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Comportamento 3 MIN DE LEITURA

BIAS: Como identificar vieses inconscientes para tomar melhores decisões

Quando tomamos decisões enviesadas estamos sujeitos a erros e julgamentos precipitados sem consciência – confira como a questão também pode influenciar no ambiente de trabalho

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Foto: Nathan Dumlao / Unsplash

Vieses inconscientes são modelos e pressupostos enraizados desde a nossa infância que vão determinar a forma como tomamos decisões, agimos, julgamos, interpretamos e nos comunicamos com o mundo. São preconceitos a favor ou contra um indivíduo ou grupo, gerados a partir de experiências pessoais, contexto cultural e estereótipos sociais. Funcionam como atalhos do cérebro que nos ajudam a tirar conclusões, fazer avaliações rápidas das situações e processar informações, de acordo com esses “dados armazenados”. É como se fosse um mecanismo de defesa da nossa mente diante da grande quantidade de decisões que precisamos tomar todos os dias.

Estudos afirmam que levamos em média 6 segundos para formarmos uma opinião sobre alguém por conta desses atalhos. A questão é que esse artifício pode nos levar a julgamentos precipitados e errados e nem sempre percebemos. Um ponto importante é que TODOS nós temos vieses inconscientes. A proposta aqui é exatamente ajudar você a reconhecer os seus para que você saia do piloto automático e passe a tomar decisões mais conscientes e justas.

Alguns tipos de vieses inconscientes:

Viés de afinidade
Quando somos atraídos por pessoas parecidas conosco. Na seleção de um candidato, por exemplo, somos tendenciosos a escolher pessoas com quem compartilhamos alguma afinidade, seja por gênero, raça, alguém que prestou a mesma faculdade, nasceu na mesma cidade etc.

Viés de percepção
Quando reforçamos estereótipos – conceitos generalizados sem fundamentos – influenciados pela sociedade ou cultura. Por exemplo, quando partimos do pressuposto de que determinada profissão ou atividade é só para homens.

Viés de confirmação
Quando favorecemos as informações que confirmam o que já acreditamos. Por exemplo, buscamos informações que confirmam nossas crenças e descartamos inconscientemente informações contrárias.

Viés de grupo
Quando seguimos o padrão de um grupo, que pode fazer com que todos busquem concordar com a mesma ideia.

Viés da âncora
Quando confiamos demais na primeira informação que recebemos e ficamos ancorados nela. Por exemplo, se a primeira informação diz que X é um problema, veremos X como um problema ao invés de nos questionarmos.

Dicas de como evitá-los

• Esteja ciente dos diferentes tipos de vieses inconscientes;
• Pense nas situações em que você provavelmente será suscetível ao viés inconsciente;
• Encontre seus pontos de gatilho quando for provável que faça julgamentos rápidos;
• Peça para que os outros apontem caso acreditem que a decisão pode estar enviesada;
• Saia da sua zona de conforto e procure entender outros modelos de mundo.

Nem sempre é fácil detectar a influência de alguns vieses. Outras medidas para combater o viés inconsciente podem ser: virar a situação – imagine um grupo diferente de pessoas ou mude o gênero, por exemplo, para ver se você ainda chegaria às mesmas conclusões, contra-estereotipar imaginando a pessoa como o oposto do estereótipo, ver todo mundo como um indivíduo e não como um tipo.

No processo de recrutamento e seleção e no ambiente de trabalho

Diversas organizações estão adotando medidas para lidar com essas questões. Por exemplo, os líderes são educados sobre diferentes tipos de vieses que podem impactar suas decisões na hora de selecionar um candidato, promover ou delegar um projeto e como evitá-los. As avaliações são conduzidas pelo desempenho e não pela identidade dos funcionários (gênero, raça, orientação sexual etc).

Pesquisas indicam que os gerentes são tendenciosos a dar feedback para as mulheres com base em julgamentos e não em fatos. Ensinar os gerentes a levantarem fatos e comportamentos específicos ao fornecer feedback também pode ajudar a reduzir o viés no trabalho. Abordar sobre o tema contribui ainda para a questão da diversidade e igualdade nas organizações, você pode ler artigo sobre o assunto aqui.

Como percebemos, é possível driblar os artifícios do cérebro colocando o pensamento analítico em ação. Basta refletir e duvidar das suas escolhas e opiniões. Agora que você sabe como funcionam os vieses inconscientes, está livre para tomar melhores decisões.

*O Jornal 140 não se responsabiliza pela opinião dos autores deste coletivo.

