Siga-nos nas Redes Sociais

Cinema

Filmes deprimentes: o cinema bizarro e esquisito

Quem já não assistiu a um super filme ainda que deprimente ou pra lá de esquisito?

Ricardo Braga

Publicado

em

Foto: Joshua Leal / Unsplash

Quem já não assistiu a um super filme ainda que deprimente ou pra lá de esquisito?

Lembro de dois: “O Inquilino” e “A Comilança”, ambos pequenas obras-primas que causaram sensação quando foram lançados e que tiveram performance medíocre nas bilheterias.

“O Inquilino” (The Tenant ou Le Locataire) é um filme de 1976 de Roman Polanski, baseado no livro de Roland Topor, um ano antes de ter sido preso na mansão do ator Jack Nicholson por ter abusado sexualmente de uma adolescente de 13 anos. Polanski, que também é o ator principal, faz o papel de um polonês tímido, Trelkovsky, que resolve alugar um apartamento misterioso em um prédio soturno em Paris. O traveling inicial é sensacional, não devendo nada a Hitchcock de “Janela Indiscreta”: mostra a transformação psicológica do personagem, Trelkovsky, em um ser completamente transtornado mentalmente até a conclusão dramática e surpreendente.

Os atores, o roteiro, os diálogos, a edição, ambientação do filme, é tudo um primor; O Inquilino é um dos melhores filmes que já assisti e supera o Coringa na descrição meticulosa de como pessoas normais se transformam em monstros ou seres perturbados. Mas, rapaz, como é deprimente!

Outro que entra na lista eu assisti em uma das edições da Mostra Internacional do Cinema. É “A Comilança” (La Grand Bouffe), de 1973, dirigido pelo italiano Marco Ferreri, com grandes atores como Marcello Mastroiani, Michel Piccoli, Philipe Noiret e Ugo Tognazzi. Os quatro se reúnem em uma mansão para um banquete regado de conversas, pratos requintados e sobremesas espetaculares com uma única finalidade: comerem até a morte.

Com esta proposta, o filme começa como uma grande comédia, com diálogos sensacionais sobre os prazeres da vida, que passam pela mesa e taças de vinho e continuam com uma boa prosa com amigos e termina de maneira patética, com episódios escatológicos e trágicos. Sem dúvida, um dos filmes mais belos e deprimentes que já assisti e que também não fez sucesso comercial na época, até por abordar um tema tão inusitado.

Muito estranho mas nunca tive oportunidade de rever estes filmes na TV, nem em canais tão especiais como o Telecine Cult. Espero que depois desta lembrança os executivos de TV paga programem estas duas deprimentes e atuais pérolas.

*O Jornal 140 não se responsabiliza pela opinião dos autores deste coletivo.

Fundador da Art Presse, 140 Online e do Jornal 140, empresário de comunicação, jornalista de formação e digital de paixão. Teve participação fundamental no lançamento da internet banda larga no Brasil em 1999. É autor do livro "Domingo no Sancho" (2018), Amazon Kindle.

Continuar Lendo
Comentários

Cinema

Coringa e os gritos da rua

O filme nos conduz à gênese da maldade, ao ovo da serpente, de como as mentes perturbadas conquistam espaço entre a plebe ignara

Ricardo Braga

Publicado

em

Ilustração de Gabriela Yaroslavsky/140 Design.

Não se deve ter ilusões quanto a natureza do negócio: o cinema é uma atividade industrial desenvolvida por grandes estúdios com o objetivo de entreter o publico e apresentar resultados financeiros, como qualquer outra atividade econômica. Eventualmente, alguns produtos transcendem o principio do negócio e tornam-se mais do que isso – obras a serem discutidas, monumentos da psicologia e que refletem o incômodo das ruas. É o caso de Coringa (Joker).

O diretor Todd Philips, também responsável pelo roteiro ao lado de Scott Silver, faz bem na arte da manipulação do espectador ao contar a historia de um zé-ninguém (Joaquin Fenix) que tenta a sorte como comediante. Em Coringa, assistimos à revelação e transformação do sem-graça palhaço Arthur Fleck em uma crescente angustiante, ora torcendo por ele ora evoluindo ao lado dele com um sentimento de vingança ensandecido em um ato nada civilizatório. Mas como?

Como não se comover com a estória de um coitado que cresceu sendo espancado na rua e pelos namorados da mãe, esta também uma transtornada mental com problemas de narcisismo. O filme nos conduz à gênese da maldade, ao ovo da serpente, de como as mentes perturbadas conquistam espaço entre a plebe ignara. O roteiro da novela chega a ser irritante de tão repetido, desde Genghis Khan a Adolf Hitler, passando por Stalin e outros chefes populistas islâmicos (um acabou de ser reduzido a pó por uma bomba lançado de um drone), que também tiveram infâncias e passados dificílimos mas que se destacaram das multidões com uma combinação de discursos inflamados e carisma.

