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Quadrinhos

A 9º Arte no Japão

Mangás, a representação em imagens de uma nação.

Jorge Massarollo

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Foto: Moujib Aghrout / Unsplash

No ano de 2016 um “discreto” Museu francês localizado no coração de Paris, realizou uma exposição para celebrar a “nona arte”, que incluiu na curadoria, obras de mangás de Naoki Urusawa exímio e premiado Mangaká, nome pelo qual são chamados os desenhistas e criadores de mangás no Japão. Não é de hoje que tais obras são apreciadas culturalmente; já em 1964, o crítico francês Claude Beylie foi o  primeiro a introduzir o conceito de arte no universo das histórias em quadrinhos. Exagerado? Não é o que pensam os fãs, e o Museu do Louvre.

Esse processo de reconhecimento ganhou força desde a afirmação do crítico francês e embora esse mercado tenha passado por uma crise nos últimos anos, as histórias em quadrinhos há muito estão em destaque. No Japão em especial, são parte integrante da sociedade. Lá, todos leem os famosos Mangás. Para compreender a extensão e influência dos mangás no Japão e mundo afora, precisamos retomar um pouco do contexto histórico e social ao qual emergiu essa arte.

CONTEXTO HISTÓRICO

Após os consequentes impactos econômicos, sociais e morais, reflexos da participação dos japoneses na Segunda Guerra mundial, ocorreu a necessidade da nação de reerguer o seu povo em prol de uma sociedade mais humanista, em um apelo ao bem comum . Nesse contexto, surgem as primeiras publicações de mangás em busca do resgate de valores e esperanças. Em princípio as narrativas eram voltadas ao público infantil e enfatizavam temas como sonhos, amizade, cooperação e liberdade, no formato de alegres aventuras.

Esse tom “Disney” não é uma coincidência. O grande Osamu Tezuka, conhecido como o “Deus” dos mangás, por sua contribuição revolucionária no gênero, destaca ter inspirado seu estilo de desenho e narrativa nas animações de Walt Disney. Sua técnica apresentava novas características, como os marcantes olhos grandes e arredondados, o uso de onomatopeias e narrativas sequenciais cinematográficas, que contribuíram para retomada no ânimo e espírito da nação japonesa.

“Por que os filmes americanos são tão diferentes dos japoneses? Como eu posso desenhar quadrinhos que façam as pessoas rir, chorar e se emocionar como aquele filme? ’’.
Tezuka O.

Somente mais tarde, no final da década de 1950, surgem narrativas de teor adulto, com temáticas políticas e críticas sociais. Essa nova leva de artistas passaram a produzir mangás mais desafiadores e dramáticos que refletiam as desilusões do período pós-guerra e o conflito étnico nacionalista.

Atualmente os mangás possuem um mercado consolidado na terra do sol nascente. Lá as publicações são semanais, divididas por capítulos e publicadas por revistas específicas, que trazem ao leitor diversas histórias. Somente após certo sucesso e interesse, são compilados em volumes encadernados, tais como estamos acostumados no Brasil. O público alvo é extremamente variado, são produzidos mangás em diversas categorias, desde o infantil ao adulto, temas que se estendem a ficção, aventura, dramas, esportes, ação, colegial, LGBTs, eróticos, terror. Sempre com traços característicos japoneses que enfatizam o relacionamento afetivo do consumidor em uma identificação direta com o produto.

DIFERENÇAS E CARACTERÍSTICAS

A forma e a estética dos quadrinhos japoneses, envolvem uma expressão única, que dá margens a uma dinâmica fantasiosa e exploratória. Esse espírito, tão enraizado, é representado pelo significado da própria palavra, união de dois ideogramas japoneses.

“Man” 漫 tem um significado primário de “involuntário” e secundariamente “moralmente corrupto”. Já o ideograma “Ga” 画 significa imagens.

