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Comportamento 3 MIN DE LEITURA

O particular de cada dia

Ao final do ano, proponho uma meta: melhorarmos a nós mesmos.

Julie Damame

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Foto: Aarón Blanco Tejedor / Unsplash

Ao final do ano, proponho uma meta: melhorarmos a nós mesmos. Não só quanto a nossa essência, subjetiva e/ou egoísta, mas, também, quanto à forma como impactamos – direta ou indiretamente – terceiros. Nossos julgamentos, nossos preconceitos, nossas crenças que, muitas vezes, mitigam/ferem certos grupos sociais. Até mesmo, sem que nós percebamos!

Por exemplo: quando ouvirmos/curtimos músicas com letras ofensivas e discriminatórias! O autor Diogo Silva Manoel, em seu artigo “Música para historiadores: [Re] pensando canção popular como documento e fonte histórica” (2014), conclui que “a canção é uma interlocutora de acontecimentos culturais e sociais no mundo contemporâneo”. Ou seja, quando celebramos ao som de músicas que segregam, inferiorizam ou geram violência, acabamos aceitando ou normalizando esse tipo de comportamento.

Convergindo na mesma ideia, Marcos Napolitano, no livro “História e Música” (2005), teoriza que a música serve como fonte para pesquisa e um recurso didático para o ensino de humanidade em geral (história, sociologia, línguas etc.). Desse modo, tem sido “termômetro, caleidoscópio e espelho não só das mudanças sociais, mas sobretudo das nossas sociabilidades e sensibilidades coletivas mais profundas”.

Particularmente, acredito que a análise social é possível de ser observada em qualquer gênero musical e em qualquer nacionalidade. No entanto, mesmo que a letra incorpore um padrão de comportamento social real, do cotidiano, não significa que este não seja inapropriado.

Igualmente ocorre quando assistimos a certos programas de televisão, filmes e séries. Quantas vezes não foi dado mídia a discursos machistas, misóginos, LGBTQIA+fóbicos ou racistas, até como piada?

            Ou, ainda, quantas vezes vemos personagens/papéis que representam e enaltecem a pluralidade sociocultural e econômica?

As pesquisadoras Claudia Rosa Acevedo, Jouliana Nohara e Carmen Lídia Ramusk, em “Relações raciais na mídia: um estudo no contexto brasileiro”, relatam que “geralmente, as interações entre a população negra e a branca dizem respeito às situações de trabalho ou negócios. Raramente elas estão representadas em ambientes familiares. Além disso, as pesquisas revelam que, na maior parte das vezes, existe um desequilíbrio de poder ou de status socioeconômico na interação entre brancos e negros. Tal desequilíbrio é operacionalizado a partir das diferenças entre vestimentas ou profissões”.

Seguem: “os negros são apresentados com vestimentas mais simples ou em profissões subalternas. Verificou-se também que, quando as interações são mais equilibradas, é mais comum que ocorram entre crianças dos dois grupos raciais ou ainda entre crianças negras e adultos brancos. As pesquisas específicas no contexto da propaganda revelam que são pouco frequentes as cenas em que os dois grupos interagem ou ainda em que o negro é apresentado sozinho ou com outros membros de seu grupo (Bowen & Schmid, 1997; Bristor e col., 1995; Da Silva & Rosemberg, 2008; Hae & Reece, 2003; Taylor e col., 2005; Taylor & Stern, 1997)[…]. De modo geral, os estereótipos são marcados por traços de sensualidade, erotismo, criminalidade e feiura (Chinellato, 1996; Da Silva & Rosemberg, 2008; Pinto, 1987)”.

Isto posto, será que não internalizamos certos comportamentos preconceituosos por conta das representações constantes a que somos submetidos? Influenciando nossas análises, compreensões de mundo, relacionamentos e discursos?

Todos esses questionamentos poderão ser levados como metas para o ano que vem, da mesma maneira que planejamos objetivos profissionais ou amorosos.

Inclusive, entendo que a mudança em nós mesmos seja fundamental para uma sociedade harmônica e progressiva. Pois, o nosso particular tem a capacidade de intervir na existência em si do outro. Todos os dias.

Destarte, devemos repensar atitudes, comportamentos e sistemas de consumo que não se atentam aos direitos humanos e à dignidade de grupos socioculturais e econômicos. Estejamos nós compreendidos a eles ou não.

E, por fim, a palavra fundamental para o sucesso da nossa meta: empatia. Que no fundo, nada mais é que: respeito e compreensão para com o próximo.

É uma palavra muito simples de se dizer, contudo, bastante difícil de se transmutar em atitudes diárias, mas façamos um esforço!

