dramático e emocionante a cada episódio.16

*O Jornal 140 não se responsabiliza pela opinião dos autores deste coletivo.
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