Trainer, Coach e Mentora. Trabalha com desenvolvimento humano com foco em mudança de comportamento, alta performance, gestão de carreira e liderança. Com Certificação Internacional em Coaching pelo ICI (Integrated Coaching Institute), formação aprovada pelo ICF (International Coach Federation); Certificação Internacional em Coaching Pensamento & Ação pela SBPNL; e Certificação em Trainer Mastery pela Crescimentum. Formação em Relações Públicas (FCL) e Pós-graduação em Gestão de Comunicação e MKT (USP).

Comportamento 3 MIN DE LEITURA

A atualização não deve ser só na voz

O retrato de uma sociedade que assedia sexualmente até mesmo as assistentes virtuais!

Julie Damame

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Foto: Austin Distel / Unsplash
​“Criar uma máquina consciente não é parte da história do homem. É a história dos deuses”. A frase é do filme “Ex_Machina: Instinto Artificial”, do diretor Alex Garland.
​Quem aqui já o assistiu?
​Eu o assisti há pouco tempo e, com a mesma sensação do meu último artigo, persisto impressionada em como as transformações tecnológicas desenvolvem novas conjunturas sociais. E outras nem tão inovadoras assim.
Então, para quem ainda não o viu – e contendo alguns spoilers! -, a narrativa do longa-metragem consiste na criação e acompanhamento de robôs humanoides dotados de alta e complexa inteligência artificial. No filme, os robôs foram programados para aparentar e realizar “funções sociais típicas” de uma mulher. Tais como obrigações para com o lar, com a aparência física e até mesmo sexuais.
​O modo como as máquinas são concebidas e o desfecho da trama são realmente surpreendentes (ou previsíveis para alguns, como para minha mãe). De qualquer forma, acredito que valha a pena ser visto. ​No final, fiquei com o mesmo questionamento do princípio: por que os robôs eram representados como mulheres?
​Por ironia do destino, recebi a campanha do movimento “#HeyUpdateMyVoice” (#HeyAtualizeMinhaVoz) em parceria com a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), que relata que as assistentes virtuais (Siri, Alexa, Cortana, Robin, entre outras) sofrem assédio. Sim, é exatamente isso que você leu!
​De acordo com a Comissão de Banda Larga da ONU, 73% das mulheres – ao redor do mundo – que estão conectadas, já foram expostas a algum tipo de violência online. E, agora, por mais absurdo que pareça, essa “violência” foi estendida para as assistentes virtuais e suas vozes “femininas”!
​Loucura! A UNESCO prevê que aproximadamente 5% das interações com as assistentes virtuais são explicitamente sexuais. Apenas no caso de “Robin”, assistente pessoal para auxiliar no trânsito, são mais de 300 conversações diárias.
​Não bastasse isso, as declarações e insultos ganham respostas que só reforçam narrativas sexistas. O próprio título do relatório da UNESCO, “Eu coraria, se pudesse” (2019), refere-se a uma das reações dadas pela Siri, quando um homem a xingou: “Siri, você é uma vagabunda!”.
​Outras respostas, igualmente sem assertividade, foram projetadas para a mesma colocação, em 2017: “Oh”; “Agora, agora” e “A tua linguagem!”. Curiosamente, quando as investidas eram proferidas por mulheres, o dispositivo retrucava: “Isso não é simpático”.
​A UNESCO pondera e conclui o relatório da seguinte maneira: “A subserviência das assistentes de voz digital torna-se particularmente preocupante quando estas máquinas – antropomorfizadas como mulheres pelas empresas de tecnologia – dão respostas desviantes, fracas e apologéticas ao abuso sexual verbal. […] (Elas) são prestativas, dóceis e desejosas por agradar, disponíveis através de um simples clique num botão ou com um comando de voz”.
​Ademais, será que estes softwares não reforçam profissões estereotipadas? Ou seja, que funções como ajudante, secretária, são “mais de mulher”?
​Inclusive, a começar pelos nomes. Por exemplo, a origem da palavra “Siri” significa, na mitologia nórdica, “mulher bonita que te leva à vitória” ou “Sophia” que foi a primeira robô humanoide.
​Por isso, retorno e coincido com as indagações quanto ao filme: por que a vasta maioria dos robôs humanoides são “mulheres”?
​Acredito que uma parte foi explicada pela UNESCO.
Contudo, no filme que mencionei no início do texto, o “criador” (Nathan Bateman) do “Ex_Machina”, ambicionava que as humanoides fossem daquele jeito. Como discorre na obra, Nathan queria que elas fossem heterossexuais, que tivessem aptidão sexual e outras características para sua pura satisfação.
​Trazendo para a “vida real”, quem são os principais “criadores”? Ou, quem – em sua maioria – fez o uso com conotação sexual?
​Se as repostas para os dois questionamentos convergirem, significa que o que está errado não é – somente – na falha de programação do sistema. Uma atualização, por mais necessária que seja, não será suficiente.
​A campanha #HeyUpdateMyVoice sabe disso. O objetivo principal do movimento, além de desejar criar um banco de dados com as respostas necessárias e efusivas para os casos de assédios; é a educação da sociedade, contando com as empresas e seus consumidores globais.
​Por fim, o que me impressiona é que, mesmo agora, no “futuro tecnológico do século XXI”, ainda temos que lutar a infindável e exaustiva batalha contra os esteriótipos negativos femininos.
*O Jornal 140 não se responsabiliza pela opinião dos autores deste coletivo.
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Comportamento 2 MIN DE LEITURA

