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Qualidade de Vida 3 MIN DE LEITURA

A maconha medicinal, finalmente, é liberada no Brasil

Para Dra. Paula Dall Stella, a Cannabis não cura mas ajuda os pacientes a controlar os seus sintomas de maneira melhor; em pacientes oncológicos estimula o apetite, melhora o paladar, o humor, a qualidade do sono, é analgésico e protege contra as dores da neuropatia periférica induzida pela quimioterapia.

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Foto de Kimzy Nanney (Unsplash).

A maconha medicinal motivou alguns posts aqui no Jornal 140 que tiveram grande repercussão e muitos duvidavam que a manchete acima pudesse ser publicada. Pois hoje a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o regulamento para a fabricação, importação e comercialização de medicamentos derivados da Cannabis. Norma será publicada no Diário Oficial da União nos próximos dias e entrará em vigor 90 dias após a publicação. A fonte das informações deste post, que reproduzimos em partes, é a Agência Brasil.

Segundo a agencia, a decisão foi tomada por unanimidade pela diretoria colegiada da agência reguladora. O parecer apresentado em reunião ordinária pública nesta terça-feira (3), em Brasília, está disponível na internet.

O medicamento só poderá ser comprado mediante prescrição médica. A comercialização ocorrerá exclusivamente em farmácias e drogarias sem manipulação. Conforme nota da Anvisa, “os folhetos informativos dos produtos à base de Cannabis deverão conter frases de advertência, tais como ‘O uso deste produto pode causar dependência física ou psíquica’ ou ‘Este produto é de uso individual, é proibido passá-lo para outra pessoa’”.

Em 2 de junho deste ano o Jornal 140 publicou uma longa entrevista com a Dra. Paula Dall’Stella, especializada em Medicina Integrativa e no uso da Cannabis, veja aqui. Segundo ela, o CBD pode ser ministrado em pacientes oncológicos porque estimula o apetite, melhora o paladar, o humor, a qualidade do sono, é analgésico e protege contra as dores da neuropatia periférica induzida pela quimioterapia. É o que ela chamou de um remédio “cinco em um” – não há nenhum que se equipare a Cannabis neste tipo de tratamento. Na entrevista ela disse que também trata “pacientes com dores crônicas, neurodegenerativas, doenças autoimunes, depressão, insônia e ansiedade. E mesmo doenças raras, quando se sente motivada de tentar, ainda que não saiba qual será o resultado, porque todas as outras terapias convencionais não funcionaram mais. O objetivo sempre é melhorar a qualidade de vida dos pacientes. A Cannabis não cura mas ajuda os pacientes a controlar os seus sintomas de maneira melhor”.

“Essa é uma excelente notícia, um avanço. Torna mais democrática a possibilidade de prescrição”, assinala o neurologista Daniel Campi, vice coordenador do Departamento de Dor da Academia Brasileira de Neurologia (ABN). Segundo ele, pacientes que conseguiam autorização de uso do medicamento estavam gastando mais de R$ 2,5 mil por mês.

O Dr. Campi calcula que 70% da demanda antes da regulamentação da Cannabis para uso medicinal era para alivio de dor crônica (lombar e de cabeça). Também havia grande procura para casos de ansiedade e dificuldades de sono. A ABN prepara nota científica sobre fármacos à base de Cannabis.

A Associação Brasileira de Apoio Cannabis Esperança (Abrace) contabiliza centenas de pessoas que tiveram acesso ao medicamento para casos de epilepsia, autismo, mal de Alzheimer, mal de Parkinson e neuropatias. A entidade divulga nomes e contatos de mais de 150 médicos que já prescrevem medicamentos à base de Cannabis.

Projeto de Lei

A possibilidade de liberação da comercialização de produtos com Cannabis mereceu ao longo deste ano atenção constante do ministro da Cidadania, Osmar Terra, que é médico especializado em saúde perinatal e desenvolvimento do bebê, e faz restrições ao uso indiscriminado.

Tramita na Câmara dos Deputados o Projeto de Lei nº 399/2015 que faculta a comercialização de medicamentos que contenham extratos, substratos ou partes da planta Cannabis sativa em sua formulação. Em seu perfil no Twitter, Osmar Terra declarou haver lobby empresarial em favor da liberação de medicamentos derivados da Cannabis. Ele também declarou ser contrário à regulação do plantio da Cannabis, já vetado hoje pela na Anvisa. O Conselho Federal de Medicina publicou nota em favor do posicionamento do ministro.

