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Qualidade de Vida

Autismo Tech: tecnologia como suporte para diagnóstivo e soluções sobre o tema

Evento reunirá especialistas em S. Paulo; inscrições vão até o dia 29 de novembro

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Foto: Anna Kolosyuk / Unsplash

Um grupo de especialistas de diversas disciplinas se reunirá em S. Paulo (FIAP, av. Lins de Vasconcelos, 1264, Maker Lab, Aclimação) no próximo dia 5 de dezembro no evento “Autismo Tech”, com o objetivo de discutir, encontrar soluções e trocar experiências sobre autismo com foco em tecnologia, design e diversidade no mercado de trabalho.

A tecnologia tem sido muito utilizada para melhorar a vida das pessoas, como é o caso de Carly Freischmann, que consegue se comunicar com a família por meio de um software de transcrição, um sistema similar ao que o Stephen Hawking utilizava. Outro exemplo de movimentação nesse sentido é a realização da 1a Challenge Autismo em 2018. Essa competição foi organizada pela FIAP em parceria com o Hospital Pinel com o objetivo de discutir o autismo e pensar em soluções inclusivas.

O autismo é um transtorno neurológico que se manifesta em cerca de 2% da população, ou seja, para cada 48 pessoas, 1 é autista. A procura pelo diagnóstico e soluções tem aumentado. Para os organizadores do Autismo Tech “é necessário entendermos melhor o assunto, suas nuances e começar uma movimentação para buscar soluções para transformar a vida dessas pessoas”. O acompanhamento de uma pessoa com autismo exige um time multidisciplinar. Esse time é composto por Fonoaudiólogos, Terapeutas Ocupacionais, Psiquiatras e Psicólogos. Além disso, pode haver a inclusão de fisioterapeutas e preparadores físicos. Tudo depende de cada caso; Em média, os gastos com a saúde de uma pessoa com autismo são cerca de quatros vezes mais altos do que em uma pessoa neurotípica.

Veja a lista de participantes: Joyce Rocha, UX designer na Zup, autista, apaixonada por pesquisa em acessibilidade digital e em experiência que podem mudar a vida das pessoas (LinkedIn); Caio Bogos, estudante de Sistemas de Informação na FIAP, analista de Pricing no UOL Diveo, fundador do projeto Puzzle e apaixonado por inovação (LinkedIn); Dra. Elise Lisboa, dra. em Psicologia de carreira dedicada ao desenvolvimento humano – típico e atípico, com extensa atuação profissional voltada ao Transtorno do Espectro do Autismo (TEA), militante da valorização da diversidade e do pleno desenvolvimento das capacidades individuais, impulsionando a qualidade de vida e cidadania; Amanda Rabelo, supervisora de marketing no Comitê Paralímpico Brasileiro, curiosa por entender o comportamento humano e a sua relação com o marketing relacionado à causas; Thaysa Torres, designer Gráfico do Comitê Paralímpico Brasileiro com intenção de acrescentar na carreira profissional a facilitação aplicada com Design Estratégico; Guilherme Estevão, head of Corporate Relationship na FIAP e agente de interlocução das empresas com os movimentos de inovação, de mudança de mindset organizacional e os novos formatos de atração de talentos (LinkedIn); Eraldo Guerra, mestre em Engenharia de Software pelo Cesar School, CEO e fundador do Cangame startup para tratamento e aprendizado de autista.

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*O Jornal 140 não se responsabiliza pela opinião dos autores deste coletivo.

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Qualidade de Vida

A maconha medicinal, finalmente, é liberada no Brasil

Para Dra. Paula Dall Stella, “a Cannabis não cura mas ajuda os pacientes a controlar os seus sintomas de maneira melhor; em pacientes oncológicos estimula o apetite, melhora o paladar, o humor, a qualidade do sono, é analgésico e protege contra as dores da neuropatia periférica induzida pela quimioterapia”

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Foto de Kimzy Nanney (Unsplash).

A maconha medicinal motivou alguns posts aqui no Jornal 140 que tiveram grande repercussão e muitos duvidavam que a manchete acima pudesse ser publicada. Pois hoje a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o regulamento para a fabricação, importação e comercialização de medicamentos derivados da Cannabis. Norma será publicada no Diário Oficial da União nos próximos dias e entrará em vigor 90 dias após a publicação. A fonte das informações deste post, que reproduzimos em partes, é a Agência Brasil.