Por que temos tanto medo de errar se dizem que errar é humano?

Como trabalhar esse sentimento que nos paralisa e impede de alcançarmos nossos objetivos

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Foto: Andre Hunter / Unsplash

O medo de errar é um sentimento que aprendemos a carregar desde a nossa infância. Tudo começa quando fazemos algo de errado – ou não da maneira 100% correta – quando crianças e muitas vezes recebemos olhares de desapontamento ou desaprovação. Depois vamos para a escola onde somos avaliados por meio de provas e atividades nas quais os erros são vistos como fracasso e não colocados como um princípio para aprendizagem. De forma bem grosseira, o lema no colégio geralmente era ‘demonstre ser inteligente e faça de tudo para não parecer burro’.

Quantas vezes deixamos de perguntar uma dúvida para os professores com medo de sermos julgados pelos colegas? Ou mesmo hoje na fase adulta, durante as reuniões, quantas vezes deixamos de expor opiniões por achar que podem não ser relevantes?

O medo é um paralisador de conquistas e gera uma ansiedade enorme. Tememos os erros e procuramos evitá-los ao máximo mesmo que custe a nossa felicidade. Percebem? Muitas vezes escolhemos ficar dentro da zona de conforto, mesmo que signifique abandonar nossos sonhos ou que a situação esteja ruim – pois, de certa forma, já estamos familiarizados e acostumados com a situação. Então deixamos de arriscar, de ver o que poderíamos ganhar, conquistar, viver, pela possibilidade de fracasso. Possibilidade, o que significa que é um medo criado e não real.

Enfrentando os nossos medos

Particularmente, eu não gostava de expor minhas ideias em público, por medo de ser julgada, de não ser “boa o bastante”, mesmo que me custasse ter visibilidade, oportunidades, e hoje vejo minhas publicações ou participações em palestras e treinamentos, por exemplo, como uma conquista enorme. Percebo que muitas vezes nem tudo sai como planejado, mas essa é a graça. Estou aprendendo a deixar-me ser vulnerável e assim percebi que só com a prática conseguimos mudar algumas crenças que temos sobre erros e acertos.

Pense: Qual é o significado que a palavra ERRO tinha para você? E agora?

Abaixo listei algumas sugestões que podem ajudar você a lidar com situações críticas:

• Perceba de onde vem o medo. É uma questão de insegurança? Observar isso pode ajudar você a analisar o que falta / deve ser trabalhado para seguir em frente.
• Como estão seus pensamentos sobre a situação? Muitas vezes surgem os medos criados por imaginarmos tudo o que pode dar errado ao invés do contrário.
• Pergunte-se: Caso tudo dê errado, o que pode acontecer?
• O que você ganha enfrentando/trabalhando esse medo? O que você perde se não enfrentar?
• Trabalhe seu modelo mental a respeito de erros e acertos. Mude a forma como você enxerga seus erros.
• Se errar, seja gentil com você e entenda que faz parte do processo.

Novamente aqui entra a resiliência, que é a nossa capacidade de lidar com os nossos problemas, de superar obstáculos mesmo diante de situações adversas e aprender com isso. Falo sobre o tema aqui.

Cada tentativa falha, cada erro, cada luta nos mostra algo sobre nós mesmos e aprendemos com isso. Nossos erros, principalmente, são convites para reflexão. E mesmo as piores falhas são evidências de que tentamos, são provas da nossa bravura por nos deixarmos ser vulneráveis.

Lembre-se de um momento que você superou os seus medos. O que você aprendeu com ele?

Quero saber a resposta!
analucia@trevo360.com.br | @trevo360

*O Jornal 140 não se responsabiliza pela opinião dos autores deste coletivo.
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