Os mangás atuam no campo visual de representações, podem ser compreendidos em sua essência como “imagens involuntárias”, rascunhos livres e inconscientes, que expressam situações excêntricas da sociedade. A característica iconográfica desse estilo, difere do modelo americano: nesses, o layout enfatiza a importância dos quadros individuais, prendendo a atenção do leitor aos detalhes e ao diálogo envolvido. Os quadrinhos japoneses, ao contrário, têm característica fluida, devido a ausência de diálogos extensos e elaborações textuais. A dinâmica de leitura e diagramação priorizam menos quadros por páginas, o layout incentiva o leitor a mudar as páginas rapidamente, entrando no ritmo da narrativa. O leitor “devora” a história, repleta de elementos em movimento e expressões faciais.

Há maior variedade de códigos visuais que destacam o estado emocional dos personagens, deixando o elemento textual em segundo plano. Ler mangás é dialogar com imagens. Um exemplo é o uso de onomatopeias para transmitir sons, emoções, e situações, sem a necessidade de explicações sobre, onde a imagem fala por si.

Apesar de pouco ênfase no dialogo, as histórias mantém a riqueza em seu elemento narrativo pela continuidade cronológica da obra. Os enredos possuem início, meio e fim, bem definidos, com elementos narrativos típicos de produções cinematográficas, que contém a apresentação, desenvolvimento e conclusão da obra. Algumas publicações são tão extensas que levam anos para serem terminadas, como no caso de One Piece e Naruto, que atravessam gerações. O leitor nesse caso pode então acompanhar a evolução dos personagens ao longo dos anos, o público cresce junto a obra, que se torna presente no cotidiano.

ARTE E CULTURA

Em resumo três os pilares de um Mangás: imagens sequenciais, caixas de fala e onomatopeias. Suas características principais: ênfase em expressões, diálogos menos extensos e representações socioculturais. Os Mangás carregam em si os paradigmas e símbolos da nação japonesa, que permite a maior identificação do leitor com a obra. Esses quadrinhos embora sejam objeto de lazer, tem importante papel social, através do qual são transmitidas informações valiosas sobre história, cultura, mitologia, crenças e ensinamentos do Japão.

Essa arte é embaixadora dos costumes japoneses, por suas enigmáticas características e enredos bem elaborados,que conquistaram reconhecimento e o coração de fãs no mundo, consumidoras fiéis, que tem como meio de contato direto com o oriente essa forma de expressão artística chamada Mangá.

REFERÊNCIAS

GRAVETT, PAUL. Mangá: Sixty Years of Japanese Comics. Collins Design.2010.

LEDO LFP. MANGÁ: As histórias em quadrinhos que servem como fonte de informação acerca da mitologia japonesa. Universidade Federal do Rio Grande do Norte. 2018.

WINTERSTEIN CP. Mangás e Animes: sociabilidade entre cosplayers e otakus. UFSCAR.2010

*O Jornal 140 não se responsabiliza pela opinião dos autores deste coletivo.

Idealizador e Editor chefe do blog Psique Anime. Caminhou pelas diversas áreas do conhecimento: esporte, saúde, educação, psicologia e veio para aqui, em entretenimento. Jovem aficionado pelo universo dos Animes e cultura oriental, trago comigo toda bagagem de estudos e vivências. Minha vida é algo que não consigo descrever melhor do que um Mosaico de inspirações.

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Mangás: gêneros e classificações

O termo que designa histórias em quadrinhos, está inserido no cotidiano japonês de tal forma que, 40% de todo papel impresso no Japão é destinado a esse estilo de leitura.

Jorge Massarollo

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Foto: Martijn Baudoin / Unsplash

Mangás, fenômeno cultural que faz parte de um imenso mercado de entretenimento que movimenta milhares de fãs. O termo que designa histórias em quadrinhos, está inserido no cotidiano japonês de tal forma que, 40% de todo papel impresso no Japão é destinado a esse estilo de leitura.

Adultos, jovens, crianças, são todos tomados pelo espírito das breves páginas semanais/mensais, feitas com papel barato e histórias excêntricas. Embora esse mercado pareça estar voltado ao público infantojuvenil, onde mais de ⅓ deste é destinado ao consumidor adulto, resultando nas mais variadas temáticas.

Essa diversidade permite a formação de grupos que compartilham do mesmo gosto e apreciam aquele, ou outro mangá, sendo possível a classificação de diferentes categorias de indivíduos, de acordo com o tipo de produto que consome. O que para as editoras facilita bastante quando falamos de público alvo.

