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Comportamento 4 MIN DE LEITURA

A trilha para a diversidade

Os ganhos e um caminho a ser seguido nas empresas e na sociedade

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Foto: Ali Yahya / Unsplash

Em novembro do ano passado o missionário norte-americano John Allen Chau perdeu a vida ao tentar entrar em uma ilha proibida do arquipélago de Andaman e Nicobar, território da União da Índia, para converter os Sentineleses – uma tribo indígena considerada a mais isolada e primitiva do mundo. O povo nativo é conhecido por sua hostilidade e por atirar flechas e lanças em todos os intrusos que tentam se aproximar. Já faz anos que não existe rota direta para o local e a área é protegida pela Guarda Costeira e pelo Departamento Florestal da Índia.

Rejeitar o que é diferente, estranho, não é apenas uma característica dos Sentineleses ou de tribos afastadas. Podemos perceber isso no nosso dia a dia, observando grupos ou mesmo dentro das organizações. Desde os primórdios o ser humano tem a tendência a se identificar com o outro que é parecido e criar afinidade de acordo com as características semelhantes, sejam elas físicas ou comportamentais. Já o contrário é visto como uma possível ameaça. Isso porque, segundo a neurociência, o nosso cérebro reconhece o diferente – que podem ser pessoas ou mesmo situações – como perigo e envia sinais de alerta como forma de proteção.

Esse mecanismo de autodefesa, que era essencial para a sobrevivência no período paleolítico, é importante até hoje para outros aspectos que não é o foco aqui, mas a diferença é que hoje somos praticamente obrigados a conviver em sociedade e nos relacionar com pessoas completamente diferentes em questão de raça, gênero, opção sexual, idade, comportamento, ideias, entre outras. E não é lindo isso? Fico encantada quando observo, converso e descubro o mundo de pessoas que são meu oposto.

Os ganhos da diversidade

Um dos temas mais comentados ultimamente é sobre a diversidade dentro das organizações. De fato, acredito não só que um grupo heterogêneo pode fazer com que as empresas sejam mais criativas, inovadoras e se desenvolvam exponencialmente, pois quando a diversidade é exercida na prática ela promove um ambiente acolhedor, engajado, colaborativo e estimulante, mas que as pessoas podem se desenvolver e evoluir ainda mais em contato com o que é “diferente”, quando são desafiadas, questionadas, contrariadas, instigadas e passam a ver por outras perspectivas. Costumo dizer que a somatória de mundos diferentes é muito rica e é por meio da diversidade que conseguimos entender quem nós somos, como pensamos e no que acreditamos.

De acordo com pesquisa divulgada pela Harvard Business Review, empresas heterogêneas têm 45% mais chances de apresentar um crescimento sobre o ano anterior e 70% a mais de probabilidade de ter ganho de mercado. Sem falar que essas características e benefícios nunca foram tão necessários como nesse mundo V.U.C.A..

Não podemos deixar de lado a questão da inclusão

Nesse contexto, também é indispensável falar sobre inclusão, que significa valorizar essas características que nos tornam únicos. Podemos contratar diversos perfis, mas se não tivermos um ambiente inclusivo onde essas diferenças possam se manifestar e que elas sejam acolhidas não há o verdadeiro ganho citado para ambos os lados. Outro ponto é olhar para todos os níveis hierárquicos e ver se temos a mesma representatividade.

No Brasil, um levantamento do Instituto Ethos com as 500 maiores corporações revela que em questão de gênero, quando olhamos para o topo das empresas brasileiras, 87% são homens e 13% são mulheres. Já pelo corte racial o número é de 4.7% de pessoas negras contra 95,3% de pessoas brancas ou de outras raças. Se cruzarmos esses dados olhando para mulheres negras o número é 0.4% em cargos diretivos.

As organizações precisam estar preparadas e a liderança também

Como podemos ver, a diversidade é mais do que um recurso necessário e benéfico, porém as organizações não podem deixar de lado a questão da inclusão e adotá-la por ser uma exigência, por estar em discussão ou ser vista com bons olhos, precisam estar preparadas para tal. Abaixo listei alguns pontos que valem ser refletidos:

  • Como é a cultura organizacional da sua empresa hoje? Quais são os valores atuais?
  • Como a sua empresa lida com a diversidade já existente?
  • Como o RH encara a diversidade na contratação? E a questão da inclusão?
  • A liderança está preparada para fazer a gestão de equipes heterogêneas?
  • Qual é a cultura organizacional e valores desejados para o futuro?