Para o clínico-geral Leonardo Borges, do Hospital das Clínicas e do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, “a possibilidade de uso recreacional existe em outros medicamentos como os fármacos de sildenafil, previstos para homens com disfunção erétil, mas consumidos por homens sem problema nenhum”. O médico, que já prescreveu medicamento a base de Cannabis, assinala que a decisão da Anvisa foi tomada “após grande revisão da literatura sobre o medicamento”.

*O Jornal 140 não se responsabiliza pela opinião dos autores deste coletivo.

Os artigos publicados em nome da Redação 140 são de responsabilidade dos responsáveis por este site de notícias. Entre em contato caso tenha alguma observação em relação às informações aqui contidas.

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Qualidade de Vida 4 MIN DE LEITURA

Autismo: Tecnologia e senso de comunidade

Como a tecnologia e o senso de comunidade podem ajudar as pessoas com autismo

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Foto: stem.T4L / Unsplash

Não sei se todos me conhecem, portanto, acho legal uma breve apresentação. Me chamo Caio Bogos, tenho 24 anos e estou no último ano de Sistemas de Informação. No começo do 2019, juntamente com alguns amigos, fundei a Puzzle, uma plataforma para ajudar as pessoas que lidam com crianças com autismo. Essa plataforma irá entrar em fase de testes no mês que vem.

No fim do ano passado, juntamente com a Joyce Rocha (a minha sócia na Puzzle), fundamos a iniciativa Autismo Tech. Essa iniciativa busca levantar grupos de discussão, a fim de conversarmos sobre o autismo, tecnologia, design e comunidade.

A partir dessa iniciativa, surgiu a oportunidade de organizarmos o nosso primeiro Meetup. As discussões deste 1º meetup, como não poderia deixar de ser, abrangeram temas como contexto geral sobre o autismo, mercado de trabalho e tecnologia para autistas e design acessível. Esse Meetup ocorreu no dia 05/12/2019, na FIAP Aclimação. Nesse breve artigo, gostaria de focar em três pontos principais: Inclusão, tecnologia e design.

Adaptações Necessárias

Durante todo o planejamento do evento, eu e a Joyce pensamos em formas de adaptar o espaço, a fim de receber o máximo de pessoas possível. Uma das primeiras das nossas iniciativas foi mandar um questionário para as pessoas que se inscreviam no evento. O porquê desse questionário? Bom, ele foi importante para entendermos melhor qual seria o nosso público e quais eram as suas necessidades.

A lição que tiramos disso é: Perguntar não ofende. Somente perguntando é que conseguimos ter uma visão geral do público e, com base nisso, começar a pensar em soluções para tornar o grupo mais inclusivo possível.

O nosso 1º meetup teve um percentual expressivo de inscrições de autistas e pessoas com deficiência. Isso já mostra que a comunidade está ativa e busca discussões sobre o tema.

Aqui vão algumas adaptações que fizemos no evento, a fim de deixá-lo mais inclusivo:

  • Retirada de algumas luzes do ambiente, a fim de não agredir as pessoas com uma sensibilidade maior a luz;
  • Compra de abafadores de ouvido, pensando que algumas pessoas podem se sentir desconfortáveis com os possíveis barulhos do ambiente;
  • Contratação de dois intérpretes de libras;
  • Solicitação que as palmas sejam feitas apenas ao final do evento.

Com essas soluções simples, conseguimos incluir as mais diversas pessoas no evento. Isso mostra que, às vezes, não são necessárias grandes adaptações no espaço. Apenas faça!

Tecnologia e Autismo

Antes de entrar nos aspectos tecnológicos, é importante frisar a necessidade de nos cercar de especialistas no assunto. No meetup tivemos a presença da Dra. Elise Lisboa. Essa participação foi muito importante para contextualizar sobre alguns aspectos do autismo e, principalmente, abrir a nossa cabeça sobre o que é efetivamente o Autismo, quais as formas de diagnóstico e quais as ações a serem tomadas. Toda essa contextualização foi super útil para entrarmos no tema da tecnologia em si.

A tecnologia e como ela pode ajudar a comunidade com autismo, foi um dos aspectos mais importantes deste meetup. É imprescindível destacar as participações do Eraldo Guerra, CEO e fundador da CanGame, um aplicativo focado nas pessoas com autismo. Além disso, durante essas discussões, chegamos a conclusão de que não faz sentido “tecnologia por tecnologia”. O que faz sentido é nós utilizarmos a tecnologia com o propósito de ajudar o máximo de pessoas possível.