Obviamente assim como as grande produções hollywoodianas e as HQ americanas, os mangás são classificados por gêneros, tais como fantasia, ficção, aventura, ação, comédia. Entretanto existe uma classificação referente ao público alvo, ou seja, a quem está destinado aquele produto e enredo específico , que se relaciona diretamente com características do consumidor.

Essa divisão é clara no mercado japonês, e recebem nomes e classificações específicas como veremos a seguir:

SHONEN
Termo japonês que designa a palavra menino.
Público Alvo: Meninos de 10 a 18 anos
Descrição: É a categoria mais famosa mundialmente, são histórias de ação e aventura, com temas fantasiosos, de ficção científica, magia, que podem envolver alienígenas, demônios, deuses, robôs, guerreiros, samurais, esportes, com uma boa dose de competição, lutas, heróis e humor. São aqueles tipos de mangás que quando adaptados para versão animada, lhe faz vibrar com batalhas ferozes e seus personagens Badass. Porradaria pura, embora tenha seus momentos românticos e filosóficos. Onde a amizade, busca pelos sonhos e persistência contra os desafios são marca registrada dos personagens principais do gênero.

SHOUJO
Termo japonês que designa a palavra menina.
Público Alvo: Meninas de 10 a 18 anos
Descrição: É uma categoria destinada a um público feminino, interessante notar que até a década de 1970 esses mangás eram feito por homens, somente a partir dos anos 70, que as mangakás femininas começam a ganhar espaço. Inclusive atualmente a maioria dos mangás desse gênero é escrito, desenhado e editado por mulheres. Hoje as mangakás são responsáveis pela criação de histórias em diversos gêneros de mangás, como exemplo da famosa Hiromu Arakawa com a obra Full Metal, considerado por muitos o melhor mangá/anime da história. Voltando ao Shoujo, estes são mangás de traços mais delicados, que abordam histórias de amor, onde existe normalmente um personagem masculino, foco da paixão das personagens principais, o romance pode ocorrer em cenários fantasiosos, mágicos ou colegiais. Histórias que embora possam ter alguma ação, o enfoque está nos sentimentos adolescentes e dramas familiares. A psicologia infantojuvenil e os desafios dessa fase da vida são o tema principal desse gênero.

SEINEN
Termo cujo significado é “Homem Adulto’’.
Público Alvo: Adulto
Descrição: Seria algo como uma versão adulta do gênero Shonen, com temas mais realistas e sombrios, com tramas complexas, que se aproximam de histórias em HQ americanas. Sangue, palavras impróprias, cenas explícitas, humor negro são algumas características desses mangás. Embora a fantasia e ficção se encontrem presentes, existe uma profundidade maior nos temas, com uma seriedade e forte críticas sociais.

JOSEI
Termo cujo significado é “Mulher Adulta’’
Público Alvo: Adulto
Descrição: A mesma ideia de SEINEN vale aqui, entretanto para o público feminino. São histórias que envolvem romances, paixões, intrigas, com caráter mais realista e adulto. O conteúdo sexual é fortemente explorado nesse gênero, não necessariamente explícito. Aqui o romance adolescente pueril é colocada de lado, e dá espaço a romances de forma mais direta e séria. Além de enredos fantasiosos, o estilo procura abordar o cotidiano das mulheres japonesas.

JIDAIGEKI
Público Alvo: Adolescente/Adulto
Descrição: Esse gênero explora dramas e feitos históricos, recriando batalhas e heroísmo. Os japoneses são um povo bastante nacionalista, contar sua história através das páginas de mangás parece ser um jeito interessante de atrair a atenção e curiosidade os jovens, bem como adultos que gostam do período feudal, onde os samurais caminhavam livremente, travando batalhas lendárias.

GEKIGÁ
Termo que significa “figuras dramáticas’’
Público Alvo: Adulto
Descrição: O termo foi criado por Yoshihiro Tatsumi, foi um movimento que surgiu na década de 50 em contraste aos gêneros de mangás voltados ao público infanto-juvenil. Seu objetivo era atingir público adulto com histórias que contém um caráter mais realista e dramático, explorando principalmente o cotidiano do povo Japonês. Se encaixa no naquilo que compreendemos como Drama no Ocidente. Seriam um tipo de quadrinhos alternativos no Japão.