Feliz ano novo! Feliz novo você!

*O Jornal 140 não se responsabiliza pela opinião dos autores deste coletivo.

Julie Damame é Fundadora do Projeto Impacto Mulher, palestrante e ativista dos direitos humanos e contra a violência à mulher. Formada em Relações Internacionais no Brasil e na Espanha, graduanda em Direito e pós-graduanda em Direito Penal e Criminologia. Especialista em Justiça Criminal e Transtornos Mentais nos EUA.

Comportamento 3 MIN DE LEITURA

A atualização não deve ser só na voz

O retrato de uma sociedade que assedia sexualmente até mesmo as assistentes virtuais!

Julie Damame

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Foto: Austin Distel / Unsplash
​“Criar uma máquina consciente não é parte da história do homem. É a história dos deuses”. A frase é do filme “Ex_Machina: Instinto Artificial”, do diretor Alex Garland.
​Quem aqui já o assistiu?
​Eu o assisti há pouco tempo e, com a mesma sensação do meu último artigo, persisto impressionada em como as transformações tecnológicas desenvolvem novas conjunturas sociais. E outras nem tão inovadoras assim.
Então, para quem ainda não o viu – e contendo alguns spoilers! -, a narrativa do longa-metragem consiste na criação e acompanhamento de robôs humanoides dotados de alta e complexa inteligência artificial. No filme, os robôs foram programados para aparentar e realizar “funções sociais típicas” de uma mulher. Tais como obrigações para com o lar, com a aparência física e até mesmo sexuais.
​O modo como as máquinas são concebidas e o desfecho da trama são realmente surpreendentes (ou previsíveis para alguns, como para minha mãe). De qualquer forma, acredito que valha a pena ser visto. ​No final, fiquei com o mesmo questionamento do princípio: por que os robôs eram representados como mulheres?
​Por ironia do destino, recebi a campanha do movimento “#HeyUpdateMyVoice” (#HeyAtualizeMinhaVoz) em parceria com a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), que relata que as assistentes virtuais (Siri, Alexa, Cortana, Robin, entre outras) sofrem assédio. Sim, é exatamente isso que você leu!
​De acordo com a Comissão de Banda Larga da ONU, 73% das mulheres – ao redor do mundo – que estão conectadas, já foram expostas a algum tipo de violência online. E, agora, por mais absurdo que pareça, essa “violência” foi estendida para as assistentes virtuais e suas vozes “femininas”!
​Loucura! A UNESCO prevê que aproximadamente 5% das interações com as assistentes virtuais são explicitamente sexuais. Apenas no caso de “Robin”, assistente pessoal para auxiliar no trânsito, são mais de 300 conversações diárias.
​Não bastasse isso, as declarações e insultos ganham respostas que só reforçam narrativas sexistas. O próprio título do relatório da UNESCO, “Eu coraria, se pudesse” (2019), refere-se a uma das reações dadas pela Siri, quando um homem a xingou: “Siri, você é uma vagabunda!”.
​Outras respostas, igualmente sem assertividade, foram projetadas para a mesma colocação, em 2017: “Oh”; “Agora, agora” e “A tua linguagem!”. Curiosamente, quando as investidas eram proferidas por mulheres, o dispositivo retrucava: “Isso não é simpático”.
​A UNESCO pondera e conclui o relatório da seguinte maneira: “A subserviência das assistentes de voz digital torna-se particularmente preocupante quando estas máquinas – antropomorfizadas como mulheres pelas empresas de tecnologia – dão respostas desviantes, fracas e apologéticas ao abuso sexual verbal. […] (Elas) são prestativas, dóceis e desejosas por agradar, disponíveis através de um simples clique num botão ou com um comando de voz”.
​Ademais, será que estes softwares não reforçam profissões estereotipadas? Ou seja, que funções como ajudante, secretária, são “mais de mulher”?
​Inclusive, a começar pelos nomes. Por exemplo, a origem da palavra “Siri” significa, na mitologia nórdica, “mulher bonita que te leva à vitória” ou “Sophia” que foi a primeira robô humanoide.
​Por isso, retorno e coincido com as indagações quanto ao filme: por que a vasta maioria dos robôs humanoides são “mulheres”?
​Acredito que uma parte foi explicada pela UNESCO.
Contudo, no filme que mencionei no início do texto, o “criador” (Nathan Bateman) do “Ex_Machina”, ambicionava que as humanoides fossem daquele jeito. Como discorre na obra, Nathan queria que elas fossem heterossexuais, que tivessem aptidão sexual e outras características para sua pura satisfação.
​Trazendo para a “vida real”, quem são os principais “criadores”? Ou, quem – em sua maioria – fez o uso com conotação sexual?
​Se as repostas para os dois questionamentos convergirem, significa que o que está errado não é – somente – na falha de programação do sistema. Uma atualização, por mais necessária que seja, não será suficiente.
​A campanha #HeyUpdateMyVoice sabe disso. O objetivo principal do movimento, além de desejar criar um banco de dados com as respostas necessárias e efusivas para os casos de assédios; é a educação da sociedade, contando com as empresas e seus consumidores globais.
​Por fim, o que me impressiona é que, mesmo agora, no “futuro tecnológico do século XXI”, ainda temos que lutar a infindável e exaustiva batalha contra os esteriótipos negativos femininos.
*O Jornal 140 não se responsabiliza pela opinião dos autores deste coletivo.
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Comportamento 2 MIN DE LEITURA