É isso que o Eraldo se propõe com a CanGame e é isso que eu e a Joyce propomos com a Puzzle. Sempre é necessário ter o fator humano na jogada!

Design

O último ponto que eu gostaria de destacar deste meetup é a parte do Design acessível. Tivemos uma palestra da excelente Talita Pagani – UX Designer e mestre em ciência da computação. Através dela tivemos um panorama muito interessante sobre como construir interfaces web acessíveis para pessoas com autismo.

Pensar nesses pontos é extremamente essencial. Afinal, vivemos em um mundo cada vez mais conectado e integrado. Pensar em soluções desse tipo, na minha opinião, é um dever das pessoas, pois a internet precisa ser o mais inclusiva possível.

Aqui fica o contato da Talita: http://talitapagani.com/

Fomentar a comunidade

Como disse acima, criamos a AutismoTech para movimentar a comunidade e buscar soluções para as pessoas com autismo. E, já no nosso primeiro meetup, conseguimos um bom resultado.

Para esse ano, estamos planejando a execução de um Hackathon focado em desenvolver soluções para as pessoas com autismo. O diferencial desse Hackathon é a inclusão das próprias pessoas com autismo nos grupos, pois, quem melhor do que o próprio autista para pensar em soluções que irão ajudá-lo? Isso nos lembra da necessidade de colocar o autista no centro! Sempre.

Em breve iremos divulgar mais informações sobre o Hacka. Por ora, podem acessar o site da iniciativa: http://autismotech.com/

Agradecimentos

Bom, essa iniciativa não seria possível sem o apoio de alguns parceiros e amigos. Primeiramente, gostaria de destacar a atuação do Guilherme Estevão, Head da FIAP. Há algum tempo, o Guilherme tem sido essencial para as nossas iniciativas (Puzzle, AutismoTech, etc).

Não poderia deixar de agradecer também os palestrantes que toparam participar desse 1º meetup:

  • Amanda Rabelo e Thaysa Torres – Designers no Comitê Paraolímpico Brasileiro;
  • Dra. Elise Lisboa – Doutora em Psicologia e dedicada ao desenvolvimento humano;
  • Eraldo Guerra – Mestre em Engenharia de Software e fundador da CanGame;
  • Talita Pagani – Especialista de UX e acessibilidade web;

Além disso, não poderia deixar de agradecer muito minha sócia – Joyce Rocha – pela parceria e amizade.

Enfim, vamos juntos construir soluções!

*O Jornal 140 não se responsabiliza pela opinião dos autores deste coletivo.
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A alimentação dos brasileiros para 2020

Pesquisa mostra o comportamento do brasileiro na hora das refeições; segundo a Hibou, 6 em cada 10 brasileiros querem ter mais tempo e calma durante a alimentação com menos açúcar, glúten e carboidratos – em suma, uma alimentação mais saudável.

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Foto: Brandless / Unsplash

Mais tempo e muita calma. É isso o que os brasileiros mais querem durante o processo de alimentação, segundo pesquisa realizada pela Hibou, empresa de pesquisa e monitoramento de consumo.

O Jornal 140 recebeu o comunicado e transcreve a seguir os principais achados. A plataforma entrevistou digitalmente mais de 1.800 brasileiros entre 16 e 75 anos em todo o país, que fazem no mínimo uma refeição fora de casa entre segunda e sexta, analisando o comportamento de cada refeição, café da manhã, almoço e jantar.

Café da Manhã

Para 35% dos brasileiros entrevistados, o café da manhã deveria ser uma boa refeição, mas hoje não a consideram ideal. Entre os jovens esse número sobe para 41%.

64% dos brasileiros acreditam que poderiam ter mais tempo no café da manhã. 43% acreditam que esta refeição poderia ser mais saudável. 48% disseram que deveria reduzir o açúcar. 38% gostariam de mais frutas. 32% variariam o cardápio, e 26% gostariam de comer menos pão.

81% dos brasileiros tomam o café da manhã em suas casas, e 67% tomam o segundo café no trabalho ou no local de estudo em até 2 horas após terem saído de casa. Neste segundo momento a escolha do brasileiro é o café puro.

Como expectativas para 2020, o brasileiro pretende beber mais sucos e leites e deixar o café preto para depois do almoço ou no lanche da tarde. Trocar os petiscos gordurosos por snacks saudáveis. Incluir grãos sem glúten, torradas integrais, geléias naturais e produtos orgânicos locais. Menos açúcar também foi citado, e para substituí-lo de manhã, o brasileiro pretende incluir mais frutas.