KODOMO
A palavra significa criança em japonês.
Público Alvo: Infantil
Descrição: Com traços mais simples, esse gênero é focado em crianças, com temas voltados a educação, momentos interativos e instrutivos, onde a criança aprende e se diverte ao mesmo tempo. As tramas são simples, com menos ação e mais “comédia’’ com abordagem infantil. É difícil não fazer uma comparação ao nosso equivalente no Brasil, a turma da mônica.

HENTAI
É uma gíria japonesa que significa Pervertido.
Público Alvo: Adultos Jovens
Descrição: Provavelmente o gênero mais polêmico, são mangás destinados a conteúdos eróticos. Existem diversos tipos e sub gêneros, os assuntos vão desde sexo entre indivíduos à coisas bizarras como tentáculos. A história não é o forte desses mangás em si, eles dialogam com uma linguagem jovem, e o apelo sexual é forte e explícito. Lolicon,Shotacon, Yuri, Yaoi são nomes de categorias que pertencem a esse estilo. Existe até o Ecchi, que aborda conteúdo não pornagráfico porém com forte apelo ao erotismo. Mangás portanto com foco no tema sexual.

Como simplificado acima, existe uma gama de gêneros e estilos específicos para todos os públicos, que tornam a experiência de leitura única, particular e ao mesmo tempo compartilhada. No Brasil embora o público alvo não seja caracterizado com essa divisão, os consumidores possuem preferências e identificação com um ou mais desses gêneros, no qual eles mesmo se reconhecem. Em grandes eventos sobre o tema podemos perceber de forma nítida, pelos diferentes grupos que se formam e compartilham suas experiências essa divisão.  E embora aparente fronteiras, no fim somos todos amantes dessa arte.

Referências Bibliográficas

Winterstein, Claudia Pedro.’’Mangás e animes : sociabilidade entre cosplayers e otakus.’’. São Carlos : UFSCar, 2010.

*O Jornal 140 não se responsabiliza pela opinião dos autores deste coletivo.
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Por que Animes?

Como e por que os desenhos japoneses estão se tornando um fenômeno mundial.

Jorge Massarollo

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Foto: Matt Popovich / Unsplash

Anime é um termo que se refere a animações de origem japonesa, entretanto com recente panorama da cultura midiática, que perpassou por grandes mudança nas últimas décadas, será mesmo que essa categoria de desenho pode ser estar “presa” somente dentro do contexto Nihon?

Atualmente plataformas de Streaming como a Netflix, Prime Vídeo, Crunchyroll são responsáveis por transmitir a um clique de distância grande parte dos conteúdos de entretenimento visual do extremo oriente. Essa realidade vem conquistando cada vez mais espaço dentro do mercado de produções audiovisuais.

A tendência segue uma demanda que surgiu já nos anos 70, com a ascensão do cinema asiático, em especial o de Hong Kong com suas alucinantes produções de filmes de ação e Kung Fu, à la Bruce Lee. Em seguida na década de 90 e 2000 o despontar de séries e músicas japonesas, que possuem uma legião de fãs no Brasil E atualmente podemos citar a febre da juventude, o estilo coreano musical conhecido como K-pop, a exemplo da contemporânea banda BTS.

Em 2016 a Netflix em parceria com Production I.G, anunciou a produção de seu primeiro anime totalmente original, Perfect Bones (Posteriormente chamado de B: The Beginning), que teve transmissão simultânea para 190 países com todos os episódios da primeira temporada lançados de uma só vez, algo inédito nesse universo.

Esse evento marcou uma transição dos conteúdos japonês de animação no cenário mundial das plataformas de streaming. Um certo alívio aos profissionais desse mercado, que há anos vem sofrendo com crises financeiras e carência de investimentos no Japão. Hoje a Netflix conta em seu catálogo com 102 animes sendo 40 deles produções originais. A concorrente Prime Vídeo tem em seu portfólio 46 animes e uma produção original lançada esse ano. E a famosa plataforma Crunchyroll especializada somente nesse mercado possui mais de 1000 títulos, alguns com transmissão Simulcast.

