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Comportamento 4 MIN DE LEITURA

Qual é seu valor?

Não estou perguntando quanto você vale no mercado. Minha pergunta é sobre o que está por trás de seus pensamentos, comportamentos e ações.

Isabel Franchon

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em

Foto: Fares Hamouche / Unsplash

Não estou perguntando quanto você vale no mercado. Minha pergunta é sobre o que está por trás de seus pensamentos, comportamentos e ações. Pode ser que você seja uma de milhões de pessoas que se sentiram mal pelos acontecimentos políticos dos últimos dias, quando a decisão do STF derrubou o entendimento sobre a prisão após condenação em segunda instância. Pode ser que tenha comemorado. Qual a diferença?

Valores. Os seres humanos são os únicos que têm a capacidade de definir sua identidade, escolher seus valores e estabelecer suas crenças. Juntos, identidade, valores e crenças traduzem as nossas preferências, ajudam-nos a estabelecer prioridades e determinam a maneira como agimos. Trocando em miúdos, estão por trás de todas as nossas atitudes: agimos a partir do que é importante para nós. Difícil mesmo é apoiar ou validar valores e crenças de outros, contrários aos nossos.

Pense em suas ações e nas escolhas que faz na vida. O que é realmente importante para você? O que motiva suas escolhas? E o que elas lhe proporcionam? Que sentimento ou sensação lhe trazem? Quando pensa em algum objetivo, o que pretende alcançar com sua realização?

Responder a estas perguntas pode levar você a tomar consciência dos seus valores, pois são eles que determinam suas atitudes e comportamentos. Em outras palavras, fazemos determinadas coisas porque acreditamos que elas vão satisfazer alguma necessidade mais profunda que temos e que em última instância, como diz S.S. o Dalai Lama, sempre leva ao desejo de ser feliz.

Na ânsia de satisfazer desejos pessoais e conquistar a felicidade – um anseio justo – muitas pessoas se valem de meios, artifícios e valores negativos ou destrutivos. Vale perguntar: será que os fins justificam os meios? Todos nós temos sentimentos, desejos e emoções negativos ou destrutivos. Somos humanos e isso é natural. Mas o que fazemos com eles é definido pela qualidade dos valores pessoais que cultivamos.

Você pode, por exemplo, sentir uma inveja danada de alguém. Se movido por tal sentimento fizer tudo para prejudicar esse alguém (boicotar, inventar, mentir) os valores que expressa são negativos: maldade, injustiça, deslealdade, desonestidade. Se, pelo contrário, mesmo sentindo inveja limitar-se ao sentimento procurando superá-lo, e não tomar nenhuma atitude que interfira negativamente na vida do outro, será movido por valores extremamente positivos como justiça, respeito, verdade, lealdade. Faz sentido?

Uma vez perguntaram a S.S. o Dalai Lama se ele sentia raiva. Depois de alguns minutos comendo calmamente uma maçã ele respondeu que o importante não é se você sente raiva, mas sim o que faz com sua raiva. É exatamente isso! Os valores são expressos nas suas ações.

Se valores são os critérios que justificam e motivam nossas ações baseados em coisas que valorizamos ou desvalorizamos, como entender – e conviver – com o que temos visto no nosso cotidiano? Pois é, nem todos possuímos os mesmos valores. Sequer valorizamos as mesmas coisas. E muito menos atribuímos a mesma importância aos valores que temos. E, claro, ficamos chocados quando o que vemos nos agride de uma maneira tão profunda!

Para você, por exemplo, dizer a verdade e ser honesto é mais importante do que ganhar dinheiro a qualquer custo. Para outra pessoa pode ser o inverso. Mas ambos são governados por valores. Embora acreditemos que a palavra Valor se aplique apenas no sentido positivo, que denominamos Bem, a polaridade oposta negativa – o Mal – também é valor.

Há anos estudiosos pesquisam os valores humanos e listaram 2.270 (Enciclopédia dos problemas mundiais e do potencial humano) classificando-os de acordo com suas polaridades: eles chegaram ao incrível número de 960 valores construtivos (como compaixão, bondade, justiça) e 1040 valores destrutivos (abuso, maldade, injustiça). Para onde caminha a humanidade? Algumas diretrizes, ou critérios, têm sido usados para definir valores:

  • Ser universal, aplicável a todos os seres humanos, independente de credo, nacionalidade, religião
  • Ser racional, não baseado em crenças e dogmas, mas sim passível de raciocínio
  • Ser verificável, ou seja, quando aceito e praticado, leva à felicidade
  • Ser abrangente, cobrindo as dimensões do ser humano e os níveis em que vive
  • Levar à harmonia individual, em sociedade e com a natureza

Acostumamo-nos a ver os valores da empresa pendurados em quadrinhos na parede. Mas quais são seus reais valores quando permite que pessoas com poder se comportem como psicopatas? Quando ignora que seus funcionários adoecem por causa de um ambiente nocivo? Ou quando só visa o lucro em detrimento de seus colaboradores?
E o que dizer da vida política nacional com mensalões, propinas, ataques à liberdade, mentiras, assassinatos, atos escusos, mau uso do bem público por aqueles que deviam defender-nos?

