Siga-nos nas Redes Sociais

Comportamento

Qual é seu valor?

Não estou perguntando quanto você vale no mercado. Minha pergunta é sobre o que está por trás de seus pensamentos, comportamentos e ações.

Isabel Franchon

Publicado

em

Foto: Fares Hamouche / Unsplash

Não estou perguntando quanto você vale no mercado. Minha pergunta é sobre o que está por trás de seus pensamentos, comportamentos e ações. Pode ser que você seja uma de milhões de pessoas que se sentiram mal pelos acontecimentos políticos dos últimos dias, quando a decisão do STF derrubou o entendimento sobre a prisão após condenação em segunda instância. Pode ser que tenha comemorado. Qual a diferença?

Valores. Os seres humanos são os únicos que têm a capacidade de definir sua identidade, escolher seus valores e estabelecer suas crenças. Juntos, identidade, valores e crenças traduzem as nossas preferências, ajudam-nos a estabelecer prioridades e determinam a maneira como agimos. Trocando em miúdos, estão por trás de todas as nossas atitudes: agimos a partir do que é importante para nós. Difícil mesmo é apoiar ou validar valores e crenças de outros, contrários aos nossos.

Pense em suas ações e nas escolhas que faz na vida. O que é realmente importante para você? O que motiva suas escolhas? E o que elas lhe proporcionam? Que sentimento ou sensação lhe trazem? Quando pensa em algum objetivo, o que pretende alcançar com sua realização?

Responder a estas perguntas pode levar você a tomar consciência dos seus valores, pois são eles que determinam suas atitudes e comportamentos. Em outras palavras, fazemos determinadas coisas porque acreditamos que elas vão satisfazer alguma necessidade mais profunda que temos e que em última instância, como diz S.S. o Dalai Lama, sempre leva ao desejo de ser feliz.

Na ânsia de satisfazer desejos pessoais e conquistar a felicidade – um anseio justo – muitas pessoas se valem de meios, artifícios e valores negativos ou destrutivos. Vale perguntar: será que os fins justificam os meios? Todos nós temos sentimentos, desejos e emoções negativos ou destrutivos. Somos humanos e isso é natural. Mas o que fazemos com eles é definido pela qualidade dos valores pessoais que cultivamos.

Você pode, por exemplo, sentir uma inveja danada de alguém. Se movido por tal sentimento fizer tudo para prejudicar esse alguém (boicotar, inventar, mentir) os valores que expressa são negativos: maldade, injustiça, deslealdade, desonestidade. Se, pelo contrário, mesmo sentindo inveja limitar-se ao sentimento procurando superá-lo, e não tomar nenhuma atitude que interfira negativamente na vida do outro, será movido por valores extremamente positivos como justiça, respeito, verdade, lealdade. Faz sentido?

Uma vez perguntaram a S.S. o Dalai Lama se ele sentia raiva. Depois de alguns minutos comendo calmamente uma maçã ele respondeu que o importante não é se você sente raiva, mas sim o que faz com sua raiva. É exatamente isso! Os valores são expressos nas suas ações.

Se valores são os critérios que justificam e motivam nossas ações baseados em coisas que valorizamos ou desvalorizamos, como entender – e conviver – com o que temos visto no nosso cotidiano? Pois é, nem todos possuímos os mesmos valores. Sequer valorizamos as mesmas coisas. E muito menos atribuímos a mesma importância aos valores que temos. E, claro, ficamos chocados quando o que vemos nos agride de uma maneira tão profunda!

Para você, por exemplo, dizer a verdade e ser honesto é mais importante do que ganhar dinheiro a qualquer custo. Para outra pessoa pode ser o inverso. Mas ambos são governados por valores. Embora acreditemos que a palavra Valor se aplique apenas no sentido positivo, que denominamos Bem, a polaridade oposta negativa – o Mal – também é valor.

Há anos estudiosos pesquisam os valores humanos e listaram 2.270 (Enciclopédia dos problemas mundiais e do potencial humano) classificando-os de acordo com suas polaridades: eles chegaram ao incrível número de 960 valores construtivos (como compaixão, bondade, justiça) e 1040 valores destrutivos (abuso, maldade, injustiça). Para onde caminha a humanidade? Algumas diretrizes, ou critérios, têm sido usados para definir valores:

  • Ser universal, aplicável a todos os seres humanos, independente de credo, nacionalidade, religião
  • Ser racional, não baseado em crenças e dogmas, mas sim passível de raciocínio
  • Ser verificável, ou seja, quando aceito e praticado, leva à felicidade
  • Ser abrangente, cobrindo as dimensões do ser humano e os níveis em que vive
  • Levar à harmonia individual, em sociedade e com a natureza

Acostumamo-nos a ver os valores da empresa pendurados em quadrinhos na parede. Mas quais são seus reais valores quando permite que pessoas com poder se comportem como psicopatas? Quando ignora que seus funcionários adoecem por causa de um ambiente nocivo? Ou quando só visa o lucro em detrimento de seus colaboradores?
E o que dizer da vida política nacional com mensalões, propinas, ataques à liberdade, mentiras, assassinatos, atos escusos, mau uso do bem público por aqueles que deviam defender-nos?