Segundo a agencia, a decisão foi tomada por unanimidade pela diretoria colegiada da agência reguladora. O parecer apresentado em reunião ordinária pública nesta terça-feira (3), em Brasília, está disponível na internet.

O medicamento só poderá ser comprado mediante prescrição médica. A comercialização ocorrerá exclusivamente em farmácias e drogarias sem manipulação. Conforme nota da Anvisa, “os folhetos informativos dos produtos à base de Cannabis deverão conter frases de advertência, tais como ‘O uso deste produto pode causar dependência física ou psíquica’ ou ‘Este produto é de uso individual, é proibido passá-lo para outra pessoa’”.

Em 2 de junho deste ano o Jornal 140 publicou uma longa entrevista com a Dra. Paula Dall’Stella, especializada em Medicina Integrativa e no uso da Cannabis, veja aqui. Segundo ela, o CBD pode ser ministrado em pacientes oncológicos porque estimula o apetite, melhora o paladar, o humor, a qualidade do sono, é analgésico e protege contra as dores da neuropatia periférica induzida pela quimioterapia. É o que ela chamou de um remédio “cinco em um” – não há nenhum que se equipare a Cannabis neste tipo de tratamento. Na entrevista ela disse que também trata “pacientes com dores crônicas, neurodegenerativas, doenças autoimunes, depressão, insônia e ansiedade. E mesmo doenças raras, quando se sente motivada de tentar, ainda que não saiba qual será o resultado, porque todas as outras terapias convencionais não funcionaram mais. O objetivo sempre é melhorar a qualidade de vida dos pacientes. A Cannabis não cura mas ajuda os pacientes a controlar os seus sintomas de maneira melhor”.

“Essa é uma excelente notícia, um avanço. Torna mais democrática a possibilidade de prescrição”, assinala o neurologista Daniel Campi, vice coordenador do Departamento de Dor da Academia Brasileira de Neurologia (ABN). Segundo ele, pacientes que conseguiam autorização de uso do medicamento estavam gastando mais de R$ 2,5 mil por mês.

O Dr. Campi calcula que 70% da demanda antes da regulamentação da Cannabis para uso medicinal era para alivio de dor crônica (lombar e de cabeça). Também havia grande procura para casos de ansiedade e dificuldades de sono. A ABN prepara nota científica sobre fármacos à base de Cannabis.

A Associação Brasileira de Apoio Cannabis Esperança (Abrace) contabiliza centenas de pessoas que tiveram acesso ao medicamento para casos de epilepsia, autismo, mal de Alzheimer, mal de Parkinson e neuropatias. A entidade divulga nomes e contatos de mais de 150 médicos que já prescrevem medicamentos à base de Cannabis.

Projeto de Lei

A possibilidade de liberação da comercialização de produtos com Cannabis mereceu ao longo deste ano atenção constante do ministro da Cidadania, Osmar Terra, que é médico especializado em saúde perinatal e desenvolvimento do bebê, e faz restrições ao uso indiscriminado.

Tramita na Câmara dos Deputados o Projeto de Lei nº 399/2015 que faculta a comercialização de medicamentos que contenham extratos, substratos ou partes da planta Cannabis sativa em sua formulação. Em seu perfil no Twitter, Osmar Terra declarou haver lobby empresarial em favor da liberação de medicamentos derivados da Cannabis. Ele também declarou ser contrário à regulação do plantio da Cannabis, já vetado hoje pela na Anvisa. O Conselho Federal de Medicina publicou nota em favor do posicionamento do ministro.

Para o clínico-geral Leonardo Borges, do Hospital das Clínicas e do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, “a possibilidade de uso recreacional existe em outros medicamentos como os fármacos de sildenafil, previstos para homens com disfunção erétil, mas consumidos por homens sem problema nenhum”. O médico, que já prescreveu medicamento a base de Cannabis, assinala que a decisão da Anvisa foi tomada “após grande revisão da literatura sobre o medicamento”.