Pessoas se juntam porque possuem valores semelhantes, porque acreditam nas mesmas coisas e caminham na mesma direção. O que muda, na verdade, é a forma como exercem seus valores – os meios para a conquista dos objetivos que expressam seus valores podem ser absolutamente diferentes. Quer um exemplo? Algumas pessoas lutam pela justiça através das leis; outras, através de armas. E matar? Que valor está por trás de tirar a vida humana?

Quando aprendermos efetivamente a rejeitar todas as ações e atitudes que ferem nosso mais profundo senso de valor deixaremos de alimentar pessoas que corrompem a sociedade com seus valores destrutivos – não é preciso acabar com elas, apenas não aumentar sua força. Se o objetivo final de todo ser humano é a felicidade, que possamos alcançá-la sem roubar de nenhum outro ser humano a mesma possibilidade de ser feliz. Isso é ética. Caso contrário, o objetivo que buscamos pode ser ótimo, mas não valerá a pena se o caminho para alcançá-lo ameaçar, de qualquer forma que seja, o direito do outro ser feliz.

*O Jornal 140 não se responsabiliza pela opinião dos autores deste coletivo.

Coach e Consultora, trabalha com Desenvolvimento Pessoal/Profissional, treinamentos e mudança Cultural em empresas, abordando temas como Compliance & Ética, Liderança & Gestão, Alta Performance e Comunicação Interpessoal, entre outros.

Comportamento 2 MIN DE LEITURA

Por que temos tanto medo de errar se dizem que errar é humano?

Como trabalhar esse sentimento que nos paralisa e impede de alcançarmos nossos objetivos

Publicado

em

Foto: Andre Hunter / Unsplash

O medo de errar é um sentimento que aprendemos a carregar desde a nossa infância. Tudo começa quando fazemos algo de errado – ou não da maneira 100% correta – quando crianças e muitas vezes recebemos olhares de desapontamento ou desaprovação. Depois vamos para a escola onde somos avaliados por meio de provas e atividades nas quais os erros são vistos como fracasso e não colocados como um princípio para aprendizagem. De forma bem grosseira, o lema no colégio geralmente era ‘demonstre ser inteligente e faça de tudo para não parecer burro’.

Quantas vezes deixamos de perguntar uma dúvida para os professores com medo de sermos julgados pelos colegas? Ou mesmo hoje na fase adulta, durante as reuniões, quantas vezes deixamos de expor opiniões por achar que podem não ser relevantes?

O medo é um paralisador de conquistas e gera uma ansiedade enorme. Tememos os erros e procuramos evitá-los ao máximo mesmo que custe a nossa felicidade. Percebem? Muitas vezes escolhemos ficar dentro da zona de conforto, mesmo que signifique abandonar nossos sonhos ou que a situação esteja ruim – pois, de certa forma, já estamos familiarizados e acostumados com a situação. Então deixamos de arriscar, de ver o que poderíamos ganhar, conquistar, viver, pela possibilidade de fracasso. Possibilidade, o que significa que é um medo criado e não real.

Enfrentando os nossos medos

Particularmente, eu não gostava de expor minhas ideias em público, por medo de ser julgada, de não ser “boa o bastante”, mesmo que me custasse ter visibilidade, oportunidades, e hoje vejo minhas publicações ou participações em palestras e treinamentos, por exemplo, como uma conquista enorme. Percebo que muitas vezes nem tudo sai como planejado, mas essa é a graça. Estou aprendendo a deixar-me ser vulnerável e assim percebi que só com a prática conseguimos mudar algumas crenças que temos sobre erros e acertos.

Pense: Qual é o significado que a palavra ERRO tinha para você? E agora?

Abaixo listei algumas sugestões que podem ajudar você a lidar com situações críticas:

• Perceba de onde vem o medo. É uma questão de insegurança? Observar isso pode ajudar você a analisar o que falta / deve ser trabalhado para seguir em frente.
• Como estão seus pensamentos sobre a situação? Muitas vezes surgem os medos criados por imaginarmos tudo o que pode dar errado ao invés do contrário.
• Pergunte-se: Caso tudo dê errado, o que pode acontecer?
• O que você ganha enfrentando/trabalhando esse medo? O que você perde se não enfrentar?
• Trabalhe seu modelo mental a respeito de erros e acertos. Mude a forma como você enxerga seus erros.
• Se errar, seja gentil com você e entenda que faz parte do processo.