A receita é um eterno retorno – desde os tempos de Robin Hood, o ladrão “bom”, que bandeou para o mundo do crime por causa de injustiças contra ele. O diretor Anthony Wonke nos dá outra pista da genealogia de um terrorista, o cidadão britânico Mohammed Emwazi, o “Jihadi John”. Os autores do documentário, disponível no Now da NET, traz depoimentos e filmes dele desde os tempos de escola, sua transformação para o islamismo radical até se tornar um assassino impiedoso do grupo ISIS que se tornou mundialmente famoso por matar e decapitar seis estrangeiros sequestrados na Síria (Steven Sotloff, David Haines, Alan Henning, Peter Kassig, Haruna Yukawa e Kenji Goto), além de matar o jornalista James Foley.

Sem entrar na questão do espetáculo em si – o filme é ótimo e indigesto para estômagos e mentes fracas – me chamou a atenção a atuação minimalista do ator Joaquin Phoenix. É antológica a sua dança com as mãos, performance que me lembrou Kazuo Ohno, o mestre do teatro butô, que dizia que “é mais importante comunicar sem fazer nada do que comunicar com um grito”.

Mas os gritos estão nas ruas. Dia desses comentei sobre os protestos no Chile, que começaram por causa do aumento de míseros 3,75% da tarifa do metro. O mesmo ocorreu em S. Paulo em 2013 com a tentativa do prefeito Fernando Haddad de aumentar a tarifa de ônibus, que motivou uma serie de protestos violentos que se alastraram para todo o país.

Para quem, como eu que mora em S. Paulo, é impressionante como uma Gotham City noir lembra S. Paulo pela oferta de violência banal, pela quantidade de imbecis de todas as classes exibindo a sua verve demente ao empunhar seus carros como armas na mão, ultrapassando as faixas dos pedestres – e rindo nervosos. No dia seguinte em que assisti ao filme, fui enrolar o lixo em um caderno da Folha de S. Paulo (jornais impressos também são ótimos para esta finalidade) e levei um susto ao ver uma foto de um Coringa tipo black block em uma avenida no Chile ao lado de um incêndio – a vida é uma debochada cópia da arte, mas é o caso de refletirmos quem começou o que, e primeiro.

*O Jornal 140 não se responsabiliza pela opinião dos autores deste coletivo.
Continuar Lendo

Cinema

Dolittle, com Robert Downey Jr, ganha o 1º trailer

Robert Downey Jr. está eletrizante como um dos personagens mais duradouros da literatura em uma vívida reimaginação do conto clássico do homem que consegue falar com animais: #Dolittle.

Redação 140

Publicado

em

Foto: Reprodução / Universal Pictures

Robert Downey Jr. está eletrizante como um dos personagens mais duradouros da literatura em uma vívida reimaginação do conto clássico do homem que consegue falar com animais: #Dolittle.

Depois de perder a esposa, sete anos antes, o excêntrico Dr. John Dolittle (Downey), famoso médico e veterinário na Inglaterra da Rainha Victoria, se isola atrás dos muros altos da sua mansão Dolittle, com a companhia apenas de sua coleção de animais exóticos. Mas quando a jovem rainha (Jessie Buckley, Wild Rose) fica gravemente doente, Dolittle relutantemente é forçado a partir em uma aventura épica para uma ilha mítica em busca de uma cura, recuperando suas habilidades e sua coragem enquanto cruza velhos oponentes e descobre criaturas maravilhosas.

O médico é acompanhado por um jovem aprendiz auto-nomeado (Harry Collett de Dunkirk) e um grupo barulhento de amigos animais, incluindo um gorila ansioso, uma pata entusiasmada e doidinha, uma dupla briguenta de um avestruz cínico e um otimista de urso polar e um papagaio teimoso, que é o conselheiro mais confiável de Dolittle.

Dirigido pelo vencedor do Oscar® Stephen Gaghan (Syriana, Traffic), Dolittle é produzido por Joe Roth e Jeff Kirschenbaum sob a Roth / Kirschenbaum Films e Susan Downey pela Team Downey . O filme é produzido por Robert Downey Jr., Sarah Bradshaw (A Múmia, Malévola) e Zachary Roth (Malévola: Dona do Mal).

*O Jornal 140 não se responsabiliza pela opinião dos autores deste coletivo.
Continuar Lendo

Trending