*O Jornal 140 não se responsabiliza pela opinião dos autores deste coletivo.
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Qualidade de Vida

Gestão como Doença Social

A dedicação exclusiva à corporação está levando os colaboradores à doença.

Isabel Franchon

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Foto: Francisco Moreno / Unsplash

Não são apenas os Psicopatas Corporativos que levam uma empresa a adoecer. O título acima é do livro de Vincent de Gaulejac, que entra profundamente na organização explorando temas como a moral nos negócios, os fundamentos da ideologia e o poder gerencial, além de lançar um olhar para a psicopatologia da empresa e do indivíduo que nela trabalha.

Ao falar sobre os Psicopatas Corporativos, abordei apenas um aspecto das infinitas dificuldades que encontramos nas empresas onde trabalhamos. A psicopatia é uma doença psiquiátrica, mas vários outros comportamentos disfuncionais corriqueiros são consequência dos modelos de gestão e da filosofia do lucro a qualquer custo: o ambiente e o empregado são apenas sintomas de um sistema que está se tornando opressor ao incentivar a competição sem limites, a obsessão pelos indicadores de desempenho (custo-benefício), a exigência da excelência, o medo de fracassar, a dedicação exclusiva à corporação.

Gaulejac é sociólogo, professor emérito na UFR de Ciências Sociais de Paris – Universidade Diderot, autor de cerca de vinte livros, conhecido por sua atuação em psicossociologia, tradição francesa na análise organizacional e sobre gestão. Portanto, crítico da linha gerencialista das escolas americanas.

Ele não acredita que a gestão é um mal em si, pelo contrário. “É totalmente legítimo organizar o mundo, racionalizar a produção, preocupar-se com a rentabilidade”. Mas é enfático ao completar que “com a condição de que tais preocupações melhorem as relações humanas e a vida social”.

Será que podemos afirmar, com tranquilidade, que a gestão a que estamos submetidos realmente melhora nossas vidas, nossas relações e a sociedade como um todo?

Passamos mais da metade do nosso tempo na empresa. O que sobra, mal dá para dividir entre a família, compromissos não delegáveis, transporte e obrigações. A ilusão de que ela nos dá tempo livre porque permite trabalhar de casa, day off, horário livre, não passa de ilusão mesmo – hoje, quem não está fisicamente na empresa responde às solicitações do trabalho o tempo todo através de celulares, tablets, computadores. “Quando transportamos nosso escritório conosco, tornamo-nos livres para trabalhar 24 horas durante 24 horas!”  diz Gaulejac. Sem contar, é claro, que ao incentivar o trabalho em casa a empresa repassa o custo.

99% dos meus clientes de Coaching apresentam sinais de estafa pela necessidade de se manterem conectados o tempo todo, atendendo às necessidades (ou pseudonecessidades) de seus gestores/empresas. O “comprometimento” é a base da relação, e vem acompanhado da adaptabilidade, liderança, flexibilidade e reatividade. Ou não se é parte da empresa.

Me lembro de uma Coachee, Joana, que me procurou na pior fase de sua vida. Inteligentíssima, trabalhando em um escritório de advocacia, estava doente de corpo e alma: a terapia e os médicos não davam conta de ajudá-la. Ocorre que a empresa estava doente, não ela. Nossas sessões, marcadas para as 9h00 da noite, às vezes começavam por volta de 10h30 simplesmente porque ela não conseguia sair do escritório. As demandas, às vezes insignificantes, chegavam de última hora; revisões desnecessárias e, como se não bastasse, sua gestora, de licença maternidade, chegava a fazer 20 ligações por dia além das mensagens e e-mails. Sempre em nome da avaliação de desempenho que acontecia a cada 6 meses.

Gustavo teve uma crise de ansiedade e foi parar no hospital. Motivo? Com a avaliação de performance agendada, que definiria o novo sócio do escritório, ouviu em uma conversa de corredor que “deixava a desejar”. Seu sentimento de ter falhado, ser diminuído, inapropriado, não alcançar as metas propostas, foram demais naquele momento.

Cláudio trabalhava com qualidade em uma empresa e era o responsável pelas certificações. Diariamente era incentivado a quebrar regras e maquiar as necessidades que atendiam à legislação para evitar custos. O pedido era acompanhado da frase “se você não fizer, outro vai fazer”.