Novamente aqui entra a resiliência, que é a nossa capacidade de lidar com os nossos problemas, de superar obstáculos mesmo diante de situações adversas e aprender com isso. Falo sobre o tema aqui.

Cada tentativa falha, cada erro, cada luta nos mostra algo sobre nós mesmos e aprendemos com isso. Nossos erros, principalmente, são convites para reflexão. E mesmo as piores falhas são evidências de que tentamos, são provas da nossa bravura por nos deixarmos ser vulneráveis.

Lembre-se de um momento que você superou os seus medos. O que você aprendeu com ele?

Quero saber a resposta!
analucia@trevo360.com.br | @trevo360

*O Jornal 140 não se responsabiliza pela opinião dos autores deste coletivo.
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Comportamento 2 MIN DE LEITURA

A polêmica dos corpos reais

Pensemos em tudo o que faríamos quando desprovidos de pressões estéticas.

Paula Akkari

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Foto: Lethu Zimu / Unsplash

No fim de dezembro, os feeds de notícias ficaram saturados pelos compartilhamentos de uma postagem de marca de cosméticos contendo uma mulher negra de biquíni com celulites à mostra.

Apesar de a imagem estar longe de ser original, é relativa novidade que a indústria da beleza se preocupe em divulgar imagens de corpos minimamente coerentes com a realidade. Eis a dinamicidade capitalista: o mercado é adaptável às demandas. Muitos nomes souberam se apropriar do desejo de desconstrução de ideais de aparência vigentes, posição em destaque desde a primavera feminista. Adicionalmente, muitas dessas empresas ganharam visibilidade devido aos elogios segmentos liberais dos movimentos.

Tais concepções, a serviço do capital ou não, refletem a incongruência do real com o (nem tão) antigo modelo estético, inevitavelmente fadado à falência. O que é feito para atrair um nicho consumidor é um dos sintomas da insustentabilidade dos padrões de ser.

Mas, haveria vitórias no microcosmo ou novidades transformadoras de épocas? A representatividade mostra-se insuficiente,  as ficções midiáticas alienantes compõem os processos de subjetivação de todos, sendo especialmente tóxicas para mulheres, pessoas negras, trans, gordas e/ou pobres. Quanto aos costumes relacionados à vaidade, são naturalizadas as mutilações, cirurgias e despesas demasiadas. O processo de gostar da própria imagem não é consequência delas, mas por diversas vias, um alvo cruelmente bombardeado.

Assim, cada episódio empoderador é passível de comemoração. Obviedades, infelizmente não redundantes, devem ser ressaltadas: corpos são de todos os tamanhos e cores; apresentam assimetria, odores, secreções, texturas, gorduras, estrias, celulites, espinhas, manchas, cicatrizes, pelos…

As constituições físicas, em suas autenticidades, são as materialidades no mundo, o intermédio de cada ser com o exterior. A elas devemos todas as experiências sensoriais, cada alimento saboreado, música ouvida, paisagem vista, orgasmo atingido.

Cuidar do corpo é um dos caminhos para a merecida paz com ele. Essa prática, diferente do modista “autocuidado” simpático ao status quo, consiste em promoção de saúde. Exemplos de ações caras são, conforme a viabilidade de cada rotina, dormir uma quantidade de horas diárias próximas a sete, manter a alimentação saudável (incluindo a ingestão do que gosta), entrar em contato com o sol com proteção e praticar atividades físicas – o hábito aumenta a disposição e a imunidade, diminui o estresse, melhora a postura e fortalece as articulações.

Os ambientes virtuais e físicos, ademais, são variáveis relevantes aos encaminhamentos. Nem toda toxidade é evitável, entretanto, vale deletar das redes sociais os perfis que obstaculizam desenvolvimentos e ignorar/rebater falas contraproducentes. Outra benevolência é a evitação ativa de comparações com terceiros – elas nem ao menos fazem sentido, afinal, são entre diferentes sujeitos.

Por fim, vale a reflexão a respeito do tempo e do esforço em encaixar-se em padrões já desmascarados, ou estar bem apesar deles. Como seria mais bela, criativa e simples a vida livre da ditadura em que estamos inseridos. Pensemos em tudo o que faríamos quando desprovidos de pressões estéticas. Pois façamos desde agora.

*O Jornal 140 não se responsabiliza pela opinião dos autores deste coletivo.
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