Pessoas se juntam porque possuem valores semelhantes, porque acreditam nas mesmas coisas e caminham na mesma direção. O que muda, na verdade, é a forma como exercem seus valores – os meios para a conquista dos objetivos que expressam seus valores podem ser absolutamente diferentes. Quer um exemplo? Algumas pessoas lutam pela justiça através das leis; outras, através de armas. E matar? Que valor está por trás de tirar a vida humana?

Quando aprendermos efetivamente a rejeitar todas as ações e atitudes que ferem nosso mais profundo senso de valor deixaremos de alimentar pessoas que corrompem a sociedade com seus valores destrutivos – não é preciso acabar com elas, apenas não aumentar sua força. Se o objetivo final de todo ser humano é a felicidade, que possamos alcançá-la sem roubar de nenhum outro ser humano a mesma possibilidade de ser feliz. Isso é ética. Caso contrário, o objetivo que buscamos pode ser ótimo, mas não valerá a pena se o caminho para alcançá-lo ameaçar, de qualquer forma que seja, o direito do outro ser feliz.

*O Jornal 140 não se responsabiliza pela opinião dos autores deste coletivo.

Coach e Consultora, trabalha com Desenvolvimento Pessoal/Profissional, treinamentos e mudança Cultural em empresas, abordando temas como Compliance & Ética, Liderança & Gestão, Alta Performance e Comunicação Interpessoal, entre outros.

Comportamento

Ensaio sobre a tolerância

Com o especial do Porta dos Fundos, surge uma ótima oportunidade para levantar questionamentos acerca da tolerância religiosa

Publicado

em

Foto: Netflix / Divulgação

Natal. Uma época para espalhar empatia e felicidade. Uma época para valorizar as coisas simples da vida. Uma época para, principalmente, espalhar o amor. Será? Esses princípios, em muitos níveis, são difundidos pelos cristãos ao longo do planeta. Contudo, será mesmo que algumas pessoas desse grupo está praticando o que eles pregam?

Aproveitando o lançamento do especial de natal do Porta dos Fundos, decidi levantar uma discussão sobre algumas incoerências religiosas.

Generalizando?

Antes de levantar alguns questionamentos, é importante deixar claro que “amar ao próximo” é uma das bases para a maioria das religiões. Temos inúmeros exemplos de cristãos que agem exatamente da forma que eles pregam. São caridosos, compreensivos e amáveis. Contudo, há uma parcela que age de forma irracional, preconceituosa e intolerante. O ponto é que todos esses comportamentos deveriam ser rechaçados pelos adeptos da fé. Por que isso não é feito? Esse é o ponto central a ser levantado nesse artigo.

Necessidade de Discutir “Tabus”

“Politica, futebol e religião não se discutem”. Eu já ouvi essa máxima infinitas vezes. Esse senso comum parte do pressuposto que esses temas são tabus e não devem ser discutidos, a fim de evitar desgastes e brigas. Bom, nos últimos anos, o que mais se tem discutido (não vou entrar no mérito da qualidade dessa discussão) é politica e, pelo que eu acompanho do mundo futebolístico, discussões acaloradas surgem diariamente sobre o tema. Já quando se trata de religião, vejo que as pessoas pisam em ovos – eu mesmo estou pisando em ovos no momento em que escrevo isso -, mas, por quê? Por que a religião ainda é um tabu? Acredito que seja porque a nossa sociedade moderna foi fundada baseada em crenças religiosas e, por esse motivo, discutir esse tema é delicado, pois, em teoria, estamos mexendo nas nossas bases. As pessoas tendem a serem mais passionais em relação a isso

Contudo, essas crenças e seus efeitos sociológicos precisam ser discutidos, a fim de aprimorar o nosso convívio em sociedade.

O Amor de Deus

“Deus é amor”. Já escutei essa frase inúmeras vezes. Contudo, ela sempre me incomodou. Não porque eu ache ruim o amor e os seus derivados, mas sim porque eu acho uma frase extremamente incoerente, visto o que realmente ocorre na nossa vida cotidiana em função de Deus. Diariamente, pessoas são agredidas em nome da fé. Os exemplos são inúmeros: Homossexuais são mortos no Iraque apenas por serem homossexuais, mulheres são impedidas de exercerem funções básicas, religiões de matriz africana sofrem diariamente, entre outros exemplos.

