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Bruno Creste

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Um curta metragem que ilustra a consciência, o pensamento e os devaneios do cotidiano vivido. Texto: Clara Baccarin – Produção & Fotografia: Bruno Creste

*O Jornal 140 não se responsabiliza pela opinião dos autores deste coletivo.

Produtor audiovisual do Jornal 140, fotógrafo, videomaker, músico e torcedor do XV de Jaú. Adora contar história e contextualizar a música através da sua fotografia.

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Cinema

O começo do fim do Pantanal? Assista este filme e diga

O documentário “Ruivaldo, o Homem que Salvou a Terra’, com Jorge Bodanzky na direção e João Farkas como codiretor estreia no Cine Itaú Cultural. Acompanhe as reflexões de Athos Raches Filho escritas ainda sob impacto da noite de apresentação com a presença dos diretores e do próprio Ruivaldo

Athos Rache Filho

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Ruivaldo, o Homem que Salvou a Terra / Divulgação

Estive ontem no Cine Itaú Cultural na rua Augusta em sampa. Estreia do documentário do meu amigo Jorge Bodanzky, sempre interessado em questões ambientais, seus impactos no homem e em nossa sociedade como consequência.

Durante a exibição fui me dando conta de como uma forma tão calma, transparente e afastada de ideologias pode ser tão profundamente contundente. O filme é uma denúncia, é a apresentação de forma explícita de uma tragédia ambiental e seus reflexos na sociedade; imagens lindas, inacreditáveis, iam se sucedendo mostrando um mundo isolado e perdido para uma plateia atônita com o que assistia. Uma realidade chocante, uma tragédia existente, imediata e impossível de ser revertida.

O assoreamento do rio Taquari, provocado por descuidos ambientais nas nascentes de seus afluentes já transformou grande parte do Pantanal em um deserto submerso, esta parte do Pantanal deixou de respirar, morte por afogamento de animais, plantas, insetos, pessoas em suas existências, culturas (é no plural mesmo), uma tragédia sem volta.

O título do documentário é “Ruivaldo o Homem que Salvou a Terra”, um pantaneiro simples e inconformado que percebendo o que acontecia, ao longo dos anos foi cercando uma parte de sua fazenda com sacos cheios de terra transformando aquele espaço em uma ilha, como se fosse um Oásis no deserto.

Encerrada a projeção, a plateia de olhos esbugalhados assistiria na sequência, atônita, um debate, iniciado com a fala daquele homem da terra que em carne e osso dava seu testemunho da tragédia. Sua fala, de um pantaneiro orgulhoso, era pausada, clara e completamente emocionada; pedia por socorro, com voz embargada pedia ajuda, ele sozinho não conseguia mais sustentar esta luta. Fiquei muito mobilizado, cheguei a 1 mm de distancia do choro, fiquei muito mobilizado, aquele documentário com a presença do Ruivaldo marcou a todos ali com a crueza da realidade imediata da tragédia não mais anunciada mas já ocorrida.

Nas discussões que se seguiram a apresentação aconteceu de tudo, todos ali, cada um a seu modo tentavam ajudar aquele homem, a questão era o que fazer, como ajudar, como atender ao grito de socorro! Teve de tudo, em um canto da plateia sugeriram exportar o coitado do Ruivaldo para o delta do Kavango na África junto com o Bodanzky para fazer um novo filme mostrando uma outra realidade como solução. Notei que tanto o Bodanzky quanto o Ruivaldo, nessa hora, arregalaram os olhos só de pensar nas filmagens entre hipopótamos e crocodilos famintos.

Uma grã-fina ao meu lado sacudindo suas pulseiras sugeriu que Ruivaldo tirasse férias nos Alpes suíços antes do Kavango, para compreender outras realidades e avaliar se vale a pena mesmo tanta luta. Em outro canto da plateia uma jovem levantou a questão de que não haviam negros ali, nem na plateia, nem no palco e nem no Pantanal. A sociedade deveria pensar sobre isto, deveria parar de comer carne e se alimentar de folhas e insetos.

Aconteceu neste momento um choque de propostas quando um ornitólogo se levantou e aos brados lembrando que a alimentação dos humanos com insetos iria causar a extinção dos pássaros …… Um botânico advertiu que sem pássaros cagando sementes as florestas estariam condenadas….

A partir dai nada se aproveitou. Ficaram intactos na memoria de todos, o filme do Bodanzky e o depoimento do Ruivaldo. Fui pra casa careta e inexplicavelmente meio tonto!

Jorge Bodansky e Ruivaldo Nery de Andrade.

*O Jornal 140 não se responsabiliza pela opinião dos autores deste coletivo.
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Cinema

Filmes deprimentes: o cinema bizarro e esquisito

Quem já não assistiu a um super filme ainda que deprimente ou pra lá de esquisito?

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Foto: Joshua Leal / Unsplash

Quem já não assistiu a um super filme ainda que deprimente ou pra lá de esquisito?

Lembro de dois: “O Inquilino” e “A Comilança”, ambos pequenas obras-primas que causaram sensação quando foram lançados e que tiveram performance medíocre nas bilheterias.

“O Inquilino” (The Tenant ou Le Locataire) é um filme de 1976 de Roman Polanski, baseado no livro de Roland Topor, um ano antes de ter sido preso na mansão do ator Jack Nicholson por ter abusado sexualmente de uma adolescente de 13 anos. Polanski, que também é o ator principal, faz o papel de um polonês tímido, Trelkovsky, que resolve alugar um apartamento misterioso em um prédio soturno em Paris. O traveling inicial é sensacional, não devendo nada a Hitchcock de “Janela Indiscreta”: mostra a transformação psicológica do personagem, Trelkovsky, em um ser completamente transtornado mentalmente até a conclusão dramática e surpreendente.

Os atores, o roteiro, os diálogos, a edição, ambientação do filme, é tudo um primor; O Inquilino é um dos melhores filmes que já assisti e supera o Coringa na descrição meticulosa de como pessoas normais se transformam em monstros ou seres perturbados. Mas, rapaz, como é deprimente!

Outro que entra na lista eu assisti em uma das edições da Mostra Internacional do Cinema. É “A Comilança” (La Grand Bouffe), de 1973, dirigido pelo italiano Marco Ferreri, com grandes atores como Marcello Mastroiani, Michel Piccoli, Philipe Noiret e Ugo Tognazzi. Os quatro se reúnem em uma mansão para um banquete regado de conversas, pratos requintados e sobremesas espetaculares com uma única finalidade: comerem até a morte.

Com esta proposta, o filme começa como uma grande comédia, com diálogos sensacionais sobre os prazeres da vida, que passam pela mesa e taças de vinho e continuam com uma boa prosa com amigos e termina de maneira patética, com episódios escatológicos e trágicos. Sem dúvida, um dos filmes mais belos e deprimentes que já assisti e que também não fez sucesso comercial na época, até por abordar um tema tão inusitado.

Muito estranho mas nunca tive oportunidade de rever estes filmes na TV, nem em canais tão especiais como o Telecine Cult. Espero que depois desta lembrança os executivos de TV paga programem estas duas deprimentes e atuais pérolas.

*O Jornal 140 não se responsabiliza pela opinião dos autores deste coletivo.
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