Ana, depois de quase dois anos na empresa, foi aconselhada por sua gestora a não tirar férias porque correria o risco de se tornar desnecessária e ser substituída. Bárbara entrou em colapso porque era cobrada, a cada semana, a dominar um novo processo e transmiti-lo às equipes responsáveis de cada área, como se fosse um treinador.

Enfim, são dezenas e dezenas de histórias que levam sempre ao mesmo ponto: a gestão. Como diz Gaulejac “a gestão é, definitivamente, um sistema de organização de poder”. Portanto impõe normas, regras, e uma ordem a qual todos os agentes devem se submeter.

Na era da gestão somos chamados o tempo todo a gerenciar a nós mesmos, gerenciar nosso sucesso, nossos pensamentos, nossas relações, nosso conhecimento, nossa humanidade. Esse é o tema que invade a mídia e toma conta das empresas. É o “degrau” para o sucesso!

Para sobreviver é preciso ser, cada vez mais, eficaz e produtivo. Cada um é reconhecido conforme suas capacidades de melhorar o funcionamento da empresa e o conhecimento é medido conforme sua utilidade para o bem da organização.

“A gestão é, definitivamente, um sistema de organização de poder”, segundo Gaulejac. Portanto impõe normas, regras, e uma ordem a qual todos os agentes devem se submeter. O custo é alto. A submissão ao poder de pessoas que nem sempre estão preparadas para exercê-lo, a regras e normas que nem sempre fazem sentido e à cobrança constante por parte da empresa, levam os colaboradores a um esgotamento que se transforma em doença.

Depressão, Estresse e Burnout são as mais comuns, mas o aumento no índice de suicídios tornou-se preocupante.

O Estresse é a forma mais leve, mas relevante, porque pode ser o gatilho para uma síndrome mais séria. Ele acontece quando ao reagir diante de diferentes situações que exigem um grande esforço emocional, o corpo produz adrenalina e cortisol que, em níveis normais não causam problemas, mas se atingem picos elevados afetam a saúde. Segundo pesquisa do Instituto de Psicologia e Controle do Stress (IPCS), 34% dos 2.195 entrevistados tinham um nível elevado de estresse.

Já a Depressão é uma doença psiquiátrica crônica, segundo a OMS, podendo levar ao suicídio, e afeta mais de 300 milhões de pessoas no mundo. Preocupante é que o estresse crônico pode levar à depressão.

Diretamente relacionado ao trabalho, o Burnout se desenvolve gradualmente e se manifesta através de cansaço excessivo, insônia, dores de cabeça, dificuldade de concentração, alteração do apetite e dos batimentos cardíacos, além de irritabilidade e humor variável. Pesquisa feita pela International Stress Management Association (ISMA) no Brasil em 2018 mostra que 72% dos brasileiros sofrem com alguma sequela do Burnout e, destas, 32% sofrem de Burnout.

Entre as causas estão a carga excessiva de horário, conflitos de valor no trabalho, sentimento de injustiça, falta de reconhecimento, pouca autonomia nas decisões.

A conclusão é básica: quando os funcionários adoecem, a empresa adoece junto. Ou, para sermos justos, os funcionários adoecem porque a gestão é doentia.

A verdade é que estamos no século XXI e a maioria das empresas é conduzida no modelo do século XX. Ou pior, do século XIX ! Aliás, até Taylor, considerado o pai da administração científica, parece mais progressista do que muitos gestores atuais, ao considerar que o aumento dos salários e o aumento dos lucros deviam ser parceiros!

Refletir sobre isso me leva a lembrar do sociólogo italiano Domenico De Masi, para quem é necessário refundar os modelos de vida e de produção, não para impedir o progresso, mas de modo a criar uma felicidade mais difundida.

Autor do livro O Ócio Criativo, De Masi acredita que nessa nova sociedade o modelo de trabalho antigo já não serve. Tampouco as relações empresa/empregado. Analisando o clima, diz que o que envenena é o excesso de carreirismo e a competitividade exterior, a indiferença e a suspeita recíprocas, o medo, o convívio artificial forçado, as panelinhas, as alianças, a adulação em relação a quem tem poder e a capacidade de ignorar quem não tem. Vai mais longe ainda, ao dizer que “todos os executivos já sabem que são supérfluos por ao menos quatro ou cinco horas de cada dia de trabalho” – o que chama de Servilismo Zeloso.