Visto todos esses exemplos, por que as pessoas que deveriam espalhar o amor de Deus gastam o seu tempo disseminando o ódio para com alguns grupos? Não seria isso uma incoerência?

Nas Redes Sociais

As redes sociais funcionam de forma democrática. Todos podem comentar o que achar melhor. Isso deu voz para aqueles que não tinham voz, contudo, isso liberou uma horda de preconceito e intolerância. Quer um exemplo?

Poste um questionamento sobre a forma com que alguns cristãos se portam perante quem pensa diferente dele. Garanto para você que a chuva de ameaças irá surgir. Abaixo alguns exemplos (transcritos quase que literalmente):

“Isso é podre nojento completamente revoltante! Isso é putaria das grossas! Depois querem respeito! É por causa desse tipo de atitude que muitos gays que respeitam e acreditam em Deus são mortos, por causa de uns nojentos desses outros que não tem culpa de nada pagam! Isso não diminue a homofobia, pelo contrário só aumenta!”;
– ”Aí uma praga dessa como vc, fica doente a beira da morte e oq acontece? Vão seguir igrejas evangélicas. Pq acham que lá estará a cura, q na verdade está na fé depositada em Cristo. Mas sua hora de arrependimento tbm vai chegar. Aguarde…”;
”Caio Bogos tu é simplesmente um idiota , arrogante que pensa que sabe das coisas, precisa realmente de tratamento de choque pq fica ” copiando ” artigos já estudados à tempos, se achando o expert…muita pena , alguém que precisa de muita ajuda mental , espiritual e simancal;
”Caio Bogos ignorante sobre Deus ę a vida totalmente, pessoas como.vc precisam de tratamento de choque , tratamento psiquiátrico pois não são normais …por isso passam sufoco na vida e só se ferram pois precisam aprender a ser gente …tão aqui nessa terra inutilmente , não tem serventia pra nadaaaa”.

Onde está o amor dessas pessoas? Portanto, concluo que se “Deus é amor”, ele esqueceu de falar isso para alguns de seus fieis.

Somente Deus pode julgar, mas alguns cristãos podem ajudar

Sabemos que grande parte dos preconceitos contra a comunidade LGBTQIA+ tem um fundo religioso. Sempre que a comunidade conquista algo, isso gera uma chuva de questionamentos sobre a própria existência daquela comunidade e, em sua maioria, a justificativa para esses questionamentos é de fundo religioso – vide Levítico 18:22 e os seus derivados.

Mas onde fica aquela famosa frase: “Somente Deus pode julgar”? Bom, minha veia Orwelliana, tende a adaptar essa frase para “Somente Deus pode julgar, mas alguns cristãos podem ajudar”. Observem que esse julgamento atinge uma parcela enorme dessa comunidade. Só a titulo de informação, o Brasil é o pais que mais mata transexuais no mundo e, não coincidentemente, é um pais com um fundo extremamente religioso.

Reinterpretações que nos fazem refletir

O que o Porta dos Fundos fez não é novo. Saramago já fez isso por duas ocasiões. A primeira delas foi em 1991 quando publicou “O Evangelho segundo Jesus cristo” e a segunda foi em 2009 com a publicação de “Caim”. Em “O Evangelho Segundo Jesus Cristo”, Saramago apresenta a sua visão sobre o novo testamento. Há passagens super interessantes nesse livro, como, por exemplo, o interesse amoroso de Jesus, a sua imaturidade e o papel do seu sacrifício.

Já em “Caim”, Saramago nos brinda com a sua visão sobre o velho testamento na visão do primeiro filho de Adão e Eva. Recomendo fortemente ler com atenção as conversas entre Caim e Deus. Esses livros causaram bastante polemica quando foram publicados. As pessoas ficaram indignadas por diversos motivos, mas, acredito que o principal deles tenha sido a “humanização” de Deus e Jesus. Afinal, sempre as pessoas os colocam como entidades etéreas. Pretendo falar sobre esses livros nos meus próximos artigos, contudo, o ponto que eu quero levantar é o desconforto que essas discussões causam e, se há desconforto, é porque tem que ser discutido.

Para refletir

A fé e a religião fazem parte da estrutura da nossa sociedade moderna. Isso é fato. Contudo, esse fato não deve ser um impeditivo para debater sobre esses temas. Cada pessoa tem o direito de ter a sua fé, contudo, esse direito não deve acabar com a liberdade das outras pessoas de se expressarem. Lembre-se do paradoxo da tolerância de Karl Popper:

“Tolerância ilimitada leva ao desaparecimento da tolerância. Se estendermos tolerância ilimitada até mesmo para aqueles que são intolerantes, se não estivermos preparados para defender a sociedade tolerante contra a investida dos intolerantes, então os tolerantes serão destruídos, e a tolerância junto com eles”.