Para além de números em catálogos e concorrência entre empresas, tratamos de um fenômeno emergente em escala mundial. Henry Jenkis em seu livro Cultura da convergência, disserta sobre os múltiplos suportes midiáticos e a complexa realidade que surge pela interação de informações, dos diversos públicos. Onde as mídias alternativas, corporativas e antigas se convergem de maneira imprevisível.

“ No mundo da convergência das mídias, toda história importante é contada, toda marca é vendida e todo consumidor é cortejado por múltiplos suportes de mídia “ Jenkis,2009.

O mercado de entretenimento não está imune a esse episódio cultural ao qual Jenkis se refere, pelo contrário, é um dos principais atingidos. Em 1980 quando falamos de Animes, esse era um campo tão obscuro e alternativo para o ocidente, que poucos sabiam ou compreendiam realmente os traços culturais japoneses envolvidos por trás dessas histórias.
A informação demorava dias, meses, anos para ser transmitida aos quatro cantos do mundo. Hoje falamos de transmissão simultânea, filmes cinematográficos e produções originais com parcerias estrangeiras nesse universo de produções.

Os fatores que explicam o sucesso desse quadro crescente são diversos. Os animes se estendem a vários públicos, desde o infanto-juvenil ao adulto. Os personagens das histórias assumem papel inspirador, arquetípico e simbólico para nação a japonesa, expressivo o suficiente para que, seus ídolos animados sejam eleitos representantes de grandes eventos como, por exemplo, as Olímpiadas de 2020 que será sediada na terra do sol nascente.

As temáticas abordadas têm profundidade e contextos éticos e morais que permeiam a sociedade. Amizade, superação, violência, romance, conflitos políticos, históricos, sociais. Assuntos que levam o expectador a uma identificação com o produto. A economia afetiva é um fator que perdura e tem forte influência sobre o consumidor. Alguns estudos já apontam para importância desses conteúdos e sua influência na identidade do público jovem, utilizando a mídia audiovisual como um meio para compreender o mundo de representações e significados atribuídos.

O produto final pelo qual o acesso a esses conteúdos e sua convergência cultural, vai nos propiciar nos próximos anos é extenso e imprevisível, podemos somente ter um leve vislumbre de uma policultura, onde mais e mais produções com características distintas serão produzidas para agradar o mais diversificado consumidor, o famoso Many to Many.

Essa realidade é capaz de tornar, em um futuro próximo, os Animes uma categoria não restrita ao Japão. Presenciamos com as recentes produções originais, a aproximação cultural com o Oriente e o desenvolver de um gênero, um modo de fazer animações específico, que tem inflûencia no padrão de animações japonesas aplicado no contexto de outras culturas. O recente documentário propagandista da Netflix, Enter The Anime, demonstra a realidade das parcerias entre os estúdios de animação e produtores de outras nacionalidades, que carregam junto de si, a bagagem cultural de sua nação, sua história pessoal, vivências e impressões de mundo.

O que não falta é público e investimento, o Brasil já demonstrou ser um país “pote de ouro” para as empresas que oferecem o serviço de streaming. Possuímos um povo heterogêneo e consumidor, sendo um dos países que mais consomem produtos da cultura nipônica. Quem sabe não podemos ver futuramente produções Brasileiras de animes nas telinhas do celular?

Referências

Santoni R. Animes e mangás a identidade dos adolescentes. Universidade de Brasília.2018

Oliveira L C.Influência dos animes na escolha do japão como destino turístico. Universidade federal Fluminense.2018

Araújo M; Urbano K. Os novos modelos de distribuição e consumo de conteúdo audiovisual asiático nas redes digitais: o caso dos dramas de TV na Netflix.br. Universidade de São Paulo.2017

H. Jenkis.Cultura da convergência. Editora Aleph.ed.1;2009

Sites

https://br.ign.com/netflix/17386/news/netflix-anuncia-seu-primeiro-anime-totalmente-original

https://www.tecmundo.com.br/netflix/88888-netflix-comecar-produzir-proprios-animes-filmes-bollywood.htm

https://www.omelete.com.br/series-tv/goku-e-nomeado-embaixador-dos-jogos-olimpicos-de-2020-no-japao

*O Jornal 140 não se responsabiliza pela opinião dos autores deste coletivo.
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