Aliás, o overtime, numa referência à overdose, ou workaholic, como chamam os americanos, é uma patologia de dependência – a corporação, que quer absorver o funcionário o tempo todo, e este que não consegue afastar-se dela, pois não saberia o que fazer, desorientado.

O que vemos claramente é que muita força de trabalho se tornou supérflua dentro das empresas e, ainda assim, pessoas passam horas além do expediente, trabalhando – ou como se o fizessem – em detrimento de si próprios, de suas famílias, de sua saúde. O sistema tornou-se obsoleto: a maior força de trabalho é intelectual e não braçal.

De Masi é categórico ao afirmar que “a melhor maneira para se obter uma produtividade mais alta numa empresa, e uma maior quantidade de vida fora dela, é deixando o escritório assim que acabar o horário do expediente”.

No sistema de trabalho atual as empresas saem prejudicadas porque as pessoas diminuem ou perdem a sua capacidade criativa, essencial para o trabalho intelectual. O desperdício é de inteligência humana, que merece ser medida na qualidade das ideias que produz, em sua capacidade de criar, e não pela quantidade de e-mails que envia. O cansaço psíquico, ao contrário do físico, não permite um desligamento instantâneo. Mesmo porque a criatividade não tem hora para trabalhar.

Quem já não se sentiu assim? Esgotado, sem ideias, sem ânimo, vazio?

É dessas ideias que nasce a teoria do Ócio Criativo, que De Masi diferencia totalmente do vício de ficar sem fazer nada.

“Ociar não significa não pensar”

“O ócio criativo é aquela trabalheira mental que acontece até quando estamos fisicamente parados, ou mesmo quando dormimos à noite. Significa não pensar regras obrigatórias, não ser assediado pelo cronômetro, não obedecer aos percursos da racionalidade e todas aquelas coisas que Ford e Taylor tinham inventado para bitolar o trabalho executivo e torná-lo eficiente.”

A equação é direta: quanto mais tempo se passa dentro de um escritório, menos ideias se tem. O que se deve fazer é preencher o tempo com ações que sejam escolhidas pela vontade, não pela coação ou trabalho.  De Masi defende que uma parte do nosso tempo livre deve ser dedicada a nós mesmos, ao nosso corpo e à nossa mente; outra parte à família e aos amigos; e uma outra parte à coletividade, à construção de uma sociedade. Mas habituado a não dispor de seu tempo o homem sequer sabe como usá-lo fora da empresa. A maioria das pessoas sequer sabe como descansar ou se distrair.

Há quanto tempo você não vai ao cinema ou ao teatro? Não assiste a um show ou sai para encontrar amigos? Há quanto tempo não lê um livro inteiro e não apenas citações dele na internet? Há quanto tempo não se reúne com pessoas apenas para filosofar sobre a vida?

Eu poderia falar horas sobre Domenico De Masi, especialmente sobre esta obra citada, além de outras. Principalmente porque acredito que pode contribuir muito para a verdadeira humanização nas empresas – em nenhum momento ele sugere salas de recreação, jogos, lanches especiais, cartões corporativos, benefícios inimagináveis. Ele fala sobre a alegria de ser autêntico, de aprender, de criar, de contribuir verdadeiramente para a sociedade, de viver.

“Aquele que é mestre na arte de viver faz pouca distinção entre o seu trabalho e o seu tempo livre, entre a sua mente e o seu corpo, entre a sua educação e a sua recreação, entre o seu amor e a sua religião. Distingue uma coisa da outra com dificuldade. Almeja, simplesmente, a excelência em qualquer coisa que faça, deixando aos demais a tarefa de decidir se está trabalhando ou se divertindo. Ele acredita que está sempre fazendo as duas coisas ao mesmo tempo” (de um pensamento Zen, usado por De Masi)

*O Jornal 140 não se responsabiliza pela opinião dos autores deste coletivo.
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