A conclusão que eu chego é que, apesar da religião pregar alguns princípios, esses princípios não são seguidos por uma parcela dos seus seguidores. Essa parcela precisa entender que não vive sozinha em sociedade. Elas precisam aprender a serem tolerantes. Espero sinceramente que essas pessoas evoluam e aprendam. Enquanto isso, seguimos na nossa cruzada de conscientização.

*O Jornal 140 não se responsabiliza pela opinião dos autores deste coletivo.
Continuar Lendo

Comportamento

A conexão humana frente à era tecnológica

Entenda porque tanto se fala da importância das soft skills e o primeiro passo para desenvolvê-las

Publicado

em

Foto: Rémi Walle / Unsplash

Após séculos e mais séculos de transformações e revoluções industriais apenas um fator comum de extrema importância permanece o mesmo: o capital humano. Atualmente, apesar do foco dado ao futuro tecnológico com o surgimento da Inteligência Artificial, Machine Learning, Realidade Virtual, IoT (Internet das Coisas) e automação dos processos, as pessoas ainda são as responsáveis por gerenciar essas novas ferramentas e, não podemos esquecer, quem consome o mercado. Principalmente nessa era digital em um mundo VUCA (Volátil, Incerto, Complexo e Ambíguo), além de investir na capacidade dos colaboradores de acompanhar essas mudanças e se reinventar constantemente, as empresas devem prezar pela capacidade de conexão: conexão do indivíduo com ele mesmo, conexão com as pessoas e conexão com o negócio.

Se no surgimento das indústrias contratavam braços, com as revoluções industriais passaram a contratar mentes, agora contratam as pessoas pelo coração. Nunca se falou tanto no termo em inglês muito utilizado pelos RHs de empresas soft skills. Ao contrário do hard skills – competências técnicas – que podem ser aprendidas em uma sala de aula e facilmente avaliadas, o soft skills traduz as habilidades comportamentais como empatia, resiliência, comunicação, resolução de conflitos, tomada de decisão, liderança, entre outras, muito mais difíceis de serem mensuradas e desenvolvidas. Também são conhecidas como people skills (habilidades com pessoas) ou interpersonal skills (habilidades interpessoais), pois estão relacionadas à forma de se relacionar e interagir com as pessoas. São características pessoais que afetam diretamente na produtividade de toda a equipe.

Uma pesquisa da Você S/A revelou que somente 13% das demissões estão associadas às hard skills, enquanto 87% estão relacionadas a questões comportamentais, ou seja, à ausência de soft skills. Outra pesquisa, realizada pela Capgemini em 2017, diz que 60% das organizações estão insatisfeitas com as soft skills de seus colaboradores. O estudo verificou também uma crescente demanda por habilidades específicas entre os 1.250 executivos entrevistados (Capgemini, 2017):

Foco no cliente (65%): qualidade de atendimento e dedicação ao cliente;
Cooperação (64%): capacidade de trabalhar em equipe e assumir tarefas;
Aprendizagem contínua (64%): pensar “fora da caixa”, ou seja, aventurar-se além da zona de conforto para adquirir novos saberes;
Habilidade organizacional (61%): conhecimentos que os líderes devem dominar para lidar com situações complexas na rotina corporativa;
Habilidade de lidar com ambiguidade (56%): ser capaz de conviver com as ambiguidades e transformações inerentes ao meio corporativo é fundamental em um mundo cada vez mais VUCA;
Mindset empreendedor (54%);
Capacidade de promover mudanças (53%).

Está latente a importância do foco em mudança de comportamento. Por isso, é essencial – tanto para empresas quanto para os colaboradores – fazer um mapeamento para descobrir quais são as competências pessoais necessárias em cada cargo e também olhar para o momento e cultura da empresa para depois desenvolvê-las.

Como indivíduo, para identificar as próprias habilidades é preciso trabalhar o autoconhecimento, que pode ser feito de diversas formas como: refletindo sobre suas atitudes, pedindo feedback, por meio de avaliações de perfil comportamental, processos de desenvolvimento pessoal, que ajudam a reconhecer o seu potencial e desenvolvê-lo. Outra maneira é mergulhando em atividades que exijam essas habilidades e praticá-las sempre que surgir oportunidade. Por exemplo, quer praticar sua empatia, escuta ativa e flexibilidade? Procure conversar com pessoas totalmente diferentes de você ou que tenham opiniões contrárias. Faça tudo de forma consciente.

Para ajudar, as soft skills mais requisitadas são: Comunicação e Negociação, Liderança, Controle emocional e Resiliência, Trabalho em equipe, Solução de problemas, Gestão do tempo, Criatividade, Proatividade, Empatia, Pensamento crítico, Confiabilidade e Disposição para ensinar.

E aí? Por onde você pode começar?

*O Jornal 140 não se responsabiliza pela opinião dos autores deste coletivo.
Continuar Lendo

Trending