Almoço

40% dos brasileiros almoçam fora de casa mais de 3x por semana, e esse número sobe para 49% entre jovens. Na hora do almoço, a pesquisa identificou que a maioria da reclamação é não conseguir manter uma dieta balanceada. Na hora de sair para almoçar, o brasileiro prefere restaurante por kilo, prato feito e Buffet, respectivamente nessa ordem.

73% dos entrevistados disseram que poderiam montar pratos mais saudáveis nos restaurantes por kilo. 71% gostariam de reduzir o consumo de “frituras”. 68% dos brasileiros gostariam de poder comer com mais calma. 51% acreditam que poderiam reduzir o consumo de refrigerantes. 40% evitariam buffets, pois misturam muitos tipos de alimentos e 33% acreditam que poderiam consumir mais frutas.

Em 2019, o brasileiro já modificou um pouco seu comportamento na hora do almoço. 49% dos entrevistados introduziram mais saladas no prato, buscando uma alimentação melhor. Porém, 61% ainda acham que não é o suficiente, e querem melhorar ainda mais seu mix diário de alimentos.

43% dos brasileiros com mais de 30 anos e 40% abaixo dos 30 anos, tentam se alimentar no dia a dia com marmitas que preparam em casa, visando economizar e se policiar para se alimentar saudavelmente.

61% consideram uma refeição completa na hora do almoço se ela é finalizada com uma sobremesa, fruta ou café.

E o que mais agrada e mais incomoda nos restaurantes? 69% dos entrevistados elogiaram os locais que tinham talhares, guardanapos e tempero na mesa; 73% dos brasileiros na hora de escolherem o restaurante para almoçar, tentam buscar opções onde suas roupas não fiquem com “cheiro de comida”. Na maioria das vezes não conseguem, e se conformam, mas acabam reclamando do local para outras pessoas.

O atendimento continua sendo um diferencial para o brasileiro. 66% dos brasileiros relacionam seu retorno ao local ao bom atendimento que tiveram. Nas cidades menores essa relação é ainda mais forte.

Como expectativas para 2020, o brasileiro gostaria de ter acesso a um conteúdo colaborativo, em que ele pudesse buscar mais informações sobre os alimentos que está consumindo, compartilhar suas experiências. Melhorar ainda mais o mix de opções do prato é um dos principais objetivos para o ano que vem. Os temperos naturais também foram citados, inclusive, reduzir sódio e condimentos, com molhos e temperos mais naturais e frescos. Um dos principais desejos do brasileiro para 2020 é conseguir fazer uma refeição com a família pelo menos 1x por semana.

Jantar

O jantar é a refeição mais praticada em casa pelo brasileiro. 77% jantam em suas casas no mínimo 6x por semana, entre brasileiros com mais de 30 anos, entre os brasileiros abaixo dos 30 esse número cai para 68%. Apesar de ser a refeição mais realizada nos lares brasileiros, é também a mais negligenciada. 56% dos brasileiros nem pensam no assunto até sentirem fome, entre os jovens brasileiros esse número sobe para 63%.

64% dos entrevistados acreditam que poderiam planejar o jantar antecipadamente. 43% disseram que poderiam comer algo mais leve e mais saudável. 49% gostariam de reduzir o pão e similares. 40% gostariam de evitar o consumo de comida pronta. 37% disseram que poderiam introduzir mais verduras e legumes, e 33% poderiam reduzir o consumo do café.

Segundo observado pela pesquisa, um dado chamou atenção: o pãozinho está presente no jantar tanto quanto no café da manhã. 81% dos entrevistados afirmaram ter o pão presente nas refeições noturnas. Ao menos uma pessoa da casa inclui esse alimento no jantar.

6 em cada 10 brasileiros gostariam de se alimentar mais cedo e mais leve, pois acreditam que dormiriam melhor desta forma. Nos jovens abaixo dos 30 anos, 7 em cada 10 pensam da mesma forma.

Para 2020, o brasileiro gostaria de ter um sono melhor, podendo se alimentar mais cedo, com mais saladas, e reduzindo consumo de cafeína. O lanchinho noturno, só se extremamente necessário, trocando o pão por alimentos mais saudáveis e leves, como barras de cereais, sementes frutas e leite. O brasileiro quer resgatar a refeição em família, e menos celulares a mesa.

Sobre os deliverys de comida, o brasileiro espera que em 2020 eles possam atender até mais tarde, porém com opções mais saudáveis do que pizzas e lanches.

*O Jornal 140 não se responsabiliza pela opinião dos autores deste coletivo.
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