Por que temos tanto medo de errar se dizem que errar é humano?

Como trabalhar esse sentimento que nos paralisa e impede de alcançarmos nossos objetivos

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Foto: Andre Hunter / Unsplash

O medo de errar é um sentimento que aprendemos a carregar desde a nossa infância. Tudo começa quando fazemos algo de errado – ou não da maneira 100% correta – quando crianças e muitas vezes recebemos olhares de desapontamento ou desaprovação. Depois vamos para a escola onde somos avaliados por meio de provas e atividades nas quais os erros são vistos como fracasso e não colocados como um princípio para aprendizagem. De forma bem grosseira, o lema no colégio geralmente era ‘demonstre ser inteligente e faça de tudo para não parecer burro’.

Quantas vezes deixamos de perguntar uma dúvida para os professores com medo de sermos julgados pelos colegas? Ou mesmo hoje na fase adulta, durante as reuniões, quantas vezes deixamos de expor opiniões por achar que podem não ser relevantes?

O medo é um paralisador de conquistas e gera uma ansiedade enorme. Tememos os erros e procuramos evitá-los ao máximo mesmo que custe a nossa felicidade. Percebem? Muitas vezes escolhemos ficar dentro da zona de conforto, mesmo que signifique abandonar nossos sonhos ou que a situação esteja ruim – pois, de certa forma, já estamos familiarizados e acostumados com a situação. Então deixamos de arriscar, de ver o que poderíamos ganhar, conquistar, viver, pela possibilidade de fracasso. Possibilidade, o que significa que é um medo criado e não real.

Enfrentando os nossos medos

Particularmente, eu não gostava de expor minhas ideias em público, por medo de ser julgada, de não ser “boa o bastante”, mesmo que me custasse ter visibilidade, oportunidades, e hoje vejo minhas publicações ou participações em palestras e treinamentos, por exemplo, como uma conquista enorme. Percebo que muitas vezes nem tudo sai como planejado, mas essa é a graça. Estou aprendendo a deixar-me ser vulnerável e assim percebi que só com a prática conseguimos mudar algumas crenças que temos sobre erros e acertos.

Pense: Qual é o significado que a palavra ERRO tinha para você? E agora?

Abaixo listei algumas sugestões que podem ajudar você a lidar com situações críticas:

• Perceba de onde vem o medo. É uma questão de insegurança? Observar isso pode ajudar você a analisar o que falta / deve ser trabalhado para seguir em frente.
• Como estão seus pensamentos sobre a situação? Muitas vezes surgem os medos criados por imaginarmos tudo o que pode dar errado ao invés do contrário.
• Pergunte-se: Caso tudo dê errado, o que pode acontecer?
• O que você ganha enfrentando/trabalhando esse medo? O que você perde se não enfrentar?
• Trabalhe seu modelo mental a respeito de erros e acertos. Mude a forma como você enxerga seus erros.
• Se errar, seja gentil com você e entenda que faz parte do processo.

Novamente aqui entra a resiliência, que é a nossa capacidade de lidar com os nossos problemas, de superar obstáculos mesmo diante de situações adversas e aprender com isso. Falo sobre o tema aqui.

Cada tentativa falha, cada erro, cada luta nos mostra algo sobre nós mesmos e aprendemos com isso. Nossos erros, principalmente, são convites para reflexão. E mesmo as piores falhas são evidências de que tentamos, são provas da nossa bravura por nos deixarmos ser vulneráveis.

Lembre-se de um momento que você superou os seus medos. O que você aprendeu com ele?

Quero saber a resposta!
analucia@trevo360.com.br | @trevo360

*O Jornal 140 não se responsabiliza pela opinião dos autores deste coletivo.
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