A prática precisa ser congruente com a fala. Antes de tudo, para adotar a diversidade, as empresas precisam conhecer seus ambientes, desenvolver novas políticas internas e a comunicação entre as equipes, líderes e gestores precisa estar bem alinhada. Fazer a gestão da cultura organizacional envolve uma série de cuidados e ações para sustentar as mudanças e, durante esse processo, o papel da liderança é fundamental, ela precisa estar consciente, preparada e treinada.

Discutir, levar informação e promover workshops, treinamentos, ações internas, para gerar relações de confiança, desenvolver a empatia etc, também traz ganhos em todos os aspectos, não só para trabalhar a questão em si, não só para as empresas, mas para a sociedade como um todo. Precisamos diminuir um pouco esse instinto de autodefesa como o dos Sentineleses e nos permitir aumentar a nossa conexão com as pessoas. Há um longo caminho a ser trilhado, pois envolve toda questão histórica e social, mas trazer o tema à tona já é um grande passo à frente.

*O Jornal 140 não se responsabiliza pela opinião dos autores deste coletivo.

Trainer, Coach e Mentora. Trabalha com desenvolvimento humano com foco em mudança de comportamento, alta performance, gestão de carreira e liderança. Com Certificação Internacional em Coaching pelo ICI (Integrated Coaching Institute), formação aprovada pelo ICF (International Coach Federation); Certificação Internacional em Coaching Pensamento & Ação pela SBPNL; e Certificação em Trainer Mastery pela Crescimentum. Formação em Relações Públicas (FCL) e Pós-graduação em Gestão de Comunicação e MKT (USP).

Comportamento 2 MIN DE LEITURA

Por que temos tanto medo de errar se dizem que errar é humano?

Como trabalhar esse sentimento que nos paralisa e impede de alcançarmos nossos objetivos

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Foto: Andre Hunter / Unsplash

O medo de errar é um sentimento que aprendemos a carregar desde a nossa infância. Tudo começa quando fazemos algo de errado – ou não da maneira 100% correta – quando crianças e muitas vezes recebemos olhares de desapontamento ou desaprovação. Depois vamos para a escola onde somos avaliados por meio de provas e atividades nas quais os erros são vistos como fracasso e não colocados como um princípio para aprendizagem. De forma bem grosseira, o lema no colégio geralmente era ‘demonstre ser inteligente e faça de tudo para não parecer burro’.

Quantas vezes deixamos de perguntar uma dúvida para os professores com medo de sermos julgados pelos colegas? Ou mesmo hoje na fase adulta, durante as reuniões, quantas vezes deixamos de expor opiniões por achar que podem não ser relevantes?

O medo é um paralisador de conquistas e gera uma ansiedade enorme. Tememos os erros e procuramos evitá-los ao máximo mesmo que custe a nossa felicidade. Percebem? Muitas vezes escolhemos ficar dentro da zona de conforto, mesmo que signifique abandonar nossos sonhos ou que a situação esteja ruim – pois, de certa forma, já estamos familiarizados e acostumados com a situação. Então deixamos de arriscar, de ver o que poderíamos ganhar, conquistar, viver, pela possibilidade de fracasso. Possibilidade, o que significa que é um medo criado e não real.

Enfrentando os nossos medos

Particularmente, eu não gostava de expor minhas ideias em público, por medo de ser julgada, de não ser “boa o bastante”, mesmo que me custasse ter visibilidade, oportunidades, e hoje vejo minhas publicações ou participações em palestras e treinamentos, por exemplo, como uma conquista enorme. Percebo que muitas vezes nem tudo sai como planejado, mas essa é a graça. Estou aprendendo a deixar-me ser vulnerável e assim percebi que só com a prática conseguimos mudar algumas crenças que temos sobre erros e acertos.

Pense: Qual é o significado que a palavra ERRO tinha para você? E agora?

Abaixo listei algumas sugestões que podem ajudar você a lidar com situações críticas:

• Perceba de onde vem o medo. É uma questão de insegurança? Observar isso pode ajudar você a analisar o que falta / deve ser trabalhado para seguir em frente.
• Como estão seus pensamentos sobre a situação? Muitas vezes surgem os medos criados por imaginarmos tudo o que pode dar errado ao invés do contrário.
• Pergunte-se: Caso tudo dê errado, o que pode acontecer?
• O que você ganha enfrentando/trabalhando esse medo? O que você perde se não enfrentar?
• Trabalhe seu modelo mental a respeito de erros e acertos. Mude a forma como você enxerga seus erros.
• Se errar, seja gentil com você e entenda que faz parte do processo.

Novamente aqui entra a resiliência, que é a nossa capacidade de lidar com os nossos problemas, de superar obstáculos mesmo diante de situações adversas e aprender com isso. Falo sobre o tema aqui.

Cada tentativa falha, cada erro, cada luta nos mostra algo sobre nós mesmos e aprendemos com isso. Nossos erros, principalmente, são convites para reflexão. E mesmo as piores falhas são evidências de que tentamos, são provas da nossa bravura por nos deixarmos ser vulneráveis.

Lembre-se de um momento que você superou os seus medos. O que você aprendeu com ele?

Quero saber a resposta!
analucia@trevo360.com.br | @trevo360

*O Jornal 140 não se responsabiliza pela opinião dos autores deste coletivo.
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Comportamento 2 MIN DE LEITURA

A polêmica dos corpos reais

Pensemos em tudo o que faríamos quando desprovidos de pressões estéticas.

Paula Akkari

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Foto: Lethu Zimu / Unsplash

No fim de dezembro, os feeds de notícias ficaram saturados pelos compartilhamentos de uma postagem de marca de cosméticos contendo uma mulher negra de biquíni com celulites à mostra.

Apesar de a imagem estar longe de ser original, é relativa novidade que a indústria da beleza se preocupe em divulgar imagens de corpos minimamente coerentes com a realidade. Eis a dinamicidade capitalista: o mercado é adaptável às demandas. Muitos nomes souberam se apropriar do desejo de desconstrução de ideais de aparência vigentes, posição em destaque desde a primavera feminista. Adicionalmente, muitas dessas empresas ganharam visibilidade devido aos elogios segmentos liberais dos movimentos.

Tais concepções, a serviço do capital ou não, refletem a incongruência do real com o (nem tão) antigo modelo estético, inevitavelmente fadado à falência. O que é feito para atrair um nicho consumidor é um dos sintomas da insustentabilidade dos padrões de ser.

Mas, haveria vitórias no microcosmo ou novidades transformadoras de épocas? A representatividade mostra-se insuficiente,  as ficções midiáticas alienantes compõem os processos de subjetivação de todos, sendo especialmente tóxicas para mulheres, pessoas negras, trans, gordas e/ou pobres. Quanto aos costumes relacionados à vaidade, são naturalizadas as mutilações, cirurgias e despesas demasiadas. O processo de gostar da própria imagem não é consequência delas, mas por diversas vias, um alvo cruelmente bombardeado.

Assim, cada episódio empoderador é passível de comemoração. Obviedades, infelizmente não redundantes, devem ser ressaltadas: corpos são de todos os tamanhos e cores; apresentam assimetria, odores, secreções, texturas, gorduras, estrias, celulites, espinhas, manchas, cicatrizes, pelos…

As constituições físicas, em suas autenticidades, são as materialidades no mundo, o intermédio de cada ser com o exterior. A elas devemos todas as experiências sensoriais, cada alimento saboreado, música ouvida, paisagem vista, orgasmo atingido.

Cuidar do corpo é um dos caminhos para a merecida paz com ele. Essa prática, diferente do modista “autocuidado” simpático ao status quo, consiste em promoção de saúde. Exemplos de ações caras são, conforme a viabilidade de cada rotina, dormir uma quantidade de horas diárias próximas a sete, manter a alimentação saudável (incluindo a ingestão do que gosta), entrar em contato com o sol com proteção e praticar atividades físicas – o hábito aumenta a disposição e a imunidade, diminui o estresse, melhora a postura e fortalece as articulações.

Os ambientes virtuais e físicos, ademais, são variáveis relevantes aos encaminhamentos. Nem toda toxidade é evitável, entretanto, vale deletar das redes sociais os perfis que obstaculizam desenvolvimentos e ignorar/rebater falas contraproducentes. Outra benevolência é a evitação ativa de comparações com terceiros – elas nem ao menos fazem sentido, afinal, são entre diferentes sujeitos.

Por fim, vale a reflexão a respeito do tempo e do esforço em encaixar-se em padrões já desmascarados, ou estar bem apesar deles. Como seria mais bela, criativa e simples a vida livre da ditadura em que estamos inseridos. Pensemos em tudo o que faríamos quando desprovidos de pressões estéticas. Pois façamos desde agora.

*O Jornal 140 não se responsabiliza pela opinião dos autores deste coletivo.
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